LEONOR - Conto Clássico Fúnebre - Edgar Allan Poe
LEONOR Edgar Allan Pöe (1809 – 1849) Tradução de autor anônimo do início do séc. XX Eu sou oriundo de uma raça caracterizada pelo vigor da fantasia e pelo ardor da paixão. Os homens chamaram-me doido; mas ainda não está resolvido o problema — se a loucura é ou não a suprema inteligência, se muito do que é glorioso, se tudo o que é profundo não tem a sua origem numa doença do pensamento, em modalidades do espírito exaltadas à custa das faculdades gerais. Aqueles que sonham de dia sabem muitas coisas que escapam àqueles que somente de noite sonham. Nas suas vagas visões obtêm relances de eternidade, e, quando despertam, estremecem ao verem que estiveram mesmo à beira do grande segredo. Penetram, sem leme nem bússola, no vasto oceano da “luz inefável”; e, de novo, como os aventureiros do geógrafo núbio, aggressi sunt mare tenebrarum, quid in eo esset exploraturi 1 . Diremos, então, que estou doido. Concordo, pelo menos, em que há dois estados distintos da minha existência mental — o...