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O SENHOR DA MORTE - Conto Clássico Fantástico - Flora Annie Steel

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O SENHOR DA MORTE (Lenda indiana) Flora Annie Steel  (1847-1929) Tradução de Paulo Soriano   Há muito tempo, havia uma estrada em que todos que por ela transitavam encontravam a morte. Alguns diziam que a morte era causada por uma cobra; outros, atribuíam a fatalidade a um escorpião. Mas uma coisa era certa: todos os que percorriam aquela estrada morriam. Certa feita, um viajante — um homem muito velho — transitava pela estrada. Extenuado, sentou-se em uma pedra para descansar. De repente, bem perto de si, viu um escorpião do tamanho de um galo. Enquanto o homem o olhava, o escorpião transformou-se numa horrenda serpente.  O ancião, maravilhado, decidiu acompanhar a criatura, que se afastava, para descobrir o que ela realmente seria. A cobra rastejou dia e noite e, atrás dela, como uma sombra, seguia o velho homem. Certa vez, a serpente penetrou numa estalagem e matou vários viajantes; outra, entrou no palácio do rei e o matou. Em seguida, ele se arrastou pela tromba d&

O MAJOR E OS ESPECTROS CANTANTES - Narrativa Clássica Sobrenatural - Walter Scott

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  O MAJOR E OS ESPECTROS CANTANTES Walter Scott (1771 – 1832)   Um fidalgo, proprietário de certo palácio antigo, nos confins da Hungria, preparou uma festa digna da sua qualidade e da grandeza do antigo solar em que morava. Os hóspedes, necessariamente, foram muitos, e entre eles se achava um oficial de hussardos conhecido pela sua bravura e coragem. Tendo-se feito todos os arranjos necessários para que os convidados passassem ali a noite, disseram ao oficial que, com dificuldade, se poderia acomodar toda a gente no palácio, a não haver alguém que quisesse dormir em um quarto em que diziam haver fantasmas; e, como se sabia que ele não era medroso, lhe propuseram hospedar-se naquele quarto, enquanto se demorasse no palácio, como a pessoa que ali menos seria incomodada   O major agradeceu a preferência que dele se fazia e, tendo-se demorado até alta noite nos divertimentos da companhia, retirou-se, depois, ao seu quarto, jurando vingar-se de todo aquele que se atrevesse a in

AVENTURA INCOMPREENSÍVEL - Conto Clássico de Terror - Marquês de Sade

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  AVENTURA INCOMPREENSÍVEL Marquês de Sade (1740 — 1814) Tradução de Paulo Soriano   Um periódico de 1799 assim se referia ao Marquês de Sade: “Só o nome deste escritor infame exala um odor cadavérico, que mata a virtude e inspira o horror. É o autor de ‘Justine ou as Desgraças da Virtude’. O coração mais depravado, a mente mais degenerada, a imaginação mais estranhamente obscena não são susceptíveis de conceber algo que ofenda tanto a razão, o pudor, a humanidade.” Embora tenha-se notabilizado por contos e novelas licenciosos, o Marquês de Sade (1740 — 1814) deixou algumas narrativas fantásticas. Em “Aventura Incompreensível” (cujo título completo é “Aventura Incompreensível Atestada por toda uma Província”), história escrita em 1788 — cerca de 18 anos antes publicação da primeira parte do “Fausto”, de Goethe —, Sade explora o tema da venda da alma ao Diabo em troca de uma vida plena de riqueza (e, aqui, libertinagem), com suas terríveis (e sangrentas) consequências quando chegada a h

INFERNO - Conto Fantástico Humorísitco - Ricardo Manzanaro

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  INFERNO Ricardo Manzanaro Tradução de Paulo Soriano   Um segundo após a sua morte, Roberto levou um terrível choque ao descobrir aonde fora parar. Um calor insuportável atacou a sua fisiologia, enquanto línguas de fogo enchiam o espaço visual e gritos horríveis o sonoro. Ele estava no Inferno. Então viu vários indivíduos estranhos sobre um pedestal. Torturavam impiedosamente um outro, que se contorcia de dor e emitia gritos horripilantes. Após alguns minutos de queima, esfaqueamento e espancamento daquele pobre ser, Roberto ficou chocado ao descobrir o que se estava acontecendo. Era um grupo de seres humanos torturando um demônio. Eles tinham dominado Satanás e todos os demônios. Eram muito piores e mais sádicos do que aqueles.  

A SEGUNDA CHANCE - Narrativa Clássica Sobrenatural - Thomas Bromhall

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  A SEGUNDA CHANCE Thomas Bromhall (Séc. XVII) Tradução de Paulo Soriano   Conta-se que um cavalheiro da Baviera, da mais nobre estirpe, ficou tão aflito pela morte da esposa que, rejeitando qualquer consolo, se entregou a uma vida solitária. Por fim, enquanto se lamentava desenfreadamente, a sua esposa, ressuscitada dos mortos, apareceu-lhe à noite e disse-lhe que, de fato, havia concluído seu curso natural nesta vida, mas que, devido ao aos seus insistentes lamentos, tivera a vida restaurada. Por concessão divina, poderia novamente desfrutar do vínculo conjugal, mas sob a condi çã o de que deveriam os esposos celebrar um novo casamento, presidido por um padre. Além disso, o marido deveria abster-se de todas as injúrias e palavras blasfemas que costumeiramente empregava, pois, em verdade, esta foi a principal — ou única — causa pela qual o varão havia sido privado de sua mulher.   Todavia, acaso ele proferisse qualquer palavra dessa natureza, a esposa despedir-se-ia im

DOENTE - Conto Humorístico de Ficção Científica - Ricardo Manzanaro

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  DOENTE Ricardo Manzanaro Tradução de Paulo Soriano   Alberto achava que tinha uma nova doença para acrescentar à sua coleção: a síndrome de ansiedade depressiva. Ele estava destroçado. Seu ânimo estava na altura da Fossa das Marianas. Alberto não aguentava mais. O Destino, Deus ou algum alinhamento estelar o haviam condenado a uma vida de tortura. Ele terminaria mais cedo a contagem dos órgãos de seu corpo que ainda funcionavam adequadamente do que se o fizesse com aqueles que sofriam de alguma patologia. Sua vida era uma sucessão infinita de desconfortos. Naquele instante, estava à frente de seu médico de família, a quem tratava como se fosse um parente. O rosto e o tom de voz de Alberto são o exemplo mais diáfano de desespero e cansaço. Ele não cessava de pronunciar a frase "não aguento mais". Por isso, naquele momento, pedia ao médico visitante para ser encaminhado a um psiquiatra. Mas, quando o médico começou a falar, o conteúdo de suas palavras tomou um r

O LADRÃO SAGAZ - Narrativa Clássica Macabra - Heródoto

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O LADRÃO SAGAZ Heródoto (c. 485 a.C. – c. 425 a.C.)   Rhampsinitos, rei do Egito, acumulou uma tão grande riqueza em prata que nenhum dos reis que vieram depois puderam superar ou, mesmo, ombrear-lhe a opulência. Esse rei, desejando conservar sua riqueza em segurança, mandou construir uma câmara de pedra e uma de suas paredes projetava-se além das muralhas de seu palácio. O construtor da câmara de tesouros dispôs uma das pedras de tal maneira que poderia ser retirada facilmente da parede por dois homens ou mesmo por apenas um. Concluída a câmara, o rei nela entesourou as suas riquezas. Depois de algum tempo, o construtor, sentindo a aproximação da morte, chamou os seus filhos, que eram dois, e contou-lhes sobre a pedra, cuja disposição fora feita para beneficiá-los. Acedendo à câmara, poderiam desfrutar de amplos meios de vida. E, havendo-lhes claramente instruído sobre tudo o que dizia respeito à retirada da pedra, disse-lhe que, se atinassem àquelas instruções, teriam

O QUARTO ASSOMBRADO - Conto Clássico de Mistério - Joseph Taylor

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O QUARTO ASSOMBRADO Joseph Taylor (Séc. XIX)   Um jovem cavalheiro viajou de Londres para o Oeste da Inglaterra para visitar um mui digno gentil-homem, de quem tinha a honra de ser parente. Sucede que a casa do cavalheiro estava, naquela época, mito cheia, por conta do casamento de um parente, que ultimamente ali vivia. O senhor da casa, portanto, disse ao jovem visitante que estava muito feliz em vê-lo, e que ele era muito bem-vindo. — Mas — disse ele — não sei o que fazer para alojá-lo. Por causa do casamento de meu primo, não restou um quarto livre na casa, exceto um. O quarto remanescente é, todavia, assombrado. Mas, se você quiser deitar-se lá, encontrará uma cama muito confortável e todas as outras comodidades de que precisa. — O senhor — respondeu o jovem cavalheiro — muito me apraz deixando-me dormir em tal quarto, pois muitas vezes cobicei estar em um lugar assombrado. O cavalheiro, muito contente porque o seu parente estava deveras satisfeito com suas acomod

O CADÁVER POSSUÍDO - Narrativa Clássica de Terror - Thomas Bromhall

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  O CADÁVER POSSUÍDO Thomas Bromhall (Séc. XVII) Tradução de Paulo Soriano   No ano de 1567, em Trawtenaw, numa cidade da Boêmia, havia um certo homem que acumulou grande riqueza e ergueu edifícios famosos. Fora tão afortunado em seus empreendimentos que todos o admiravam. Por fim, adoeceu, morreu e foi enterrado com muita honra. Pouco tempo depois de sua morte e sepultamento, seu corpo (ou melhor, um demônio, que, por seu poder diabólico, carregava seu corpo por toda parte) apertou e abraçou muitos homens tão estreitamente, que muitos deles adoeceram e morreram. Todavia, alguns dos que se recuperaram confessaram, em uníssono, que haviam sido tocados e abraçados por esse homem rico, que conservava o mesmo hábito que tivera em vida. Portanto, o governador daquela comuna, para que aquele espectro pudesse ser detido e reprimido, ordenou que se lhe abrisse a sepultura e o exumasse. Embora o corpo estivesse enterrado por cerca 20 semanas, não estava corrompido; ao contrário,

O GIZ MÁGICO - Audiconto de Terror - Edu Berdague

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  O GIZ MÁGICO Audioconto de Edu Berdague   O jovem Otávio e a mãe sofrem nas mãos de um padrasto violento e, ao conversar com um estranho, o garoto recebe um objeto mágico que poderá mudar tudo. Que consequências esse objeto trará? Assista a outros vídeos do canal Sombras Noturnas clicando aqui .

O CORAÇÃO DEVORADO - Conto Clássico de Horror - Giovanni Boccaccio

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O CORAÇÃO DEVORADO Giovanni Boccaccio (1313 – 1375) Tradução de Paulo Soriano     Havia na Provença, há muito tempo, dois nobres cavaleiros, cada um dos quais senhor de castelo e vassalos. Um se chamava Messer Guiglielmo de Rossiglione e o outro Messer Guiglielmo Guardastagno. E porque eram assaz destros com as armas, muito queriam um ao outro e tinham o costume de ir sempre juntos aos torneios, às justas ou a outros feitos d’armas, sob o mesmo estandarte. E, malgrado cada um vivesse em seu próprio castelo, que distava do outro mais de dez milhas, sucedeu que, tendo Messer Guiglielmo de Rossiglione por mulher uma dama belíssima e atraente, Messer Guiglielmo Guardastagno, apesar do companheirismo e da amizade que havia entre eles, apaixonou-se pela esposa do amigo. E, assim, com um ou outro gesto significativo, fez com que a dama percebesse o que por ela sentia. Ela, ciente que ele era um cavaleiro muito corajoso, aprouve-se daquilo, e dele enamorou-se a tal ponto que não