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Mostrando postagens com o rótulo Narrtiva Clássica

UM RECÉM-NASCIDO OFERTADO AO DEMÔNIO - Narrativa Clássica de Terror - Heinrich Kramer e Jakob Sprenger

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  UM RECÉM-NASCIDO OFERTADO AO DEMÔNIO Heinrich Kramer (c. 1430 – 1505) e Jakob Sprenger (1435 – 1495)   As bruxas, quando não matam as crianças pequenas, oferecem-nas ao diabo numa cerimônia blasfema. E quando nasce a criança, a parteira —se a própria mãe não é uma bruxa — tira-a do quarto, a pretexto de acalentá-la, ergue-a e a oferece ao Príncipe dos Demônios — Lúcifer — e a todos os diabos. Um homem relatou o seguinte: notou que a sua esposa, quando chegara o momento de dar à luz, agira contra os costumes habituais das mulheres grávidas, ao não permitir que nenhuma outra mulher se aproximasse de seu leito, à exceção de sua filha, que serviria de parteira. Como queria saber a razão de tal estranha conduta, escondeu-se na casa e assistiu ao ritual sacrílego, de dedicação ao demônio, que acima narramos. Também viu, conforme lhe pareceu, o recém-nascido — sem ajuda humana alguma, mas impelido pelo poder do demônio — subir pela corrente em que se penduravam as panelas...

O LOBISOMEM JACQUES ROULET- Narrativa Clássica de Horror - Sabine Baring-Gold

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  O LOBISOMEM JACQUES ROULET Sabine Baring-Gold (1834 – 1924) Tradução de Paulo Soriano     Em 1598 — um ano memorável nos anais da licantropia — ocorreu um julgamento em Angers, cujos detalhes são terríveis. Num local selvagem e pouco frequentado, nas proximidades de Caude, alguns camponeses, certo dia, encontraram o cadáver de um garoto de quinze anos horrivelmente mutilado e salpicado de sangue.   Quando os homens se aproximaram do rapazote, dois lobos, que lhe dilaceravam o corpo, fugiram para o matagal. Imediatamente, os homens correram a persegui-los, seguindo seus sangrentos rastros, até perdê-los. De repente, agachando-se entre os arbustos, batendo os dentes de medo, encontraram um homem seminu. Tinha ele cabelos e barba compridos e as mãos tingidas de sangue.   As suas unhas eram longas como garras e estavam cobertas de sangue fresco e fragmentos de carne humana. Este é um dos casos mais intrigantes e peculiares que chegaram ao nosso...

OS FILHOS MORTOS DO SR. B⁠— - Narrativa Clássica Sobrenatural - Catherine Crowe

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  OS FILHOS MORTOS DO SR. B ⁠ — Catherine Crowe (1803 – 1876) Tradução de Paulo Soriano   O Sr. B ⁠ — conhecido meu — informou-me que, h á alguns anos, perdeu dois filhos, com um intervalo de dois anos entre as mortes. Quase o mesmo intervalo decorrera desde a morte do segundo filho, quando ocorreu a circunstância que irei relatar. Pode-se conceber que, àquele lapso temporal, por mais vívida que tenha sido, a princípio, a impressão deixada pelos falecimentos, aqueles incidentes haviam desaparecido consideravelmente da mente de um homem dedicado aos próprios negócios. O Sr. B ⁠ — me garante que, na noite em que ocorreu o evento, ele não estava pensando nas crianças; estava, além disso, perfeitamente bem e não comeu nem bebeu nada incomum, nem se absteve de comer ou beber qualquer coisa de que estava acostumado. Encontrava-se, portanto, em seu estado normal. Sucedeu que, pouco depois de se deitar na cama, e antes de adormecer, o Sr. B ⁠ — ouviu a voz de uma das cr...

UM LOBISOMEM EM PALERMO - Narrativa Clássica de Terror - Montague Summers

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UM LOBISOMEM EM PALERMO Montague Summers (1880 – 1948) Tradução de Paulo Soriano   No sestiere del Borgo de Palermo vivia uma senhora muito devota, de honra e reputação imaculadas. Certa noite, durante suas devoções, ela ouviu, sob a janela, o uivo sinistro de um lobo. Espiando através das pesadas cortinas, ela viu, no pátio iluminado pela luar, não muito abaixo da janela, um monstro terrível. Enorme e esguio, ele avançava, exibindo os dentes brancos e afiados, preparados para rasgar e dilacerar. Entre as presas, assomava uma língua enorme e salivante. O animal mantinha o focinho erguido, farejando o vento com grande apetite. A fera fez uma pausa e, depois, avançou furtivamente. De súbito, com uma agilidade demoníaca, deu um salto e escalou a própria loggia . Cheia de coragem, e recomendando-se a Nossa Senhora e a Santa Rosália, a senhora empunhou uma adaga afiada e corajosamente saiu para a varanda. Com um grunhido e um estalido, a coisa saltou sobre ela. Os o...

A MARCA DO LOBISOMEM - Narrativa Clássica de Terror - Montague Summers

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  A MARCA DO LOBISOMEM Montague Summers (1880 – 1948) Tradução de Paulo Soriano   Oswald Frederick Crawfurd, cônsul bri­tânico no Porto, relata uma história de lobiso­mens que lhe foi contada por um fazendeiro, em cujo casarão recebeu a generosa hospitali­dade portuguesa [1] . Um jovem agricultor trabalhava numa fa­zenda, perto de Cabração, entre as montanhas de Estrica, um dos distritos mais silvestres de Portugal, cujo dono havia desposado recente­mente uma jovem dama. Quando se aproxi­mava a hora de o seu primogênito vir ao mundo, tornou-se necessário contratar uma mulher para auxiliar a esposa nas muitas tare­fas domésticas. Assim, o jovem ajudante foi mandado para a cidade mais próxima, Ponte de Lima, com a ordem de contratar a primeira jovem e robusta serviçal que encontrasse.  Durante o seu percurso, ele viu, sentada à beira do caminho, uma provável serviçal en­volta em um manto castanho, com a qual en­tabulou uma conversa. Apresentando-se como Joana, dis...

O FANTASMA DO MENINO ACORRENTADO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Catherine Crowe

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  O FANTASMA DO MENINO ACORRENTADO Catherine Crowe (1803 – 1876) Tradução de Paulo Soriano     A seguinte carta, que é deveras interessante, escrita por um membro de uma família inglesa muito distinta, oferece a sua própria explicação ao incidente:   "Como você expressa o desejo de saber que grau de crédito deve ser atribuído a um conto deturpado,   publicado, após um lapso de trinta a quarenta anos, como uma 'história de fantasmas comprovada', narrarei os fatos tais como deles me recordo, e que me vieram à mente por incitação de uma filha de Sir William A. C—. Enviou-me ela o livro em que é narrada a história, pedindo-me que lhe dissesse se nela havia algum fundamento, já que mal podia acreditar na narrativa, pois ela nunca ouvira minha mãe aludir ao incidente. Quando li a narrativa, fiquei surpreso. Evidentemente, o argumento não fora obtido junto a alguém da família, ou, mesmo, a qualquer pessoa que, à época, estava conosco. No entanto, embo...

O CADÁVER DA EXCOMUNGADA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Martin Crusius

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O CADÁVER DA EXCOMUNGADA Martin Crusius (1534 – 1607)   Na corte de Maomé II, sábios conhecedores da literatura grega e árabe, que haviam investigado uma variedade de aspectos relacionados à fé cristã, disseram ao sultão de Constantinopla que os corpos das pessoas excomungadas pelo clero grego não se decompunham. Perguntado pelo sultão se o efeito da absolvição era a dissolução dos cadáveres, os sábios disseram que sim. Tendo ouvido isto, o sultão encaminhou a Máximo, então patriarca de Constantinopla, a ordem de que apresentasse um caso pelo qual a verdade da declaração dos sábios pudesse ser comprovada. Com grande apreensão, o patriarca convocou seu clero e, após longa discussão, a comissão focou-se numa mulher que havia sido excomungada pelo Patriarca anterior, em razão do cometimento de graves pecados. Assim, eles descobriram o paradeiro de seu túmulo e, quando o abriram, viram que o cadáver estava íntegro, mas inchado como um tambor. Tendo a notícia chegado ao ...

O SONHO DE JOSEPH WILKINS - Narrativa Clássica Sobrenatural - Catherine Crowe

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  O SONHO DE JOSEPH WILKINS Catherine Crowe (1803 – 1876) Tradução de Paulo Soriano   Joseph Wilkins, um clérigo dissidente da Igreja da Inglaterra, conta que, certa noite, ao dormir, sonhou que estava viajando para Londres, e que, como Gloucestershire estava no itinerário, resolveu visitar a casa de seus pais. Encontrando a porta da frente fechada, deu a volta por trás e entrou pelos fundos. A família, entretanto, já havia se retirado para dormir. Ele subiu as escadas e entrou no quarto de seu pai, a quem encontrou dormindo. Mas a sua mãe estava acordada. Dirigindo-se a ela, disse-lhe: — Mãe, vou fazer uma longa viagem, e vim para me despedir-me da senhora. Ela, então, respondeu: — Oh, meu filho querido, você está morto! Embora impressionado com a nitidez do sonho, o Sr. Wilkins não deu importância a ele, até que, para sua surpresa, chegou uma carta de seu pai — dirigida a ele mesmo, se vivo, ou, se não, a seus amigos sobreviventes —,  suplicando um...

O ÍNCUBO E A DAMA INVICTA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Ludovico Sinistrari

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  O ÍNCUBO E A DAMA INVICTA Ludovico Sinistrari (1622 – 1701)   Há cerca de vinte e cinco anos, quando eu era professor de Teologia Sagrada no convento da Santa Cruz, em Pávia, vivia naquela cidade uma mulher casada de moral irrepreensível e que era muito bem falada por todos os que a conheciam, especialmente pelos frades. Chamava-se Hieronyma e morava na paróquia de São Michael. Um dia, tendo amassado em o pão em casa, levou-o ao forneiro para assar.  O forneiro trouxe-lhe os pães assados ​​e, entre eles, havia um grande bolo de formato peculiar, feito com manteiga e pasta veneziana, como é comum naquela cidade. Ela se recusou a aceitá-lo, dizendo que não havia preparado bolo algum. — Mas — disse o homem do forno —, como eu só tinha esta encomenda, este bolo seguramente veio de sua casa. A senhora provavelmente esqueceu-se dele. A boa senhora deixou-se persuadir e compartilhou o bolo com o marido, a filha de três anos e a criada. Na noite seguinte, qua...