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A AULA DOS ESPECTROS - Conto Clássico de Terror - Lasinha Luís Carlos de Caldas Brito

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A AULA DOS ESPECTROS Lasinha Luís Carlos de Caldas Brito (Séc. XX) Avisaram-me de que o velho colégio, situado naquele recanto sossegado de um bairro suburbano, não estava em situação de pagar muito bem, mas os tempos eram calamitosos e eu nunca fora homem de muitas exigências. Ordenado regular, comida, teto, que poderia mais eu desejar, quando tanta gente em volta de mim passava miséria? Aceitei, pois, o emprego e não foi, aliás, sem certa melancolia que me transportei com os meus pertences, naquela manhã chuvosa de agosto, ao velho casarão escondido entre árvores. O lugar ressumbrava umidade, antigo era o aspecto do colégio, mas, não sei porquê, logo a ele me afeiçoei e desejei sinceramente ali encontrar o sossego e a paz tão desejados. Cientificado de que meu quarto se encontrava no edifício anexo, não de aspecto tão decadente quanto o edifício principal, fiquei até certo ponto aliviado, mesmo porque não me sorria muito a ideia de fazer parte das coisas úmidas e sombrias que nes...

ZOROBABEL - Conto de Terror - Diony Scandela

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ZOROBABEL Diony Scandela Na noite em que soube do incêndio no velho bairro de Irish Way, eu estava terminando de redigir a terceira parte da minha tese de doutorado na Biblioteca da Universidade de Cambridge. Como estudante de arqueologia em sua etapa final e ateu declarado, não podia crer em superstições grosseiras, quimeras e lendas. Tenho quarenta anos, uma considerável fortuna herdada de meus pais e um quociente intelectual superior à média; embora isso superasse todas as atrocidades do século presente, manchando a boa reputação do cavalheiro inglês, eu precisava averiguar o que aconteceu realmente. A curiosidade me espreitava como um caçador. Caso curioso (e ao mesmo tempo grotesco) foi que aquele brutal assédio a uma família inocente respondia a um grave caso de esquizofrenia de alto grau, delírios místicos e obsessão insana pelo satanismo; a vítima era um jovem judeu que incendiou sua família em sua própria casa. Aarón Rosenberg não chegava aos vinte anos e conhecia de sob...

DISCROMATOPSIA  - Conto de Terror - Lewis Medeiros Custódio

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DISCROMATOPSIA  Lewis Medeiros Custódio *16 Fevereiro 2011* Acordei e ela ainda estava a dormir. Tinha o braço direito dormente de dormir em cima do corpo. Pus-lhe a mão na cara e ela começou a acordar, esticando o braço direito em direcção do sol que entrava pela janela como um velho amigo que irrompe pela nossa porta. O cão veio lamber-me a cara e pôs a pata em cima dela. A Catarina finalmente abriu os olhos. Acho que devo ter olhado demais para a luz, havia algo… não, não estava a ver bem. *10 Março 2013* Fui buscá-la ao emprego. Eram 3 da tarde e o sol estava particularmente brilhante. Ela entrou no carro e deu-me um beijo. Olhei melhor para ela. Havia algo de estranho nos olhos. Hesitei em retribuir o beijo. Baixei o pára-sol. Devo estar a imaginar coisas, só pode. *5 Julho 2013*   Fomos ao parque passear o cão. Ela estava radiante. Parámos para comer gelado. Olhei para ela.   — Por que estás a olhar assim? — perguntou ela curiosa.  — Nada — respo...

ARIELLA - História em Quadrinhos de Terror - Rogério Silvério de Farias

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  ARIELLA Rogério Silvério de Farias Imagens: RSF/Gemini.

LENORE - Poema em Prosa Clássico de Terror - Gottfried August Bürger

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LENORE Gottfried August Bürger (1747 – 1794) Extremamente popular e influente em sua época, “Lenore” é uma narrativa gótica, escrita originalmente em versos, do poeta alemão Gottfried August Bürger . O poema está na origem da célebre frase que Bram Stoker imortalizou no romance “Drácula”: “ Die Toten reiten schnell ” (Os mortos cavalgam rápido). Nesta fantasmagórica narrativa, Lenore, tendo perdido o marido na guerra, antes que se consumasse o casamento, renega o Criador. Certa noite, cavalga, em fuga, na companhia de quem supõe ser o seu esposo. Mas não galopa, como imagina, a caminho do tão sonhado leito de núpcias, senão ao encontro de um destino aterrador... “Lenore” foi, provavelmente, a primeira obra ficcional estrangeira a ser publicada no Brasil em folhetim — mas sem indicação do autor e do tradutor (edição de 26 de outubro de 1836 do periódico “O Chronista”, do Rio de Janeiro). Lenore se levanta ao raiar do dia. Está livre de seus tristes sonhos: — Wilhelm, meu marido,...

O RESSUSCITADO - Conto de Terror - Paulo Soriano

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O RESSUSCITADO Paulo Soriano Eu vi Lázaro retornar dos Vales das Sombras. Vi com os meus olhos. Sob a ordem do Rabi, remo­vemos a grande pedra, e o olor deletério, expulso do intestino da gruta, foi como um murro no estômago. Retrocedi de asco e de pavor. O Rabi dissera: “Lázaro, vem para fora.” Com os pés e as mãos atados ao sudário, o defunto saiu, desajeitado como uma enguia em terra, arrastando-se pela superfície áspera e pedregosa de seu tú­mulo. Os que se seguiram ao retorno de Lázaro fo­ram dias tensos. Ele caiu num mutismo desespera­dor. Supúnhamos que Lázaro não gostara nada da experiência da morte. Seus olhos transpiravam os horrores que se ocultavam na eternidade prome­tida. Era evidente que Lázaro não gostaria de a ela retornar. Certa feita, Lázaro desaparecera. Fora encon­trado nas cercanias da herdade, babando como um lunático e rasgando, com os dentes que ainda lhe restavam, o tenro abdome de uma gorda ratazana. Com que avidez Lázaro, meu patrão, sugava e ex­tra...