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O ESPELHO DE PRATA - Conto Clássico Sobrenatural - Arthur Conan Doyle

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O ESPELHO DE PRATA Arthur Conan Doyle (1859 – 1930) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Janeiro, 3. — Este exame de contas de White & Wotherspoon promete-me um labor formidável. Vinte enormes registros a detalhar e a necessidade absoluta de entregar minhas conclusões até 20 do corrente, para que os juízes possam estudá-las antes do processo. Divido meu dia de trabalho em duas partes: uma, das 10 da manhã às 5 da tarde e, a segunda, de 8 da noite a 1 hora da madrugada e, assim, concluirei em tempo, se o esforço não exceder do que se pode esperar do cérebro e dos nervos de um homem.  Janeiro, 6. — Os médicos são sempre os mesmos: prescrevem o repouso, justamente quando nos achamos de tal maneira ocupados que nos é impossível dispor sequer de um minuto. Necessito entregar meu trabalho na data fixada ou perderei a única oportunidade de minha carreira. Repousar-me? Tolice! Oferecer-me-ei uma semana de férias quando terminar o processo.  Sem dúvida, fui um tolo em cons...

O ESPÍRITO MAU - Conto Clássico de Mistério - Edward Kennedy

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O ESPÍRITO MAU Edward Kennedy (Sec. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Antes de começar a minha narrativa, recordemos as célebres palavras de Pasteur: “Nós outros, pacientes perscrutadores da natureza, enriquecidos pelas descobertas dos nossos predecessores, munidos dos instrumentos mais delicados, armados dos severos métodos experimentais, tropeçamos a cada passo nas investigações à procura da verdade e percebemos que o mundo material, nas suas mínimas manifestações, é quase sempre outro e não esse que percebemos.” Incumbam-se outros de discutir, comentar contraditar ou repelir as ideias do grande homem. Eu prefiro narrar um fato. Convém advertir, desde já, que estou longe de ser o que abi chamam de “carola”. Antes, pelo contrário, sou o mais cético e irônico entre os “São-Tomés” que abundam atualmente nesse nosso mundozinho cada vez menos crendeiro. A explicação disso é, aliás, facílima: sou descendente de uma família de mágicos e prestigiadores célebres que, durante suce...

JULIANA ÁLVARES - Conto Clássico de Horror - Autor anônimo do séc. XIX

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JULIANA ÁLVARES Autor anônimo do séc. XIX   Alguns anos faz que fui convidado por um amigo a passar uns dias fora da cidade: aproveitei alguns dias santos, e fui. No primeiro dia de guarda que tivemos, depois de tomar, logo ao nascer do sol, a mais bela e aromática xícara de café que jamais foi feita por mãos de anéis, depois de ir admirar uma linda queda d'água, que ficava a algumas braças distante da casa, depois de dar algumas voltas no mais frondoso e florido laranjal, depois, enfim, de muito vaguear, muito cismar o muito papaguear, almoçamos um desses almoços que não conhecem os nossos gastrônomos da cidade, costumados a pratinhos e guisadinhos, mas que conhecem os nossos abastados fazendeiros: almoço que bastara para o jantar de um regular convento de frades. Estavam os cavalos prontos, de modo que, acabado o almoço, cavalgamos, e lá fomos diretos à freguesia para ouvir missa. Na sacristia, encontramos o vigário, homem de cinquenta anos, com uma destas fisionomias austeras, q...

O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO - Narrativa Clássica de Terror - Xavier Marmier

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O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO Xavier Marmier (1808 – 1892) Tradução de Paulo Soriano   Uma pequena cidade nas montanhas do Franco-Condado testemunhou, em várias ocasiões, uma aparição maravilhosa. A um quarto de léguas do rio Maiche, no topo de uma colina, avistam-se as ruínas de um castelo circundado por matagais e abetos. Ali viveu, outrora, um senhor avarento, cujo coração estava fechado a qualquer senso de justiça: para saciar a sua sórdida paixão, constantemente submetia os seus vassalos a novas exações e assenhorava-se dos bens dos seus vizinhos.  Ele está sepultado em meio aos seus tesouros, mas ali não encontra repouso. Desejaria trocar o seu esplêndido sepulcro pela sepultura de terra fresca onde qualquer camponês dorme com tanta tranquilidade; mas está condenado a permanecer onde viveu, e passar a noite gemendo, a chafurdar no seu tesouro. No entanto, Deus, comovido com os seus sofrimentos e com as orações que os seus descendentes lhe ofertaram, restaurou a esperança...

A ÚLTIMA NOITE DA CIGARRA - Conto de Horror - Marcelo Reis

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A ÚLTIMA NOITE DA CIGARRA Marcelo Reis   Num quarto qualquer, Rogério, que é um exímio vendedor de armários planejados, acorda e examina aquelas paredes não tão familiares. É sabido de muitos leitores que algumas casas são asilos invioláveis a ruídos de socorro. Uma cigarra na janela parece confrontar-lhe. O silêncio é destruído pelas suas asas, as luzes são acesas nos quartos alheios. Um coração acelera e consegue perceber o lençol ritmar ao escutar tamanha sonoridade. O vento parece responder ao clamor advindo daquela pequena força e intercala com assobios que ecoam até o submundo. Ouve passos pesados sobre um piso velho e escandaloso. E com uma rápida intuição, esconde-se no guarda-roupa que pertenceu a uma linda garota chamada Cecília que morreu há muito tempo. O seu nariz começa a coçar em um espaço que não caberia um cão de médio porte, no entanto, espreme-se em uma luta enfadonha com uma imensidão de roupas. Conjura neste espaço as mais horríveis maldições. A sua cabeça está...

LANÇAMENTO DE FREE BOOKS EDITORA VIRTUAL – O LIVRO DAS MUSAS SOMBRIAS, de Edgar Allan Poe

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O LIVRO DAS MUSAS SOMBRIAS Lenore - Berenenice - Morella - Leonor Edgar Allan Pöe Ligeia, Berenice, Morella, Leonor... Quatro musas sombrias, plasmadas pela mente maravilhosa do grande escritor Edgar Allan Pöe, dão vida — será mesmo vida ? — a esta breve e fascinante coletânea de horror gótico.  Título: O Livro das Musas Sombrias Autor: Edgar Allan Pöe Tradução: Paulo Soriano, Silveira de Souza e outros. Ilustração da Capa e do Miolo : Harry Clark (1889 – 1931) Editora: Free Books Editora Virtual. Ano de Publicação: 2026. Local de Publicação: Salvador/BA. Para baixar gratuitamente o seu exemplar, clique aqui .

O FANTASMA DO CASTELO - Conto Clássico de Mistério - Ed Kennedy

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O FANTASMA DO CASTELO Ed Kenedy (Séc. XX)   A sala de espera estava vazia. Minto! Vazia, não. Existia, na ponta de um banco ao meu lado, um sujeito macambúzio e malvestido. Barbas de três dias espessando-se-lhe pelo rosto já cheio de vincos. Chapéu amarrotado, olhar fugitivo. Uma dessas criaturas que nos sugerem logo reflexões amargas. Parecia ter vindo de alguma caverna misteriosa. De vez em quando, ouvia-se o barulho de um carrinho de mão, de uma carroça preguiçosa: “truco… truco… truco!… — Já não há mais trens hoje! — falou afinal o homem. — O 6,17 já partiu… — Já o percebi — respondi.  — Isso aqui está com ares de cemitério. Que ambiente! — Hum…  O senhor está falando em cemitério! — exclamou o homem sujo. Fez uma pausa, encarando-me. — Já viu algum fantasma? — Eu?! Fantasmas?! Nunca. O senhor já? — Eu sou um fantasma. — Como?! — Para falar a verdade, não sou, mas fui. — Foi? Conte lá essa coisa. O homem tornou-se silencioso um instante, provavelmente meditando sobre ...