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O LOBISOMEM - Conto Clássico de Terror - Eugene Field

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O LOBISOMEM Eugene Field (1850 – 1895) Tradução de Paulo Soriano   No reinado de Egberto, o saxão, vivia na Bretanha uma donzela chamada Yseult, que era amada por todos, tanto por sua bondade quanto por sua beleza. Mas, embora muitos jovens viessem cortejá-la, ela amava somente Harold, e a ele lançou o seu troféu. Entre os outros jovens que a amavam estava Alfred. Estava furioso porque Yseult preferira Harold, de modo que, um dia, Alfred disse a Harold: — Seria justo que o velho Siegfried saísse de seu túmulo e tomasse Yseult por esposa?  Em seguida, acrescentou: — Por favor, bom cavalheiro, por que fica tão pálido quando eu toco no nome do seu avô? Então Harold perguntou: — O que você sabe de Siegfried, para me insultar? O que, em sua memória, deveria afetar-me agora? — Ora, nós bem o sabemos — retrucou Alfred.  — Há algumas histórias contadas por nossas avós das quais não nos esquecemos. Então, desde então, as palavras e o sorriso amargo de Alfred perseguira

OS ESPÍRITOS CANIBAIS - Conto Clássico de Terror - James Mooney

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OS ESPÍRITOS CANIBAIS (Lenda Cheroqui) James Mooney (1861 – 1921) Tradução de Paulo Soriano   Além dos amigáveis Nûñnĕ′hĭ — Espíritos Imortais — dos riachos e montanhas, existe uma raça de espíritos canibais, que fica no fundo dos rios profundos e vive de carne humana, especialmente de crianças pequenas. Eles saem logo após o amanhecer e andam, sem serem vistos, de casa em casa, até encontrar alguém que ainda esteja dormindo. Então, atiram as suas flechas invisíveis e carregam o cadáver para baixo da água, onde, em festa, celebram a captura.  Para que ninguém soubesse o que acontecera, os espíritos deixavam no lugar do corpo uma sombra ou imagem da pessoa ou criança morta, que acordava, falava e andava como se fosse a pessoa original. Mas não havia vida naquela cópia, e em sete dias ela definhava e fenecia, e as pessoas a enterravam pensando que estavam sepultando o companheiro morto. Muito tempo se passou até que as pessoas descobrissem o que realmente se passava. Fo

OS DENTES DO DEMÔNIO - Conto de Terror - Flávio de Souza

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  OS DENTES DO DEMÔNIO Flávio de Souza   I  No início sentiu-se uma brisa extremamente quente, um tórrido sopro, uma manifestação inexplicável que contrastava com o abraço gélido oferecido pela noite típica de inverno.  Parecia que algumas partículas em suspensão no ar atraíam-se mutuamente. Havia uma espécie de choque. Ouvia-se um suave tilintar. Logo, formou-se um círculo espiralado, um movimento incomum que culminou com o surgimento de um vórtice iluminado. Mas não era uma iluminação viva, na verdade era como se o deslocamento de ar sugasse a pouca luminosidade do local e a devolvesse como as sobras de um consumo ávido.  Suavemente, o deslocamento do ar quente pareceu retroceder. Então, uma massa disforme começou a tomar corpo, em substituição ao redemoinho que ali estivera. O ruído, semelhante ao som produzido por taças de cristal durante um brinde, deu lugar a um estampido ritmado, algo parecido com a mescla de um zumbido de abelha com o bater de asas de um pássaro de

A FONTE DA JUVENTUDE - Conto Clássico Fantástico - Anônimo Japonês

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  A FONTE DA JUVENTUDE Autor anônimo japonês   Era uma vez um velho carvoeiro que vivia com a sua esposa, também muito idosa. O nome do ancião era Yoshiba; o nome da sua mulher, Fumi. Ambos viviam na ilha sagrada de Mija Jivora, onde a ninguém é dado o direito de morrer. Quando uma pessoa adoece, enviam-na para a ilha vizinha, e, se por acaso alguém morre de repente, enviam apressadamente o corpo para a outra costa. A ilha, a menor do Japão, é também a mais bela. Está coberta de pinheiros e salgueiros, e no centro ergue-se um belo e solene templo, cujo portal parece penetrar o mar. O mar é mais azul e mais transparente do que se pode imaginar, enquanto o ar é límpido e diáfano. Os dois anciãos eram queridos por toda a aldeia, que os admirava por duas virtudes: a sua resignação e persistência em aceitar e superar os altos e baixos da vida, e o mútuo amor que professavam há mais cinquenta anos. Aquele casamento, como tantos outros no Japão, havia sido arranjado pelos seus pai

SOBRENATURAL - Conto de Terror e Mistério - Otrebor Ozodrac

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  SOBRENATURAL Otrebor Ozodrac   Ao recobrar os sentidos, olhou para o teto, depois para as paredes. Concluiu que estava em um hospital. Os aparelhos que monitoravam seus sinais vitais denunciavam que se encontrava em um CTI. De repente, tudo lhe vem à mente, o caminhão que surgira na curva, a tentativa de desviar o carro e, finalmente, a batida inevitável. A cortina se abriu, viu o vulto de uma enfermeira que entrava no cubículo onde se encontrava, ela se aproximou do leito e segurou a sua mão, começando a acariciá-la. Ele nunca tinha visto uma mulher tão linda, e que lhe causasse tanta admiração e ternura. Sua pele angelical mais parecia uma seda, seus olhos pareciam duas esmeraldas. À noite, acordou, e lá estava ela parada ao lado da cama. Tentou falar, mas a voz não saía, pois permanecia mais inconsciente do que consciente. Assim ocorreu por diversas vezes. Sempre que acordava, lá estava ela à beira da cama, passando a mão sobre a sua testa, ou segurando a sua mão.