O HORLA - Conto Clássico de Terror - Guy de Maupassant
O HORLA Guy de Maupassant (1850 – 1893) Tradução de autor anônimo do séc. XX 8 de maio. — Que dia admirável! Passei toda a manhã estendido na erva em frente da minha casa, debaixo do enorme plátano que a cobre e a abriga com a sua sombra. Gosto desta terra e gosto de aqui viver, porque é aqui que tenho as minhas raízes, que ligam um homem à terra onde nasceram e morreram os seus antepassados, que o ligam ao que aí se pensa e ao que aí se come, aos usos como aos alimentos, às locuções locais, às entoações dos camponeses, aos perfumes do solo, das aldeias e do próprio ar. Gosto da casa onde nasci. Das janelas, vejo o Sena que corre, ao longo do meu jardim, por trás da estrada, quase até minha casa — o grande e largo Sena, que vai de Ruão ao Havre, coberto de barcos que passam à esquerda; ao fundo, Ruão, a grande cidade de tetos azuis, sob o conjunto dos campanários góticos. São inumeráveis, pequenos ou grandes, dominados pela flecha de ferro coado da catedral e cheios de sinos que ...