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Mostrando postagens de Janeiro, 2021

O MESTRE DE MOXON - Conto Clássico de Ficção Científica e Horror - Ambrose Bierce

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  O MESTRE DE MOXON Ambrose Bierce (1842 – c. 1914)   — Você está falando sério? Acha, mesmo, que uma máquina pode pensar? A resposta demorou um pouco. Meu amigo Moxon estava distraído, jogando mais carvão no fogo que ardia na chaminé e, depois de um certo tempo, que denotava a demora proposital em responder às perguntas mais triviais, como se estivesse, como se costuma dizer, “com qualquer coisa na cabeça”, finalmente voltou-se para mim e indagou: — O que é uma máquina? É uma palavra que tem recebido inúmeras definições, mas vamo-nos contentar com a dada nos dicionários populares: " Qualquer instrumento ou aparelho pelo qual a energia é aplicada e utilizada para a produção de um determinado efeito ". Está de acordo? Ora, neste caso, o homem também é uma máquina. Você admite, sem dívida, que ele pensa, ou que pensa que pensa. — Se não deseja responder ao que lhe pergunto — respondi meio aborrecido —, é melhor arranjar outro pretexto, ou então dizer francamente q

A LADRA DE CRIANÇAS - Conto Clássico de Horror - Erckmann-Chatrian

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  A LADRA DE CRIANÇAS Émile Erckmann (1822–1899) e Alexandre Chatrian (1826–1890) Tradução de Paulo Soriano   I Em 1787, via-se a vagar, todos os dias, nas ruas do distrito de Hesse-Darmstadt, em Mainz, uma mulher alta e pálida, de faces encovadas e olhos aterrados: imagem assustadora da loucura. Esta infeliz, chamada Christine Evig, uma antiga artesã de colchões, que vivia no beco do Petit-Volet, atrás da catedral, havia enlouquecido após um terrível acontecimento. Certo dia, ao cair da tarde, ao atravessar, com a sua filhinha, a sinuosa rua dos Trois-Bateaux, percebeu, de repente, que acabara de soltar a mão da criança por um segundo e que já não ouvia o som de seus passinhos. A pobre mulher se virou, gritando: — Deubche! Deubche! Onde você está? Ninguém respondeu. A rua, até onde seus olhos alcançavam, estava deserta. Então, correndo, gritando, clamando pela criança, ela voltou ao porto; lá, perscrutou, com o olhar, a água escura que corria sob os barcos. Seus gr