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O MEDALHÃO - Conto Clássico de Terror - D. O. Marama

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  O MEDALHÃO D. O. Marama [1] (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Tinham-me falado naquele “caso” como um dos mais “curiosos” e, como sempre me interessei especialmente pelos problemas cerebrais em que o raciocínio se confunde com a loucura — o que chamarei “os limites da razão humana” —, fui a esse presídio-sanatório. O diretor explicou-me: — Trata-se de um homem que cometeu um crime inexplicável e vive, depois disso, perseguido por uma alucinação, uma só, mas estranhamente pertinaz. Durante o dia, mantem-se calmo; mas, desde que anoitece, só há um meio de atenuar o pavor, que o acomete:   deixar uma lâmpada elétrica acesa em sua célula. E, contudo, recusa a companhia de um guarda, que lhe ofereci. O desgraçado vive sob o terror da escuridão e a preocupação de guardar o objeto pelo qual praticou o crime, um medalhão, de resto sem valor, que deixamos em seu poder, para acalmá-lo. * Encontrei na célula indicada um homem franzino, com olhos negr...

VILIPÊNDIO DE CADÁVERES - Narrativa Verídica Fúnebre - Autor anônimo do séc. XX

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VILIPÊNDIO DE CADÁVERES Autor anônimo do séc. XX   Canhoto, coveiro do Cemitério do Araçá, onde se encontra o necrotério do Instituto Médico Legal de São Paulo, estacou num assombramento, arrepiado, com os nervos em desordem. Vira, sobre o mármore de uma das mesas da sala de autópsias, um cadáver todo perfurado a golpes violentos. Dominando a custo a excitação, o coveiro observou melhor, confirmando a primeira impressão. Alguém desferira golpes sobre golpes, com extraordinária força, sobre o corpo inanimado, no peito, no ventre, nas pernas. Por que tão estranha brutalidade contra um corpo sem vida? E quem teria cometido o ato, quando toda aquela dependência permanece fechada? Canhoto, homem supersticioso, sentia frêmitos de pavor, não encontrando explicação para tão monstruoso atentado. Teria sido um louco? Mas um alienado não teria tido tino para conseguir entrar e sair na sala sem despertar a atenção de ninguém. Ainda perturbado com o macabro espetáculo, o humilde serventuário do...

O PRÍCIPE BENÉVOLO - Conto Clássico Fantástico - Horace van Hoffel

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O PRÍCIPE BENÉVOLO Horace van Hoffel (1876 – 1944) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Aqui vai uma história que nossas avós não se lembraram de nos contar. É a história do príncipe Benévolo. Quando Benévolo nasceu, seu pai, o rei Randolfo, convidou todas as fadas da terra para as festas do batismo. Conhecendo a desventura da Bela Adormecida no bosque, Randolfo ordenou todas as providencias para que se não esquecesse nenhum nome na lista dos convidados.  — E, principalmente — recomendou —, muito cuidado com as fadas más. Só elas inspiram temor. Enquanto isso, as boas continuam sempre a ser boas, mesmo quando se possam queixar de alguma afronta. Em verdade, Randolfo bem poderia inverter sua proposição e dizer que uma fada má fica sempre má, por mais que se lhe faça. Mas não era profundo em raciocínio. E, além disso, em seu tempo ainda não se havia inventado a pólvora. O batismo de benévolo foi esplêndido. Nunca se havia visto semelhante cavalgata de príncipes de princesas, d...

O ALQUIMISTA - Conto Clássico Sobrenatural - Autor anônimo do séc. XX

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O ALQUIMISTA (Lenda Espanhola) Autor anônimo do séc. XX   Começa esta narração no ano de 1670. Tempo era aquele em que se guardava uma grande rigidez com os adeptos das ciências maravilhosas. A Santa Irmandade mantinha supremo zelo em deter suas investigações e era nesse trabalho muito auxiliada pela cruel hostilidade do povo a todos os alquimistas e feiticeiros. Muito natural parecerá, pois, que os discípulos de Mercúrio tratassem de se ocultar; mas nem por isso deixavam de ocupar todo o melhor de seu tempo em investigação de alquimia. * Nesse tempo, vivia em Madri um fidalgo que o vulgo chamava simplesmente D. Diogo, embora ele pudesse merecer todos os direitos na corte e os nomes ilustres de Velez de las Novas. Sua história era a de todos os cortesãos. Fizera uma viagem às Índias, vivera por algum tempo na Alemanha e ali travara relações com um partidário da Reforma; e não duvidou em se filiar a tal heresia, sem precaver os desgostos que essa aceitação de seu espírito aventureir...

UMA ALUCINAÇÃO - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatrual - Johann Wolgang Goethe

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  UMA ALUCINAÇÃO Johann Wolgang Goethe (1749 – 1832) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Enquanto, vagarosamente, eu me afastava, a cavalo, da aldeia, vi, não com os olhos da carne, mas com os da inteligência, um cavaleiro que, pelo mesmo atalho, avançava para Drusenheim. O cavaleiro era eu próprio. Ia vestido de casaca bordada a galões de ouro, que eu nunca havia usado. Sacudi-me para afastar essa alucinação, e nada mais vi. É singular que, oito anos depois, tornei a passar pelo mesmo caminho, indo de visita a minha Friederike, e vestido com a mesma casaca em que eu me tinha aparecido a mim próprio! Devo acrescentar que este fato se não deu por minha vontade; foi, simplesmente, o acaso que me fez trajar assim. Pensem os meus leitores o que quiserem desta extravagante visão. Pareceu-me profética e, como encontrei nela a convicção de que tornaria a ver a minha muito amada, deu-me coragem para resistir à dor dos adeuses.   As distrações da viagem fizera...

UMA TRAGÉDIA ÀS MARGENS DO YUKON - Conto Clássico de Crime e Horror - G. G. Vincent

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UMA TRAGÉDIA ÀS MARGENS DO YUKON G. G. Vincent (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Os dois homens discutiam a respeito da região de Wolverine, achando que, salvo essa aldeia, a terra era inteiramente difícil e triste, onde bem se podia morrer de fome. Harding, o garimpeiro de ouro, ia contando uma coisa ou outra. Naturalmente, diante de si, ele tinha Tyson, mas ignorava completamente tudo quanto se referisse ao crime que se dera em Dawson, localidade tão distante. Tyson, que havia engolido o último pedaço de comida, pigarreou e concordou mentalmente com tudo o que Harding dissera. De fato, essa região era terrível. Tyson havia batido à porta da única cabana de madeira que encontrara depois de longa e penosa caminhada. Acreditava poder escapar, assim, à perseguição implacável. Ninguém tão cedo iria descobri-lo. A polícia acabaria por perder a pista. Escapara a uma tempestade de neve que quase o cegara, e havia chegado a essa casa antes do seu dono. Os lobos, famintos, r...

METALDRACHEN - Conto de Ficção Científica e Terror - Diony Scandela

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METALDRACHEN Diony Scandela   A vida é apenas a morte adiada. — Arthur Schopenhauer   E foi-lhe dado que desse fôlego à imagem da besta. — Revelação 13:15   O local da base secreta da Terstörer: o último bastião das ideias do führer , liderado por Herr Engel, uma massa com obesidade mórbida. O ano era 1977 e o lugar era um ponto da Antártida (não detectado pelos satélites). O mundo em constante guerra e intrigas militares, com parte das grandes potências sepultada pelos conflitos bélicos; como em um romance distópico, a década de setenta era muito diferente daquela que observamos nos livros de História. O ser humano se tornara paranoico, desconfiado e egoísta por causa dos conflitos internacionais; a ciência avançava a passos largos, mas era utilizada majoritariamente para fins militares. O projeto “Ressurgimento de Bestas Arianas” ou Metaldrachen havia sido concluído em oitenta por cento, e todo o mérito ficava com a brilhante Erika Mengele, descende...