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A HONRA DE ISRAEL GOW - Conto Clássico Macabro e de Mistério - G. K. Chesterton

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A HONRA DE ISRAEL GOW G. K. Chesterton (1874 – 1936) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Em tormentosa tarde cor de azeitona e prata, o padre Brown, envolto numa capa escocesa de um cinzento acentuado, subia a uma colina para contemplar o castelo de Glengyle. O castelo fechava a passagem de um desfiladeiro e parecia estar no fim do mundo. Aquela cascata de tetos inclinados e cúspides de piçarra verde-mar, ao estilo dos velhos chateaux franco-escoceses, fazia um dos contos. E os pinheirais, que se balançavam em torno de seus verdes torreões, semelhavam inumeráveis bandos de corvos. Esta nota de sonhador diabolismo não era uma simples casualidade da paisagem. Pairava ali uma dessas nuvens de orgulho, loucura e misteriosa aflição que caem com maior peso sobre as casas nobres da Escócia do que sobre quaisquer outras moradias dos filhos dos homens. A Escócia sofre em dose dupla o veneno chamado herança : a tradição do sangue na aristocracia, a tradição do destino no calvinista. O sa...

O VAMPIRO - Conto Clássico de Horror - Gaston Jourdanne

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O VAMPIRO Gaston Jourdanne (1858 – 1905) Tradução de Paulo Soriano   Lembro-me de que, aos doze anos, estava perdidamente apaixonado pela senhorita Clotilde Jarrier. Ela era uma belíssima morena, de olhos escuros, com a qual todos os garotos da minha idade sonhavam. Quando saíamos ao passeio, tínhamos a certeza de que a avistaríamos em seu jardim, cujo portão dava para a praça Montholon. Um dia, não a vimos. E isto deu origem a muitos comentários. Então, um aluno externo, que se dizia excepcionalmente bem informado, afirmou que ela havia enlouquecido. Os céticos alegavam que ela sempre fora um pouco excêntrica: uma aranha no teto, diziam. Eles não imaginavam que estivessem tão perto da terrível verdade. Mas estavam enganados, pois a excentricidade nem sempre residira no cérebro de Clotilde. A terrível criatura — que entrara na cabeça da senhorita Jarrier de forma tão insólita — fora uma aranha-diademada, ou tarântula tetrapneumonídea. Ela é encontrada em jardins; prefer...

FATAIS APARIÇÕES - Conto Clássico de Horror - Gaston Vassy

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FATAIS APARIÇÕES Gaston Vassy (1847 – 1885) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Em uma pequena cidade da França, viveu, há poucos anos, Anne de Roy, órfã de dezoito anos de idade, e que tinha sido educada por um velho e respeitável sacerdote, morto alguns meses antes do acontecimento que ora contamos. Além de sua formosura, a jovem possuía um dote de cinquenta mil trancos, o que, por si, constituía um poderoso estímulo para captar-se as simpatias do empregado de uma casa comercial chamado Marius Crampin. Efetivamente, sem demora, o pedido de casamento que este fizera foi aceito por Anne, e o enlace teve lugar na igreja da paróquia. Não obstante, desde que saíram do templo, Marius se tornou taciturno e nada satisfeito. Alguns de seus amigos, ao ter notícia de seu próximo enlace, se tornaram frios com ele e tratavam-no com ironia.  Crampin estava atormentado por várias suspeitas que havia repelido antes de reunir se a Anne, e, para dissipar essas suspeitas, que tornavam a cru...

LENDAS MACABRAS DO FRANCO-CONDADO - Narrativas Clássicas Sobrenaturais - Xavier Marmier

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LENDAS MACABRAS DO FRANCO-CONDADO Xavier Marmier (1808–1892) Tradução de Paulo Soriano     Fadas, gênios, sílfides e kobolds [1] habitam as florestas, os rios, o fundo dos vales verdejantes e os lagos azuis do Franco-Condado. No planalto de Haute-Pierre, ocasionalmente avistava-se outra Melusina, um ser meio mulher, meio serpente. É a Vouivre. Ela não tem olhos, mas tem na testa uma pedra preciosa — uma granada — que a guia, dia e noite, como um raio de luz. Quando vai banhar-se nos rios, é obrigada a deixar essa pedra preciosa no chão. Se alguém consegue apanhar a granada, poderá comandar todos os gênios e fazer com que estes lhe tragam todos os tesouros enterrados nas encostas das montanhas. Mas não é prudente tentar a aventura, pois, ao menor ruído, a Vouivre sai do rio e... pobre daquele a quem ela encontrar. Um pobre homem de Moustier — que um dia a seguira de longe, vira-a depositar a pedra preciosa nas margens do rio Loue e mergulhar suas escamas de serpente na água — ...

UM CONTO AMERICANO - Conto Clássico de Horror - Arthur Conan Doyle

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UM CONTO AMERICANO Arthur Conan Doyle Tradução de autor anônimo do séc. XX   — Sim... sim, evidentemente, concordo que é muito estranho — declarava ele no momento em que penetrou no compartimento reservado às reuniões da nossa saciedadezinha semiliterária. — Mas eu, saibam os senhores, fui testemunha de coisas ainda mais extraordinárias... Nem sempre se aprende tudo nos livros. E podem crer-me que, nem sempre, as pessoas que melhor se exprimem, e que receberam melhor educação, são as mais experientes e podem gabar-se de terem visto o que eu vi. Ele se chamava, creio eu, Adams. Em todo o caso, o certo é que as suas iniciais eram J. A., e que são visíveis ainda hoje, profundamente gravadas à faca, na porta da nossa sala de fumar. Foi tudo o que ele nos legou conjuntamente com alguns desenhos artísticos feitos com as sobras do seu tabaco sobre o nosso tapete persa; à parte essas poucas lembranças, o nosso narrador americano desapareceu completamente da nossa memória. Por algum tempo, ...