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Mostrando postagens com o rótulo Lenda

A CEIA DOS MORTOS - Conto Clássico Lendário Sobrenatural - Jean-François Bladé

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A CEIA DOS MORTOS Jean-François Bladé (1827 – 1900) Tradução de Paulo Soriano   Não se deve zombar dos mortos.  Segue, agora, a prova disto. Um senhor, caminhando por um cemitério, tropeçou numa caveira. Irritado, deu um belo chute no crânio. Depois, rindo, disse: — Caveira, eu te tratei mal.  Mas, se não guardas rancor, convido-te a jantar comigo, ainda hoje à noite, às oito horas. A caveira nada respondeu e o cavalheiro regressou ao seu castelo. Naquela noite, ao primeiro badalar das oito horas, o senhor já se preparava para sentar-se à mesa quando se ouviu uma forte batida na porta principal. Imediatamente, um valete desceu; mas voltou rapidamente, pálido como um fantasma e trêmulo como uma folha. — Senhor, senhor! Aqui chegou um esqueleto envolto num grande sudário. O criado ainda falava quando o morto entrou na sala. — Vim jantar contigo.  Já vês que eu não me esqueço de nada. — Morto, tu és um homem de palavra. Vamos, valete! Depressa, uma cadeira. Depressa, um...

O MENESTREL E O DIABO - Narrativa Clássica Lendária Sobrenatural - Amélie Bosquet

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O MENESTREL E O DIABO Amélie Bosquet (1815 – 1904) Tradução de Paulo Soriano   Em várias ocasiões, a leitura imprudente do grimório [1] causou catástrofes.  Fala-se até de sequestros que duraram vários dias e, às vezes, anos inteiros. Um bravo menestrel chamado Delorier, cuja memória permanece célebre na vila de Mont-Merey, no município de Athis, foi levado ao inferno, onde permaneceu por três dias. Tal fato aconteceu há muitos anos. Nosso menestrel não tinha motivos a censurar-se pela leitura imprudente do grimório: todos os livros lhe pareciam completamente inocentes, já que a sabedoria de nosso homem se limitava a tocar, razoavelmente, de memória, em seu violino, alguma melodia dançante da região ou algum minueto da alta sociedade, mas adaptado ao estilo camponês. Contudo, um dia, enquanto caminhava pelos campos, tangendo, como de costume, o seu arco, Delorier encontrou um homem nobre que, depois apreciar a sua música, o convidou a comparecer à sua casa, em...

A DAMA DE GREIFENSTEIN - Conto Clássico Lendário Sobrenatural - Auguste Stoeber

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A DAMA DE GREIFENSTEIN Auguste Stoeber (1808 – 1884) Tradução de Paulo Soriano   Há muitos anos, havia em Saverne um vidraceiro que costumava, todos os domingos, dar um passeio a oeste da cidade, à entrada do belo vale de Zorn, onde se situa o castelo de Greifenstein. Sentava-se numa pedra, pegava no seu flajolé [1] e começava a tocar uma melodia. Várias vezes viu uma senhora, vestida de branco, surgir nas ruínas da torre, defronte ao lugar onde ele se encontrava, acompanhando-o na flauta. A princípio, aquela aparição o impressionou; contudo, pouco a pouco, habituou-se. Certa feita, tomou coragem e gritou: — Cuidado para não cair. — Quem me dera a Deus que eu pudesse mergulhar no vale e pôr fim aos meus problemas. —Estás, assim, tão infeliz? — perguntou, compassivo, o vidraceiro. — Mais do que podes imaginar —respondeu a aparição. — Não tenho descanso no meu túmulo. Quando eu estava no mundo, era orgulhosa e gananciosa. Acumulei tesouros sobre tesouros, que escondi neste castelo. ...

O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO - Narrativa Clássica de Terror - Xavier Marmier

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O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO Xavier Marmier (1808 – 1892) Tradução de Paulo Soriano   Uma pequena cidade nas montanhas do Franco-Condado testemunhou, em várias ocasiões, uma aparição maravilhosa. A um quarto de léguas do rio Maiche, no topo de uma colina, avistam-se as ruínas de um castelo circundado por matagais e abetos. Ali viveu, outrora, um senhor avarento, cujo coração estava fechado a qualquer senso de justiça: para saciar a sua sórdida paixão, constantemente submetia os seus vassalos a novas exações e assenhorava-se dos bens dos seus vizinhos.  Ele está sepultado em meio aos seus tesouros, mas ali não encontra repouso. Desejaria trocar o seu esplêndido sepulcro pela sepultura de terra fresca onde qualquer camponês dorme com tanta tranquilidade; mas está condenado a permanecer onde viveu, e passar a noite gemendo, a chafurdar no seu tesouro. No entanto, Deus, comovido com os seus sofrimentos e com as orações que os seus descendentes lhe ofertaram, restaurou a esperança...

A SERPENTE DA ILHA - Conto Clássico de Terror - Pu Songling

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A SERPENTE DA ILHA Pu Songling (1640 – 1715) Na ilha de Ku-chi, no mar oriental, havia camélias de todas as cores que floresciam durante todo o ano. Ninguém, contudo, vivia ali e muito poucas pessoas visitavam o local. Um dia, um jovem de Têng-chou, chamado Chang, que gostava de caça e de aventuras, ao ouvir falar das belezas do lugar, juntou um pouco de vinho e comida e rumou à ilha num pequeno barco a remos. Nessa época, as flores estavam ainda mais belas do que o habitual e a sua fragrância espalhava-se por cerca de uma milha ao redor, enquanto muitas das árvores que viu tinham várias braçadas de circunferência. E ele por lá vagou, entregando-se ao prazer do cenário. De vez em quando, abria a garrafa de vinho, lamentando muito não ter uma companheira para partilhá-lo. De repente, uma jovem muito bonita, de olhos extremamente brilhantes e vestida de vermelho, surgiu de uma das camélias diante dele. — Meu Deus! — disse ela ao ver o Sr. Chang. — Eu esperava estar aqui sozi...

O CÃO E O MORTO-VIVO - Conto Clássico de Terror - Alexander Nikolayevich Afanasyev

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O CÃO E O MORTO-VIVO Alexander Nikolayevich Afanasyev (1826 – 1871) Certo dia, um camponês saiu para caçar, levando consigo seu cão favorito. Caminhou longamente por bosques e pântanos, mas, infelizmente, não obteve presa alguma. Por fim, a escuridão noturna o surpreendeu. Numa hora misteriosa, passou por um cemitério. Numa encruzilhada, viu um cadáver enfiado numa mortalha branca. O camponês ficou horrorizado e não sabia o que fazer: se ficava ou corria. — Bem — pensou —, aconteça o que acontecer, continuarei. E ele continuou, com o cão correndo em seus calcanhares. Quando o cadáver o viu, correu ao seu encontro. O morto-vivo não o pisava o chão, senão flutuava cerca de um pé acima do solo, com a mortalha a tremular-lhe ao corpo. Quando se aproximou do camponês, investiu sobre ele, mas o cão agarrou-o pelas panturrilhas nuas. Então, ensaiou, com o redivivo, uma feroz disputa. Vendo aquele embate, o homem ficou maravilhado. Como as circunstâncias lhe foram proveitosas, f...

A LENDA DA CAVIDADE DE SOLSE - Conto Clássico Lendário Sobrenatural - Gust van de Wall Perné

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A LENDA DA CAVIDADE DE SOLSE Gustaaf van de Wall Perné (1877 – 1911) No meio de Veluwe — na floresta entre Garderen e Drie — situa-se a “Cavidade de Salse”, uma grande depressão entre colinas. Havia, outrora, um poderoso mosteiro, guarnecido de várias torres e circundado por um fosso. Uma estrada larga e imponente conduzia ao seu portão. Mas era um mosteiro maligno, pois o seu abade e os demais monges haviam vendido as suas almas ao diabo. Leva-se ali uma vida de excessos e luxo. À noite, em seu interior, celebrava-se a missa negra, da qual participavam todas as bruxas e fantasmas da região. Lá, as pessoas bebiam copiosamente o vinho e as suntuosas refeições eram servidas durante toda a noite. O diabo certificava-se de que o suprimento nunca acabasse e ele mesmo preparava o vinho. Dançava-se, cantava-se e praguejava-se até a alvorada. Muitos ouviam os ruídos estranhos e aterrorizantes que, à noite, vibravam no interior do mosteiro, e todos sabiam que as janelas de todos os ...

A SENHORA DE MONTIGNY-LE-GANELON - Conto Clássico de Horror - Émile Maison

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A SENHORA DE MONTIGNY-LE-GANELON (Excerto) Émile Maison (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano Já havia quase dois anos — se não mais — que o senhor de Montigny partira para países distantes, onde a guerra causava os seus estragos, deixando a sua esposa e alguns criados no castelo. O senhor estava verdadeiramente possuído pela loucura da espada, a quem chamava de “Madame”, mas isto enchia a esposa de ciúmes. Ora, o coração da mulher é um poço onde nenhum homem jamais desceu. Quão diferente era a castelã do marido! Por mais que este tivesse um temperamento cordial e compassivo, a mulher, pelo contrário, parecia rígida e altiva, e grande era o temor que inspirava em seus vassalos; estes tiveram que sofrer com o mau humor da senhora quando senhor de Montigny partiu. Por isso, o retorno do suserano escudeiro 1 era impacientemente aguardado e comemorado com alegria por essa pobre gente. Esperavam, então, o seu regresso, mas meses inteiros se passaram sem nenhuma notícia d...

O MOURO ASSASSINO - Conto Clássico Lendário de Horror - Paul Sébillot

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O MOURO ASSASSINO Paul Sébillot (1843 – 1918) Tradução de Paulo Soriano Uma história portuguesa, na qual alguns episódios lembram A Bela e a Fera e o Barba Azul , apresenta um torneiro que costumava ir a uma floresta, a alguma distância da sua casa, para cortar a madeira necessária à feitura das suas colheres e outros utensílios. Certo dia, quando serrava um venerável castanheiro, reparou que havia um grande buraco na árvore e, animado pela curiosidade de entrar e descobrir o que havia dentro, apareceu-lhe imediatamente um mouro encantado, que, com uma voz terrível, lhe disse: — Já que te atreveste a entrar em meu palácio, ordeno-te que me traga a primeira criatura que encontrares ao chegar em casa; caso contrário, morrerás em três dias. Quando o torneiro voltava para casa, geralmente era um cãozinho que vinha ao seu encontro. Mas, naquele dia, foi a sua filha mais velha quem veio ter com ele. A moça concordou em ir até o mouro, que lhe deu todas as chaves de seu palácio e...

A LENDA DA MÃE FANTASMA - Narrativa Clássica Lendária Sobrenatural - Li Qing

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A LENDA DA MÃE FANTASMA Li Qing (1602-1683) Uma mulher grávida veio a falecer longe da cidade onde morava e o seu marido teve de sepultá-la às pressas. No dia seguinte ao seu sepultamento, um vendedor ambulante recebeu, ao amanhecer, uma senhora. Viera ela, tão cedinho, comprar bolos e este fato se repetiu nos dias seguintes. — Senhora — perguntou o vendedor —, por que vens, todos os dias, assim tão cedo, todas as manhãs? A mulher, de triste semblante, respondeu: — O meu marido deixou-me, assim como a meu filho. Como não tenho leite materno para alimentá-lo, dói-me o coração ao ouvi-lo chorar. Por isto venho todas as manhãs, bem cedinho, comprar o bolo. Como todas as noites o comerciante apurava o seu ganho, verificou, perplexo, que, desde conhecera a mulher, passara a encontrar cédulas espirituais entre o dinheiro recebido. Logo intuiu que aquelas cédulas lhe eram entregues pela desconhecida. Um dia, para saber de quem se tratava a estranha, ele a seguiu. Notou que ela cam...

A COSTUREIRA E A CAVEIRA - Conto Clássico Lendário de Terror - Paul Sébillot

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  A COSTUREIRA E A CAVEIRA Paul Sébillot (1843 – 1918) Tradução de Paulo Soriano Conta-se, na Alta Bretanha, que uma costureira ousou, para quebrar o caminho, passar, em plena noite, por um cemitério. Lá, ela viu uma mortalha sob um túmulo e a levou para casa. À meia-noite, uma voz gritou-lhe: — Devolve-me a minha mortalha! Seguindo o conselho do padre, ela voltou na noite seguinte ao cemitério, onde deveria costurar na mortalha tudo o que encontrasse. Viu uma caveira com os ossos cruzados, pôs-se a costurá-la na mortalha, e tudo esteve bem até o último ponto da agulha, quando, por descuido, espetou o crânio. A caveira lhe gritou: — Tu me machucaste! O susto foi tão intenso que a costureira, de pavor, morreu prontamente. Aquele sudário era o de sua própria mãe. Imagem: PS/Perchance.