O PARRICIDA - Conto Clássico Fúnebre - J. H. Rosny
O PARRICIDA J. H. Rosny [Joseph-Henri-Honoré Boex (1856 – 1940) e Séraphin-Justin-François Boex (1859 – 1948)] Tradução de autor anônimo do início séc. XX Estávamos todos em silêncio. A noite estava maviosa. Divisava-se uma ligeira névoa sobre o rio. As faias encarnadas, as acácias os sicômoros do parque cochichavam baixinho. Erguia-se do roseiral um aroma tão suave que apetecia viver uma eternidade. As estrelas subitamente se tornaram pálidas, um clarão cor de cobre se foi elevando cada vez mais, pouco depois surgiu a lua enorme e cor de coral na chanfradura das colinas. Então Carlos teve um prolongado calafrio e encobriu com as mãos o rosto. Eu o ouvi suspirar. — Que é isso? —disse eu, estupefato. — Tudo isto me faz lembrar uma noite horrível da minha infância — balbuciou elo sem levantar a cabeça — e sinto o coração confrangido… Ele quase nunca falava da sua infância e, quando o fazia, era sempre com pronunciada melancolia. Eu disse, mecanicamente: — A tua infância, ao qu...