SIMÃO DE MONTFORT - Narrativa Verídica Clássica de Horror - Arnald FitzThedmar
SIMÃO DE MONTFORT
Arnald FitzThedmar
(Séc. XII)
Tradução de Paulo Soriano
O rei1, com o conde de Leicester2 e os seus apoiadores, retivera-se em Hereford durante várias semanas, impossibilitado de transpor o rio Severn, eis que todas as pontes haviam sido destruídas pelo príncipe Eduardo3 e pelo conde de Gloucester.
Finalmente, enquanto o príncipe Eduardo estava com o seu exército em Kenilworth, Simão de Montfort cruzou o rio Severn em Worcester com o seu exército, no dia seguinte às correntes de São Pedro, que caíram num domingo.
Depois disso, na terça-feira seguinte, dia 4 de agosto, chegaram a Evesham, onde o príncipe Eduardo e o conde de Gloucester, com o seu exército, surpreenderam Simão de Montfort. O príncipe Eduardo e o conde de Gloucester obtiveram a vitória, e o conde de Leicester e o seu filho mais velho, Henrique4, foram mortos.
Hugo le Despenser, Pedro de Montfort, e todos os barões e cavaleiros que lhes tinham aderido, foram mortos; pouco homens sobreviveram. Os sobreviventes, gravemente feridos, foram feitos prisioneiros.
Diz-se, também, que muitos cavaleiros e homens de armas do exército de Montfort foram mortos, enquanto poucos do exército do príncipe Eduardo perderam a vida.
Diz-se que a cabeça do conde de Leicester foi separada do corpo e que os seus testículos foram cortados e pendurados em cada lado do nariz.
Neste estado, a cabeça foi enviada para a esposa de Rogério de Mortimer, no castelo de Wigmore. As mãos e os pés de Simão de Montfort foram também cortados e enviados a muitos dos seus inimigos, como grande sinal de desonra para o defunto. No entanto, o tronco do seu corpo — e somente ele —, foi entregue para ser enterrado na igreja de Evesham.
No mesmo dia e na mesma hora em que se deu a batalha, houve uma grande tempestade em Londres e em outros locais, acompanhada de relâmpagos e trovões.
Notas:
1Henrique III da Inglaterra (1207 – 1272).
2Simão de Montfort (c. 1208 – 1265).
3Futuro rei inglês Eduardo III (1239 – 1307).
4Na verdade, Simão.
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