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LEONOR - Conto Clássico Fúnebre - Edgar Allan Poe

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LEONOR Edgar Allan Pöe (1809 – 1849) Tradução de autor anônimo do início do séc. XX Eu sou oriundo de uma raça caracterizada pelo vigor da fantasia e pelo ardor da paixão. Os homens chamaram-me doido; mas ainda não está resolvido o problema — se a loucura é ou não a suprema inteligência, se muito do que é glorioso, se tudo o que é profundo não tem a sua origem numa doença do pensamento, em modalidades do espírito exaltadas à custa das faculdades gerais. Aqueles que sonham de dia sabem muitas coisas que escapam àqueles que somente de noite sonham. Nas suas vagas visões obtêm relances de eternidade, e, quando despertam, estremecem ao verem que estiveram mesmo à beira do grande segredo. Penetram, sem leme nem bússola, no vasto oceano da “luz inefável”; e, de novo, como os aventureiros do geógrafo núbio, aggressi sunt mare tenebrarum, quid in eo esset exploraturi 1 . Diremos, então, que estou doido. Concordo, pelo menos, em que há dois estados distintos da minha existência mental — o...

O EMPAREDADO - Conto Clássico de Horror - Maurice Renard

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O EMPAREDADO Maurice Renard (1875 – 1939) Tradução de autor anônimo do séc. XX Passando pela Saboia de volta duma viagem à Itália, Louis Leblois adquiriu o castelo de Abricicux. Eu o acompanhava nessa viagem. Leblois mandara parar o automóvel para admirar um momento o espetáculo das torres quadrangulares e dos vastos telhados ao alto duma terra entremeada de vinhedos, árvores, penedias, num contraforte da Montanha do Gato. Dava meio dia. Almoçamos numa hospedaria à beira da estrada. Ali nos disseram que o castelo estava à venda. E, imediatamente, Leblois o quis visitar. Encontramos uma edificação de espessas muralhas, cuja solidez resistira aos séculos. De fora, pareceu-nos ter poucas acomodações. Com efeito, os aposentos não eram vastos nem numerosos. Estavam inteiramente vazios, porque os móveis, conforme nos contaram depois, tinham sido vendidos após o falecimento duma solteirona idosa e pobre, que não deixara herdeiros. Alguns dos soalhos eram rústicos, mas havia outros preci...

A TAPERA - Conto Clássico de Terror - Coelho Neto

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A TAPERA Coelho Neto Foi com tristeza e saudade que perdi de vista, desviando-me para o caminho das tropas, esse límpido riachão da Penitência, cujo murmúrio brando me trouxera, suavemente distraído, desde as férteis planícies do meu sítio onde as suas águas se derramam, em rega perene e fecunda, banhando as raízes dos cajueiros e balouçando os igarités de pesca. Longo tempo a voz de elegia com que as águas rolavam por entre pedrouços, carreando lírios, encantou-me como se o riachão me acompanhasse amigamente por esses extensos campos, cantando como os vaqueanos que viajam léguas e léguas pelo sertão bravo adentro com um clavinote à bandoleira, o largo facão à cinta e uma triste canção guaiada. Fosse impressão ou porque, em verdade, as águas corressem perto, só para o meio-dia, sol a pino, cessei de ouvir o murmúrio do riachão e, causticado pela soalheira abrasante, deixei-me levar ao passo desinsofrido do meu cavalo viageiro que trotava, arquejando, através da campina, até que ...