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RUMOR DE ASAS - Conto Clássico de Terror - John Brandon

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RUMOR DE ASAS John Brandon (Séc. XX) Tradução e autor anônimo do séc. XX   Durante longos anos de peregrinações pelo mundo, na minha qualidade de agente de uma grande companhia oriental, eu tinha travado relações com muitos indivíduos pitorescos, especialmente no Arquipélago Malaio, e tinha feito algumas amizades. Mas Alfred Conquest ocupava o primeiro lugar, incontestavelmente, entre os meus afetos. Marinheiro experimentado, de espírito generoso e cordial, era um desses amigos dignos de absoluta confiança, que se encontram tão raras vezes na vida, e eu estimava-o tanto como ele a mim. Ninguém, nem eu mesmo, conhecia o seu passado. Sabia-se, em compensação, que a sua situação era muito boa sob o ponto de vista pecuniário, e que era dono da “Loreley”, uma esplêndida goleta [1] . Eu não o tinha visto há alguns meses. É de supor, por isso mesmo, a minha alegria quando, uma tarde de verão, cheguei a Surabay e vi a “Loreley” ancorada no porto, e depois encontrei Conquest, de impecável p...

AS ÚLTIMAS SENSAÇÕES DE UM GUILHOTINADO E AS PRIMEIRAS DE UM MORTO - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Autor anônimo do séc. XX

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AS ÚLTIMAS SENSAÇÕES DE UM GUILHOTINADO E AS PRIMEIRAS DE UM MORTO Autor anônimo do séc. XX   Este título sinistro, que bem ficaria na capa de um romance policial de pura imaginação é, entretanto, a rigorosa epígrafe que, com justiça, cabe à macabra experiência feita há alguns anos, mas só há pouco divulgada, porque só há pouco foi comunicada às sociedades chamadas “sábias” da Europa. Wiertz [1] , célebre pintor belga, amador do ocultismo, foi sempre, como muitos outros, atormentado pelo desejo de saber o que pode pensar um guilhotinado no momento em que o cutelo fatal lhe corta o pescoço e, se possível, depois de tal momento. Esse artista, de nome universal e honrosamente conhecido, foi o herói da experiência aludida. De um certo modo, ele submeteu-se em pessoa à ação do horrível aparelho de morte que tornou famoso, aliás erroneamente, o Dr. Guillotin, dado como seu inventor.   MACABRA IDEIA   Wiertz era intimamente ligado com um médico da prisão de Bruxelas. Um outro mé...

A TESTEMUNHA INVOLUNTÁRIA - Conto Clássico Cruel - Lucien Descaves

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A TESTEMUNHA INVOLUNTÁRIA Lucien Descaves (1861 – 1949) Tradução de autor anônimo do séc. XX   O expresso, que parte da estação de Lião às nove e um quarto, levava, naquela tarde, pouca gente. Regressava-se de Nice muito mais do que se ia. Não havia a costumada animação na plataforma, ao longo dos vagões-leitos, vastos apartamentos ambulantes que esperavam o seu locatário de uma noite. Alguns homens acabavam um charuto; três ou quatro famílias estrangeiras, já senhoras do seu quarto, instalavam-se comodamente, soberanamente; carregadores, com bagagens nas mãos ou sobre os ombros, precediam o viajante que quer reservar-se um cantinho; um empregado oferecia cobertores e travesseiros empilhados sobre um carrinho de mão; uma vendedora de jornais, sem os ter mais, lá estava por simples hábito. Não havia, à roda dos que partiam, o grupo de parentes e amigos, que se observa à saída dos expressos, em certas épocas do ano. Uma velhota, entretanto, corpulenta e sufocada pelo enfisema, adiant...

O MALABARISTA DE NOSSA SENHORA - Conto Clássico Fantástico - Anatole France

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O MALABARISTA DE NOSSA SENHORA Anatole France Tradução de autor anônimo do séc. XX   No tempo do rei Luís, havia em França um pobre malabarista, nascido em Compiègne, chamado Barnabé, que andava de cidade em cidade fazendo sortes de prestidigitação e jogos de mão. Nos dias de feira, ele estendia na praça pública um tapete muito velho, todo gasto, e, depois de ter atraído as crianças e os vagabundos com os ditos chistosos que aprendera de um muito antigo saltimbanco e aos quais não mudava uma palavra, tomava atitudes que não eram nada naturais e equilibrava um prato de estanho sobre a ponta do nariz. O povo olhava a princípio com indiferença. Mas quando, segurando-se com as mãos, a cabeça para baixo, ele lançava ao ar e apanhava com os pés seis bolas de cobre que brilhavam ao sol, ou quando, arqueando o corpo, se virava na forma de uma roda perfeita e nessa atitude jogava com doze facas ao mesmo tempo, um sussurro de admiração se elevava na assistência e as moedas choviam sobre o ta...