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Mostrando postagens com o rótulo Lenda

A SERPENTE DA ILHA - Conto Clássico de Terror - Pu Songling

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A SERPENTE DA ILHA Pu Songling (1640 – 1715) Na ilha de Ku-chi, no mar oriental, havia camélias de todas as cores que floresciam durante todo o ano. Ninguém, contudo, vivia ali e muito poucas pessoas visitavam o local. Um dia, um jovem de Têng-chou, chamado Chang, que gostava de caça e de aventuras, ao ouvir falar das belezas do lugar, juntou um pouco de vinho e comida e rumou à ilha num pequeno barco a remos. Nessa época, as flores estavam ainda mais belas do que o habitual e a sua fragrância espalhava-se por cerca de uma milha ao redor, enquanto muitas das árvores que viu tinham várias braçadas de circunferência. E ele por lá vagou, entregando-se ao prazer do cenário. De vez em quando, abria a garrafa de vinho, lamentando muito não ter uma companheira para partilhá-lo. De repente, uma jovem muito bonita, de olhos extremamente brilhantes e vestida de vermelho, surgiu de uma das camélias diante dele. — Meu Deus! — disse ela ao ver o Sr. Chang. — Eu esperava estar aqui sozi...

O CÃO E O MORTO-VIVO - Conto Clássico de Terror - Alexander Nikolayevich Afanasyev

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O CÃO E O MORTO-VIVO Alexander Nikolayevich Afanasyev (1826 – 1871) Certo dia, um camponês saiu para caçar, levando consigo seu cão favorito. Caminhou longamente por bosques e pântanos, mas, infelizmente, não obteve presa alguma. Por fim, a escuridão noturna o surpreendeu. Numa hora misteriosa, passou por um cemitério. Numa encruzilhada, viu um cadáver enfiado numa mortalha branca. O camponês ficou horrorizado e não sabia o que fazer: se ficava ou corria. — Bem — pensou —, aconteça o que acontecer, continuarei. E ele continuou, com o cão correndo em seus calcanhares. Quando o cadáver o viu, correu ao seu encontro. O morto-vivo não o pisava o chão, senão flutuava cerca de um pé acima do solo, com a mortalha a tremular-lhe ao corpo. Quando se aproximou do camponês, investiu sobre ele, mas o cão agarrou-o pelas panturrilhas nuas. Então, ensaiou, com o redivivo, uma feroz disputa. Vendo aquele embate, o homem ficou maravilhado. Como as circunstâncias lhe foram proveitosas, f...

A LENDA DA CAVIDADE DE SOLSE - Conto Clássico Lendário Sobrenatural - Gust van de Wall Perné

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A LENDA DA CAVIDADE DE SOLSE Gustaaf van de Wall Perné (1877 – 1911) No meio de Veluwe — na floresta entre Garderen e Drie — situa-se a “Cavidade de Salse”, uma grande depressão entre colinas. Havia, outrora, um poderoso mosteiro, guarnecido de várias torres e circundado por um fosso. Uma estrada larga e imponente conduzia ao seu portão. Mas era um mosteiro maligno, pois o seu abade e os demais monges haviam vendido as suas almas ao diabo. Leva-se ali uma vida de excessos e luxo. À noite, em seu interior, celebrava-se a missa negra, da qual participavam todas as bruxas e fantasmas da região. Lá, as pessoas bebiam copiosamente o vinho e as suntuosas refeições eram servidas durante toda a noite. O diabo certificava-se de que o suprimento nunca acabasse e ele mesmo preparava o vinho. Dançava-se, cantava-se e praguejava-se até a alvorada. Muitos ouviam os ruídos estranhos e aterrorizantes que, à noite, vibravam no interior do mosteiro, e todos sabiam que as janelas de todos os ...

A SENHORA DE MONTIGNY-LE-GANELON - Conto Clássico de Horror - Émile Maison

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A SENHORA DE MONTIGNY-LE-GANELON (Excerto) Émile Maison (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano Já havia quase dois anos — se não mais — que o senhor de Montigny partira para países distantes, onde a guerra causava os seus estragos, deixando a sua esposa e alguns criados no castelo. O senhor estava verdadeiramente possuído pela loucura da espada, a quem chamava de “Madame”, mas isto enchia a esposa de ciúmes. Ora, o coração da mulher é um poço onde nenhum homem jamais desceu. Quão diferente era a castelã do marido! Por mais que este tivesse um temperamento cordial e compassivo, a mulher, pelo contrário, parecia rígida e altiva, e grande era o temor que inspirava em seus vassalos; estes tiveram que sofrer com o mau humor da senhora quando senhor de Montigny partiu. Por isso, o retorno do suserano escudeiro 1 era impacientemente aguardado e comemorado com alegria por essa pobre gente. Esperavam, então, o seu regresso, mas meses inteiros se passaram sem nenhuma notícia d...

O MOURO ASSASSINO - Conto Clássico Lendário de Horror - Paul Sébillot

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O MOURO ASSASSINO Paul Sébillot (1843 – 1918) Tradução de Paulo Soriano Uma história portuguesa, na qual alguns episódios lembram A Bela e a Fera e o Barba Azul , apresenta um torneiro que costumava ir a uma floresta, a alguma distância da sua casa, para cortar a madeira necessária à feitura das suas colheres e outros utensílios. Certo dia, quando serrava um venerável castanheiro, reparou que havia um grande buraco na árvore e, animado pela curiosidade de entrar e descobrir o que havia dentro, apareceu-lhe imediatamente um mouro encantado, que, com uma voz terrível, lhe disse: — Já que te atreveste a entrar em meu palácio, ordeno-te que me traga a primeira criatura que encontrares ao chegar em casa; caso contrário, morrerás em três dias. Quando o torneiro voltava para casa, geralmente era um cãozinho que vinha ao seu encontro. Mas, naquele dia, foi a sua filha mais velha quem veio ter com ele. A moça concordou em ir até o mouro, que lhe deu todas as chaves de seu palácio e...

A LENDA DA MÃE FANTASMA - Narrativa Clássica Lendária Sobrenatural - Li Qing

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A LENDA DA MÃE FANTASMA Li Qing (1602-1683) Uma mulher grávida veio a falecer longe da cidade onde morava e o seu marido teve de sepultá-la às pressas. No dia seguinte ao seu sepultamento, um vendedor ambulante recebeu, ao amanhecer, uma senhora. Viera ela, tão cedinho, comprar bolos e este fato se repetiu nos dias seguintes. — Senhora — perguntou o vendedor —, por que vens, todos os dias, assim tão cedo, todas as manhãs? A mulher, de triste semblante, respondeu: — O meu marido deixou-me, assim como a meu filho. Como não tenho leite materno para alimentá-lo, dói-me o coração ao ouvi-lo chorar. Por isto venho todas as manhãs, bem cedinho, comprar o bolo. Como todas as noites o comerciante apurava o seu ganho, verificou, perplexo, que, desde conhecera a mulher, passara a encontrar cédulas espirituais entre o dinheiro recebido. Logo intuiu que aquelas cédulas lhe eram entregues pela desconhecida. Um dia, para saber de quem se tratava a estranha, ele a seguiu. Notou que ela cam...

A COSTUREIRA E A CAVEIRA - Conto Clássico Lendário de Terror - Paul Sébillot

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  A COSTUREIRA E A CAVEIRA Paul Sébillot (1843 – 1918) Tradução de Paulo Soriano Conta-se, na Alta Bretanha, que uma costureira ousou, para quebrar o caminho, passar, em plena noite, por um cemitério. Lá, ela viu uma mortalha sob um túmulo e a levou para casa. À meia-noite, uma voz gritou-lhe: — Devolve-me a minha mortalha! Seguindo o conselho do padre, ela voltou na noite seguinte ao cemitério, onde deveria costurar na mortalha tudo o que encontrasse. Viu uma caveira com os ossos cruzados, pôs-se a costurá-la na mortalha, e tudo esteve bem até o último ponto da agulha, quando, por descuido, espetou o crânio. A caveira lhe gritou: — Tu me machucaste! O susto foi tão intenso que a costureira, de pavor, morreu prontamente. Aquele sudário era o de sua própria mãe. Imagem: PS/Perchance.

A PORTA DO DIABO DE NOTRE-DAME DE PARIS - Narrativa Lendária Sobrenatural - Petit Pierre

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A PORTA DO DIABO DE NOTRE-DAME DE PARIS Petit Pierre (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano No século XII ou XIII, vivia um artífice bastante inábil que andava de oficina em oficina, mas sem nunca obter o título de mestre. Um dia, laborando numa forja de um porto marinho, aconteceu que a soldadura de uma dessas peças de ferro falhou. Culparam-no. Os seus colegas deram-no um sova e, depois, seguiram a um cabaré. O pobre artífice chorava num canto da oficina, quando viu um homem vestido de vermelho aproximar-se dele e perguntar-lhe a razão da sua dor. Depois de ter explicado a sua desgraça, o homem de vermelho disse-lhe: — Não te preocupes. Volta a acender a forja. Soldaremos a âncora. Trêmulo, o artífice obedeceu. Quando os ferros já estavam a brilhar, juntou-os na bigorna, mas, ao erguer o martelo, faltou-lhe força, deixando a ferramenta escorregar. O homem vermelho bateu, então, com o punho no ferro e a âncora ficou soldada. Depois, disse ao trabalhador: — Eu sou o De...

A MARCA DO ESQUELETO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Paul Sébillot

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  A MARCA DO ESQUELETO Paul Sébillot (1843 – 1918) O Sr. Walter Gregor enviou-me a seguinte lenda, que recolheu no condado de Aberdeen (Escócia): Certa vez, um alfaiate, que gostava de beber e de vangloriar-se, estava sentado com alguns bons companheiros numa taverna, não muito longe do convento de Bauly. Estavam todos um tanto excitados pela bebida, e o alfaiate começou a gabar-se como de costume. Entre outras coisas, garantiu-lhes que, antes da meia-noite, teria costurado um par de meias na escadaria da casa capitular do priorado. Os seus companheiros aceitaram o desafio. O alfaiate dirigiu-se ao local designado, sentou-se e, iluminado por uma vela, pôs-se a trabalhar, movendo agilmente os dedos. Aproximava-se a meia-noite quando uma grande mão esquelética apareceu perto da sua cabeça e gritou-lhe três vezes: — Vês esta grande mão sem carne e sem sangue, que se ergue ao teu lado, alfaiate? — Vejo-a — respondeu o alfaiate. — Mas tenho de concluir o meu trabalho ...

ANHANGÁ E O CAÇADOR - Narrativa Tradicional de Terror - Clemente Brandenburger

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  ANHANGÁ E O CAÇADOR Clemente Brandenburger (1879 – 1947)   Nas imediações da hoje cidade de Santarém, um índio tupinambá perseguia uma veada, seguida de um filhinho, que ainda mamava. Depois de havê-la ferido, conseguindo o índio agarrar o filho da veada, escondeu-se por detrás de uma arvore, e fê-lo gritar. Atraída pelos gritos de agonia do filhinho, chegou-se a veada a poucos passos de distância do índio. Flechou-a então: ela caiu. Quando o índio, satisfeito, foi apanhar sua presa, reconheceu que havia sido vítima de uma ilusão por parte do Anhangá. A veada, a quem ele havia perseguido., não era uma veada, mas sua própria mãe, que jazia morta ao chão, varada com a flecha e toda dilacerada pelos espinhos.

A VINGANÇA DA CAVEIRA CANTANTE - Conto de Terror - Narrativa Tradicional Japonesa

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  A VINGANÇA DA CAVEIRA CANTANTE Conto tradicional japonês   Dois mercadores voltavam para casa, após uma longa jornada de comércio. Um deles tivera um êxito extraordinário em suas atividades mercantis; assim, tendo vendido toda a sua mercadoria, voltava para casa com muito dinheiro e maior lucro; o outro, arruinado, retornava de mãos vazias. Porque o fracasso o levara à bancarrota, o malsucedido mercador tomou uma medida extrema: matou o colega exitoso, despojando-o do imenso lucro.   Com o haver de seu hediondo latrocínio, o facínora descansou por três anos, mergulhado numa vida de luxo e ostentação. Certa feita, ao passar pelo lugar onde havia matado o colega, o antigo mercador viu uma caveira cantando lindamente. Diante do ineditismo da cena, cuidou de perguntar à caveira: — Cantas a qualquer hora e em qualquer lugar? — Com a minha linda voz, canto, sim! — respondeu a caveira. Imaginando que poderia ganhar dinheiro em abundância com aquele inusitad...