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Mostrando postagens com o rótulo Conto de Mistério/Policial

O HOMEM QUE MATOU O DEMÔNIO - Conto Clássico de Loucura - Armando Brussolo

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O HOMEM QUE MATOU O DEMÔNIO Armando Brussolo (1908 – 1947)   O delegado levantou-se mal-humorado. Pois quê! Chamá-lo às duas horas da madrugada, talvez para atender a uns três ou quatro plebeus embriagados que brigaram por causa de uma mulher qualquer! Isso lá é vida que se suporte! Apesar do adiantado da hora, o movimento na Central de Polícia, naquele fim de Sábado de Aleluia e início de Páscoa, era intenso. Um homem que sofrera um acidente quando trabalhava numa estrada de ferro prestava declarações. O escrevente que terminava o inquérito de pouco em pouco suspendia o serviço, olhava de esguelha para uma loira rapariga, detida para algumas averiguações a seu respeito, fazia-lhe sinais brejeiros e de novo lançava a pena a correr ligeiramente sobre o alvo papel de linho. Um guarda civil entrou, segurando um esquálido rapazelho pela gola do paletó, acompanhado de um italiano, comerciante, com uma banca no Mercado Central, e dirigiu-se ao escrivão:  — Este rapaz é um ladrão, do...

O FANTASMA DO CASTELO - Conto Clássico de Mistério - Ed Kennedy

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O FANTASMA DO CASTELO Ed Kenedy (Séc. XX)   A sala de espera estava vazia. Minto! Vazia, não. Existia, na ponta de um banco ao meu lado, um sujeito macambúzio e malvestido. Barbas de três dias espessando-se-lhe pelo rosto já cheio de vincos. Chapéu amarrotado, olhar fugitivo. Uma dessas criaturas que nos sugerem logo reflexões amargas. Parecia ter vindo de alguma caverna misteriosa. De vez em quando, ouvia-se o barulho de um carrinho de mão, de uma carroça preguiçosa: “truco… truco… truco!… — Já não há mais trens hoje! — falou afinal o homem. — O 6,17 já partiu… — Já o percebi — respondi.  — Isso aqui está com ares de cemitério. Que ambiente! — Hum…  O senhor está falando em cemitério! — exclamou o homem sujo. Fez uma pausa, encarando-me. — Já viu algum fantasma? — Eu?! Fantasmas?! Nunca. O senhor já? — Eu sou um fantasma. — Como?! — Para falar a verdade, não sou, mas fui. — Foi? Conte lá essa coisa. O homem tornou-se silencioso um instante, provavelmente meditando sobre ...

A ECHARPE VERMELHA - Conto Clássico de Mistério - Maurice Leblanc

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A ECHARPE VERMELHA Maurice Leblanc Tradução de autor anônimo do séc. XX Naquela manhã, saindo de casa à hora de costume, a caminho do Palácio de Justiça, o inspetor principal Ganimard percebeu o manejo assaz curioso de um indivíduo que caminhava à sua frente: de cinquenta em cinquenta passos, esse homem, pobremente vestido, abaixava-se ou para amarrar os cordões dos sapatos, ou para apanhar a bengala que deixara cair, ou por qualquer outra razão. E, de cada vez, tirava do bolso e colocava furtivamente à beira da calçada um pedacinho de casca de laranja. Ganimard, cujo espírito de observação nada deixava passar, pôs-se a seguir o indivíduo. Ora, na ocasião em que esse dobrou uma esquina, o inspetor surpreendeu-o trocando sinais com um menino de uns doze anos, que caminhava do lado esquerdo da rua, ao longo das casas. Daí por diante, toda vez que o homem se abaixava sob qualquer pretexto, o garoto assinalava com uma cruz de giz a casa defronte da qual se encontrava naquele momento....