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REMORSO - Conto Clássico de Loucura e Horror - Luiz Orlowsky

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REMORSO Luiz Orlowsky [1] (Séc. XX)   Ali estava ele, gordo, pachorrento, com aquela papada presa à base dos ouvidos que nem uma rede, onde se balançava flacidamente meio quilo de banha. Tudo luzia nele. E principalmente a calvície lhe emprestava à cara uma forma monstruosamente rotunda e cheia. Mantinha-se calado, mas eu lhe ouvia a estrepitosa gargalhada, encendo a casa que nem um desabamento. Como seria bom vê-lo sempre assim, reduzido ao silêncio. Não. Seria melhor não ver jamais aqueles olhos esbugalhados se avolumarem assustadoramente quando grunhiam ferozes: —Depressa, rapaz! Avia-te com isso! Esses criados são uma súcia de ladrões! Roubando o meu dinheiro! E saía mastigando as últimas sílabas até que as portas fechassem sua avareza lá na biblioteca, onde continuava excomungando toda a classe das serventes, numa voz rouca e áspera. Quando aquela exaltação acabava por lhe dar um ataque cardíaco, meu ódio se estendia satisfeito num sofá de molas. Mas quando tudo passava sem qu...

VENDEDORES DE CADÁVERES - Narrativa Verídica de Horror - Autor romeno desconhecido do séc. XX

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VENDEDORES DE CADÁVERES Autor romeno desconhecido do séc. XX Tradução de autor anônimo do séc. XX   Em Londres, no caminho que leva a Suffolk Lane, entre as pontes de Southward e Soho, em Uper Thames Streel pode-se ainda hoje observar tuna pequena casa com uma tabuleta pregada no muro. O letreiro está quase apagado pela ação constante da ferrugem ou da chuva: “Esta casa foi construída em 1557, como posto de vigilância, com o fim de evitar as visitas dos ladrões de cadáveres ao cemitério de Al-Halowstheless”.  Uma pequena brecha no muro abrigara outrora o sino de alarme. Naquela época, os ladrões de cadáveres, apelidados “ressuscitadores”, contavam-se às centenas, nos bairros marginais de Londres. Até as mulheres se associavam sem medo a esse exercício macabro. Elas próprias despiam os cadáveres carregando-lhes as roupas e os vários objetos encontrados na cova, e os homens vendiam os corpos aos cirurgiões. Esse ofício foi praticado durante muitos e muitos anos por indivíduos da...

ENTERRADO VIVO - Narrativa Verídica Clássica de Horror - John Macintire

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ENTERRADO VIVO John Macintire (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano   (Relato completo e detalhado de John Macintire, que foi enterrado vivo em Edimburgo, no dia 15 de abril de 1824, durante um transe cataléptico, e que foi levado pelos ladrões de cadáveres e vendido aos médicos para ser dissecado, com uma narrativa completa das muitas coisas estranhas e maravilhosas que viu e sentiu enquanto estava nesse estado, conforme as suas próprias palavras.)   Eu estava doente há algum tempo, padecendo de uma febre baixa e persistente. Minhas forças foram-se esvaindo gradualmente, e o médico me disse que, para mim, não havia esperança. Um dia, ao entardecer, fui acometido por tremores estranhos, indescritíveis.  Ao redor de minha cama, vi inúmeros rostos que me eram estranhos:  eram brilhantes e etéreos, sem corpos. Havia uma solenidade luminosa, e tentei me mover, mas não consegui. Eu estava perfeitamente consciente, malgrado a capacidade de mover-me houvesse desaparecido. Al...

HORROR MARÍTIMO - Narrativa Clássica de Horror - Autor anônimo do séc. XX

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HORROR MARÍTIMO Autor anônimo do séc. XX Tradução de autor anônimo do séc. XX   Viajávamos então a bordo de um barco francês que fazia o trajeto entre o Havre e a Nova Caledônia. Até aquele dia, o diário de bordo não havia consignado acidente algum digno de menção, a não ser uma pequena avaria no leme, verificada à entrada do estreito de Málaga, em consequência de forte borrasca. Mas isso era coisa de pouca importância. No trigésimo quinto dia de viagem, um fato horrível veio perturbar a calma de bordo. Eram duas horas da tarde e o barco navegava a todo o vapor em mar tranquilo e sob lindo céu. À direita, bem ao longe, divisava-se, como uma espécie de torre florida, a ponta da península de York, que dormia no meio do glauco elemento. Os marinheiros de serviço faziam as manobras e os passageiros entretinham-se cantando, quando o vigia deu um grito: — Homem ao mar! O criado Laurent Nancy, natural de Saint-Malo, que há três anos prestava serviços a bordo, falseara o pé e havia caído a...

SÃO SILVESTRE E O DRAGÃO - Narrativa Clássica Lendária - Jacopo da Varazze

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SÃO SILVESTRE E O DRAGÃO Jacopo da Varazze (1228 – 1298)   Naquela época, havia em Roma um dragão num fosso que, todos os dias, matava com o seu bafo mais de trezentos homens. Então, os bispos dos ídolos foram até o imperador e disseram-lhe: — Ó santíssimo imperador, desde o tempo em que recebeste a fé cristã, o dragão, que está naquele fosso, mata, todos os dias, com seu bafo, mais de trezentos homens. Então, o imperador enviou um mensageiro a São Silvestre para rogar seu conselho sobre o assunto. São Silvestre respondeu que, pelo poder de Deus, prometia fazer cessar o mal e a maldição que a besta infligia ao povo. Pondo-se São Silvestre a orar, São Pedro lhe apareceu, dizendo: — Vai com certeza ao dragão, e leva os dois padres que estão contigo. Quando chegares ao dragão, diz-lhe: “Nosso Senhor Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, foi crucificado, sepultado e ressuscitou, e agora está sentado à direita do Pai, pois Ele é o que há de vir para julgar os vivos e os mortos. Eu t...

O MACHADO DE PRATA - Conto Clássico de Terror - Arthur Conan Doyle

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O MACHADO DE PRATA Arthur Conan Doyle (1859 – 1930) Tradução de autor anônimo do séc. XX   No dia 3 de dezembro de 1861, o doutor Otto von Hopstein, catedrático de Anatomia Comparada em Budapeste, e conservador do Museu Acadêmico, foi brutalmente assassinado a alguns metros da entrada do seu colégio. Afora a eminente posição da vítima, e sua popularidade entre os estudantes e entre a sociedade local, outras circunstâncias excitaram a curiosidade pública, e atraíram sobre o crime a atenção da Áustria e da Hungria. Pode-se consultar, a tal respeito, o artigo que o “Pesther Abendblatt” publicou na tarde seguinte à do homicídio, e desse jornal é que extraio as passagens que dão sucinto panorama das circunstâncias em que foi cometido o evento, bem como os fatos particulares que despistaram e intrigaram a polícia húngara “Parece — disse esse excelente jornal — que o professor Von Hopstein deixou a Universidade por volta das 4 e meia da tarde, com a intenção de assistir à chegada do trem ...