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O FANTASMA DO CASTELO - Conto Clássico de Mistério - Ed Kennedy

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O FANTASMA DO CASTELO Ed Kenedy (Séc. XX)   A sala de espera estava vazia. Minto! Vazia, não. Existia, na ponta de um banco ao meu lado, um sujeito macambúzio e malvestido. Barbas de três dias espessando-se-lhe pelo rosto já cheio de vincos. Chapéu amarrotado, olhar fugitivo. Uma dessas criaturas que nos sugerem logo reflexões amargas. Parecia ter vindo de alguma caverna misteriosa. De vez em quando, ouvia-se o barulho de um carrinho de mão, de uma carroça preguiçosa: “truco… truco… truco!… — Já não há mais trens hoje! — falou afinal o homem. — O 6,17 já partiu… — Já o percebi — respondi.  — Isso aqui está com ares de cemitério. Que ambiente! — Hum…  O senhor está falando em cemitério! — exclamou o homem sujo. Fez uma pausa, encarando-me. — Já viu algum fantasma? — Eu?! Fantasmas?! Nunca. O senhor já? — Eu sou um fantasma. — Como?! — Para falar a verdade, não sou, mas fui. — Foi? Conte lá essa coisa. O homem tornou-se silencioso um instante, provavelmente meditando sobre ...

ELIAS - Conto Clássico de Horror - Alphonsus de Guimaraens

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ELIAS Alphonsus de Guimaraens (1870 – 1921)   “…mal inexorable dont un Dieu seul pouvait ressusciter, jadis, les Jobs de la legende.” [1]   Comte de Viliers de L'Isle-Adam     Debaixo da lapa esconsa, ermida que escolhera para abrigar a sua irreparável desventura, o lázaro abjeto ergue para o teto esfumado os olhos vermelhos, onde a sombra dos cílios desapareceu para sempre, deixando expostas aos raios de luz impiedosos as míseras pupilas desertas, que nunca refletiram na vida uma imagem de amor. É um crepúsculo triste como a agonia das almas; por sobre a terra, em tons magoados de folhas outonais, espraia-se o olhar incoercível do sol que morre, em dobras infindas de vestes mortuárias. Do túmulo que se abre por detrás do monte em resplendor, surgem silenciosamente, em um voo de clarões vesperais, bandos de anjos fulvos, agitando mortalhas luminosas. Dentro de aquele corpo em chagas, que não tem mais a epiderme macia de que se recorda o miserável, evocando o tempo e...

A PELE DO DEMÔNIO - Conto Clássico de Terror - Pu Songling

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A PELE DO DEMÔNIO Pu Songling  (1640-1715)     Em Taiyuan vivia um homem chamado Wang. Numa certa manhã, estava ele a passear, quando avistou uma jovem que carregava um fardo, procurando avançar rapidamente. Mas, como ela tropeçava, Wang acelerou o passo e a alcançou. Viu que era uma moça de uns dezesseis anos. Compadecido, perguntou-lhe aonde ia assim, tão cedo e sozinha. — Um desconhecido como o senhor — respondeu a garota —, não pode mitigar a minha aflição. Por que se dá ao trabalho de perguntar-me? — Conta-me o teu problema — disse Wang. — Crê que farei por ti tudo o que puder. — Meus pais — disse ela — amavam o dinheiro. Assim, venderam-me como concubina a uma rica família, cuja esposa é muito ciumenta, a ponto de bater em mim e maltratar-me dia e noite. Como não mais podia suportar tal aflição, fugi. Wang perguntou à mocinha para onde ia, ao que ela respondeu que uma fugitiva não tinha domicílio fixo. — A minha casa — disse Wang — não fica muito longe. Queres vir c...

RIP - Conto Clássico Fantástico - Manuel Gutiérrez Nájera

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RIP Manuel Gutiérrez Nájera (1859 – 1895) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Isto que vou contar não o vi: creio que o sonhei. De quem é a lenda de Rip? Sei que Washington Irving a recolheu, para lhe dar forma literária e incluí-la num dos seus livros. E há uma opereta sobre o mesmo assunto e justamente com esse título: Rip. Não li o conto do romancista e historiador norte-americano nem assisti à ópera. Conheci, porém, o próprio Rip. Se não constituísse ousadia tal hipótese, aventaria que Rip teve por pai o monge Alfeu. Era este um frade alemão, pesado, fleumático e, presumo, um tanto surdo. Passou cem anos ouvindo cantar um pássaro e sem dar por isso. Rip era mais ianque, menos amante de música e mais apreciador de uísque; dormiu, sem dar fé, muitos anos seguidos. Rip, o que eu conheci, adormeceu, não sei por quê, numa caverna onde entrara — quem sabe lá por quê? —, mas dormiu muito menos tempo que o Rip da lenda. Teria dormido dez anos, talvez cinco ou um apenas. Enfim, o son...