Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Conto Fúnebre

O PARRICIDA - Conto Clássico Fúnebre - J. H. Rosny

Imagem
O PARRICIDA J. H. Rosny [Joseph-Henri-Honoré Boex (1856 – 1940) e Séraphin-Justin-François Boex (1859 – 1948)] Tradução de autor anônimo do início séc. XX Estávamos todos em silêncio. A noite estava maviosa. Divisava-se uma ligeira névoa sobre o rio. As faias encarnadas, as acácias os sicômoros do parque cochichavam baixinho. Erguia-se do roseiral um aroma tão suave que apetecia viver uma eternidade. As estrelas subitamente se tornaram pálidas, um clarão cor de cobre se foi elevando cada vez mais, pouco depois surgiu a lua enorme e cor de coral na chanfradura das colinas. Então Carlos teve um prolongado calafrio e encobriu com as mãos o rosto. Eu o ouvi suspirar. — Que é isso? —disse eu, estupefato. — Tudo isto me faz lembrar uma noite horrível da minha infância — balbuciou elo sem levantar a cabeça — e sinto o coração confrangido… Ele quase nunca falava da sua infância e, quando o fazia, era sempre com pronunciada melancolia. Eu disse, mecanicamente: — A tua infância, ao qu...

LEONOR - Conto Clássico Fúnebre - Edgar Allan Poe

Imagem
LEONOR Edgar Allan Pöe (1809 – 1849) Tradução de autor anônimo do início do séc. XX Eu sou oriundo de uma raça caracterizada pelo vigor da fantasia e pelo ardor da paixão. Os homens chamaram-me doido; mas ainda não está resolvido o problema — se a loucura é ou não a suprema inteligência, se muito do que é glorioso, se tudo o que é profundo não tem a sua origem numa doença do pensamento, em modalidades do espírito exaltadas à custa das faculdades gerais. Aqueles que sonham de dia sabem muitas coisas que escapam àqueles que somente de noite sonham. Nas suas vagas visões obtêm relances de eternidade, e, quando despertam, estremecem ao verem que estiveram mesmo à beira do grande segredo. Penetram, sem leme nem bússola, no vasto oceano da “luz inefável”; e, de novo, como os aventureiros do geógrafo núbio, aggressi sunt mare tenebrarum, quid in eo esset exploraturi 1 . Diremos, então, que estou doido. Concordo, pelo menos, em que há dois estados distintos da minha existência mental — o...

O VELÓRIO DO HORROR - Conto Clássico Fúnebre - Visconde de Vogüé

Imagem
O VELÓRIO DO HORROR Eugène-Marie Melchior, Visconde de Vogüé (1848–1910) Tradução de autor anônimo do séc. XX No último outono, caçávamos no governo de Riazan, Rússia. Toda a manhã, perseguíramos os patos selvagens sobre um grande tanque. Era, visivelmente, um antigo lago artificial, cavado ali para embelezar algum parque senhorial. Mas o esforço da mão do homem desaparecera desde muito tempo, sob o trabalho fácil da natureza. Feita senhora desse local, ela mudara o desenho primitivo segundo sua fantasia, apagando as linhas direitas graças a um renque de juncos, salgueiros e faias. Na extremidade do brejo, uma clareira aberta entre as árvores permitia vislumbrar-se, a alguma distância, em uma dobra do terreno, um vasto trecho de habitação, em parte mascarado pelos restos de um muro ameiado. Essa aparição feudal intrigou-me vivamente; nada vira ainda de semelhante nos campos russos. As construções de pedra são aí quase desconhecidas, e as casas senhoriais contentam-se com uma simple...

A SEMANA FATAL - Conto Clássico Fúnebre - Alberto Donaudy

Imagem
A SEMANA FATAL Alberto Donaudy (1880 – 1941) Traduçõo de autor anônimo do séc. XX Abatendo-se na poltrona do gabinete quando tencionava terminar um ofício, o comendador Bassá (Gustavo Adolfo, como lhe chamavam familiarmente até os contínuos) interrompeu do modo mais inesperado e imprevisto a sua carreira de funcionário publico, que durara vinte e nove anos e doze dias precisos, para empreender a de defunto que, de ordinário, dura mais. Transportado para casa, deixou que lhe vestissem o fraque da sua primeira juventude (que lhe ficava um pouco estreito), que o cercassem com as flores da sua última primavera (que não tinham um cheiro lá muito agradável); avaro como era, consentiu, no entanto, que triplicassem a iluminação, e, durante vinte e quatro horas, esteve em casa pela última vez, esperando indolente e tranquilo, com os braços cruzados no peito, que, quando a mulher chegasse da Sicília, aonde fora ver a mãe, e os amigos dessem o fora do quarto, onde estavam reunidos desde pela m...