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A MÚSICA DA COLINA - Conto Clássico de Terror - Saki

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A MÚSICA DA COLINA Saki (H. H. Munro) Tradução de Demian Gonçalves Silva   Sylvia Seltoun tomou o café da manhã na sala matinal de Yessney com um agradável sentimento de vitória definitiva, tal como um fervoroso Ironside se poderia ter permitido na manhã seguinte à batalha de Worcester [1] . Não era muito belicosa por temperamento, mas pertencia àquela classe mais bem-sucedida de combatentes que o são pelas circunstâncias. O destino reservara-lhe uma vida repleta de pequenas batalhas, em geral com as probabilidades ligeiramente desfavoráveis, e, em geral, ela conseguia sair delas ligeiramente vitoriosa. E, agora, sentia que levara a bom termo a sua mais difícil e, certamente, a sua mais importante contenda. Ter desposado Mortimer Seltoun — “Mortimer Morto”, como o chamavam os inimigos mais íntimos —, à revelia da fria hostilidade da família dele e apesar da sua sincera indiferença perante as mulheres, era realmente um feito que exigira alguma determinação e destreza para ser levado...

A ORELHA - Conto Clássico Cruel - Lucien Descaves

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A ORELHA Lucien Descaves (1861 – 1949) Tradução de autor anônimo do séc. XX   O hotel dirigido pelo casal Groslevays, sob a insígnia de La Petite Renfile , era situado na vertente do Jura que dá para as margens do Lago Leman, entre as gargantas de La Faucile e de Saint-Cergne. Aparecia a meio da encosta, no escrínio verde-escuro de uma mata de pinheiros, como um dedal de pedra marcado com seis pontos negros, que eram as aberturas da casa no rés do chão e no primeiro andar. Assim isolada, e na proximidade da Suíça, não gozava de muita boa fama e passava, nessa época, por ser um covil, pelo menos um lugar de encontro de contrabandistas. Um estreito corredor de entrada separava em baixo a cozinha de uma sala grande exclusivamente mobiliada de mesas e de bancos para os fregueses. De três quartos constava o primeiro andar, em cima do qual um grande celeiro ocupava todo o espaço. Do telhado inclinado, elevava-se, nos dias de bom tempo, uma triste fumaça que se desmanchava nas agulhas dos...

O MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Autores Anônimos do Séc. XX

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O MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU Autores anônimos do séc. XX   Ficou memorável na história este sangrento dia em que Catarina de Médici, mulher de Carlos IX, sugestionada talvez pelo Duque de Guise, iniciou a matança, em Paris, dos huguenotes, nome por que eram conhecidos os protestantes, que então começavam a se espalhar por toda a Europa [1] . Em França, um dos principais chefes dos huguenotes era o almirante Coligny, um ancião respeitável, cheio de serviços ao seu país. Um historiador assim descreve o massacre: “Meia-noite. Mil e duzentos arcabuzeiros do regimento dos guardas começam a ocupar as posições convenientes. Os assassinos se armam; Guise reúne os capitães franceses e suíços e lhes comunica suas ordens selvagens: — A fera será agarrada no laço — disse ele. — É preciso embebedarmo-nos no seu sangue; é o rei que o quer. No momento de dar o sinal de matança, Catarina de Médici, dizem, que teve um instante de hesitação, não por piedade, sim por medo; mas logo ordenou q...

O EXPERIMENTO PENDENTE - Narrativa de Mistério - Diony Scandela

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O EXPERIMENTO PENDENTE Diony Scandela   Um objeto impossível pode se tornar possível por meio de um código de três dígitos. O primeiro dígito representa o tempo, o segundo a matéria e o terceiro o espaço. Agora, imagine você que o papel onde estão escritas estas linhas adquire a forma de um rosto de arlequim. Você consegue pensar em um código específico? Se a resposta for não, então minha teoria é falsa. Eu mesmo cheguei a ver livros com três olhos e uma boca, relógios de parede com retorcidos braços mecânicos e espelhos que mostram variantes de outros mundos. Foram necessários os códigos: 322 para os livros, 199 para os relógios e 133 para os espelhos. Sei muito bem que o código em que você pensou no início será inserido nesta linha_________; agora, espere para ver como o papel lhe mostrará o rosto zombeteiro do arlequim. Conte até trinta e aguarde.     Diony Scandela . Escritor amador nascido na Venezuela, em 3 de julho de 1993. Iniciou-se formalmente na escrita com o r...

RUMOR DE ASAS - Conto Clássico de Terror - John Brandon

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RUMOR DE ASAS John Brandon (Séc. XX) Tradução e autor anônimo do séc. XX   Durante longos anos de peregrinações pelo mundo, na minha qualidade de agente de uma grande companhia oriental, eu tinha travado relações com muitos indivíduos pitorescos, especialmente no Arquipélago Malaio, e tinha feito algumas amizades. Mas Alfred Conquest ocupava o primeiro lugar, incontestavelmente, entre os meus afetos. Marinheiro experimentado, de espírito generoso e cordial, era um desses amigos dignos de absoluta confiança, que se encontram tão raras vezes na vida, e eu estimava-o tanto como ele a mim. Ninguém, nem eu mesmo, conhecia o seu passado. Sabia-se, em compensação, que a sua situação era muito boa sob o ponto de vista pecuniário, e que era dono da “Loreley”, uma esplêndida goleta [1] . Eu não o tinha visto há alguns meses. É de supor, por isso mesmo, a minha alegria quando, uma tarde de verão, cheguei a Surabay e vi a “Loreley” ancorada no porto, e depois encontrei Conquest, de impecável p...