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O CAVALEIRO INVISÍVEL - Conto Clássico de Terror - Ernest Favenc

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O CAVALEIRO INVISÍVEL Ernest Favenc (1845-1908) Tradução de Paulo Soriano A Lua estava cheia — quase no zênite — e as árvores altas, de ambos os lados, projetavam sombras negras sobre a trilha por onde eu cavalgava. As sombras eram abruptas e bem delineadas. De repente, ouvi o som de cascos de cavalo a me seguir. Olhei para trás para ver quem me alcançava. Para minha surpresa, não vi ninguém, malgrado o som das passadas me parecesse bem próximo, como se a montaria evoluísse rapidamente. Como isto aconteceu duas vezes, julguei que estava tendo uma alucinação e, quando as luzes da fazenda surgiram no horizonte, continuei a cavalgar satisfeito, já que uma desagradável e supersticiosa sensação estava prestes a me dominar. A propriedade rual era de uma uma viúva duplamente enlutada, pois, seis meses após a morte do marido, o seu único filho — um jovem promissor de cerca de 18 ou 19 anos —, morreu quando, a apenas três milhas da fazenda, a casa desabou sobre a sua cabeça. Como eu morava n...

A LENDA DO MONTE SÃO MIGUEL - Conto Clássico Fantástico - Guy de Maupassant

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A LENDA DO MONTE SÃO MIGUEL Guy de Maupassant Tradução de autor desconhecido do séc. XX A primeira vez em que vi esse castelo de fadas, que parece surgir do meio das ondas, foi muito longe de Cancale. Vi-o, então confusamente, como uma sombra cinzenta e eriçada, mal se destacando sobre o céu nevoento. Depois, avistei-o de Avranches, sob o sol poente. A imensa extensão de areia estava toda vermelha, a enorme baía também avermelhada. Somente a escarpada abadia, erguendo-se lá bem distante, bem longe da terra como uma mansão fantástica, como um palácio de sonho, inverossimilmente estranho e formoso, permanecia quase negro entre as púrpuras do dia moribundo. Fui até ali no dia seguinte, ao amanhecer, caminhando pelo areal com os olhos fixos naquela joia monstruosa, grande como uma montanha, cinzelada como um camafeu e vaporosa como uma musselina. E, à proporção que me aproximava, mais me sentia invadido pela admiração. Talvez não haja no mundo edifício tão perfeito e assombroso. De...

A CASA ENFEITIÇADA - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Joseph Glanvil

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A CASA ENFEITIÇADA Joseph Glanvil (1636 – 1680) Tradução de Paulo Soriano Há uns trinta anos ou mais, um certo cavalheiro viajava de Londres para Essex. Ao passar por Bow, a pedido de um amigo, visitou uma casa, naquela localidade, que começou a ficar um tanto inquieta. Mas nada ainda de muito notável, salvo por uma jovem que foi agarrada pela coxa por uma mão fria em sua cama e morreu poucos dias depois. Algumas semanas depois, trazido de volta por outros compromissos, ele passou novamente pela mesma casa. Desta feita, não tinha a intenção de visitá-la, eis que já o fizera algum tempo atrás. Todavia, ao encontrar a dona da casa à porta, resolveu aproximar-se e perguntar como ela estava. Com um triste semblante, a mulher respondeu que, embora estivesse com saúde razoável, as coisas iam muito mal para todos, pois a casa era extremamente assombrada, principalmente no andar de cima, de modo que eram todos obrigados a buscar refúgio nos cômodos de baixo, devido ao constante arremesso ...

JULGAMENTO DE ANIMAIS - Narrativas Clássicas Verídicas Insólitas - Edward Payson Evans e outros

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JULGAMENTO DE ANIMAIS Edward Payson Evans e outros Tradução de Paulo Soriano A PORCA JUSTIÇADA Edward Payson Evans (1831 – 1917) Em 10 de janeiro de 1457, uma porca foi condenada pelo “homicídio flagrantemente cometido contra Jehan Martin, de cinco anos, filho de Jehan Martin de Savigny”, e sentenciada a ser “pendurada pelas patas traseiras numa árvore submetida à jurisdição da senhora de Savigny.” Seus seis filhotes, encontrados manchados de sangue, foram incluídos na acusação como cúmplices; todavia, “na ausência de qualquer prova concreta de que tivessem ajudado a mãe a mutilar o falecido, foram devolvidos ao seu dono, sob a condição de que este prestasse fiança para o comparecimento dos bacorinhos, caso surgissem novas provas que tornassem assente a sua cumplicidade no crime da mãe.” Mais de três semanas depois, em 2 de fevereiro, ou seja, “na sexta-feira seguinte à festa de Nossa Senhora da Virgem”, os porquinhos foram novamente levados ao tribunal; mas, como o seu dono, J...

A SERPENTE VINGADORA - Conto Clássico de Horror - T. E. Grady

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A SERPENTE VINGADORA T. E. Grady (séc. XX) Tradução de autor desconhecido do séc. XX Na Índia Meridional, uma estrada solitária, profundamente sulcada pelas rodas de velhos carros de bois e demarcada por cactos espinhosos e raras palmeiras, desenrola a sua extensão deserta através de muitas milhas. Em Sankarankoil, uma aldeia dessa estrada, dez milhas a leste de Puliyangusdi, na Presidência de Madras, há um sepulcro visitado periodicamente por centenas de peregrinos, que aí vão fazer as suas oblações aos deuses. Foi com esse objetivo que, alguns meses atrás, uma rica dama velala deixou o lar em Kadaiyanalur, uma povoação vizinha. Como é comum, estava ela adornada, com toda a pompa, de joias que valiam cerca de cento e cinquenta libras — uma pequena fortuna no Sul da Índia. Levava consigo um filho, uma criança de peito de dezoito meses. Embora o distrito seja selvagem, as aldeias sejam espalhadas e as estradas deploravelmente más, há um serviço mais ou menos regular de ônibus em...

UM CADÁVER INQUIETO - Conto Clássico de Terror - Ernest Favenc

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UM CADÁVER INQUIETO Ernest Favenc (1845-1908) Tradução de Paulo Soriano — Sou-West? Vocês devem pegar a estrada a partir de Watervale — disse, dirigindo-se a dois viajantes com cavalos de carga, o chefe da equipe de reparos na linha telegráfica terrestre. — Mas, por aqui, é extremamente acidentado. Aconselharia vocês a voltarem para Watervale e seguirem a estrada. No final, vocês verão que é mais curto. — Não gostaríamos de fazer um retorno — disse um dos homens —, e os nossos cavalos estão bem-dispostos e ferrados. — Ah, não são bem pedras no caminho, senão dunas — areia branca e pinheiro. No entanto, é melhor pararem aqui e partirem amanhã de manhã, pois só há um lugar onde podem contar com água no caminho: um riacho mais ou menos na metade do percurso. — O que aconteceu com aquele velho maluco, que andava por aqui há seis meses? — perguntou um dos eletricistas, dirigindo-se ao pessoal que jantava naquela noite. — Nunca mais ouvi falar dele— respondeu outro. — Mas diziam t...