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A CAVERNA DO HORROR - Conto Clássico de Horror - Arthur Conan Doyle

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A CAVERNA DO HORROR Arthur Conan Doyle (1859 – 1930) Tradução de autor anônimo do séc. XX   A narrativa seguinte foi encontrada entre os papéis do Dr. James Hardcastle, que morreu tuberculoso em 4 de fevereiro de 1908, na casa nº 36 de Upper Coventry Flats, em South Kensington. Aqueles que o conheceram de perto, embora se recusem a exprimir uma opinião sobre a sua singularidade, são unânimes em afirmar que ele era homem de talento sóbrio e científico, absolutamente incapaz de mistificações e insuspeitável de inventar tamanha série de acontecimentos anormais. O documento estava contido em um envelope rotulado: “Um breve relato das circunstâncias verificadas perto da fazenda das senhoritas Allerton, na região noroeste do condado de Derby, na Primavera do ano passado”. O invólucro estava selado e, no seu verso, lia-se, escrito a lápis: “Caro Seaton. Talvez te interesse, como pode também causar-te pena, saberes que a incredulidade, com a qual acolheste a minha história, impediu-me até ...

OSSO ASSASSINO - Conto Clássico Macabro e Humorístico - João Bastos

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OSSO ASSASSINO João Bastos (Séc. XX)   Chico Carreira era como o rapazio chamava o filho do carapina Salustiano dos Reis, procurando fazer justiça ao mérito do moço cigarreiro, que outro não era senão, reconhecendo a utilidade das pernas, saber movimenta-las, com pasmosa rapidez, nos momentos oportunos. Nos frequentes “charivaris” provocados, nas noites de alegria pelos olhos feiticeiros de uma cabocla qualquer, bonitona e faceira, Chico jamais se deixara reconhecer senão pela agilidade dos calcanhares rachados e cinzentos. Era, assim, rapaz de juízo, amando mais o pelo do que o nome deixado pelo honrado Salustiano, de quem todos diziam em vida nunca haver corrido a não ser atrás da ardilosa fortuna. Mercê das gambias finas e velozes, Chico Carreira nunca apanhara na própria, nem dera na cara de ninguém. Seria um poltrão só por isso? Talvez. O seu argumento encerrava, porém, certa dose de razão. “A cara dum home — dizia de cenho carregado — não é tuaia d'inxugá mão. Quem dé na cara...

A MULHER GAIVOTA - Conto Clássico Fantástico - Lafcadio Hearn

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A MULHER GAIVOTA (Conto Esquimó) Lafcadio Hearn (1850 – 1904) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Naquelas paragens, a lua envelhece muitas vezes e outras tantas se renova, como um ente que morresse continuamente e por um sortilégio continuamente ressuscitasse. Enquanto isso, o sol gira num círculo de nuvens pálidas e nunca se deita. Enfim, quando desaparece no horizonte, ainda é dia, porque os mortos acendem fogueiras rubras no céu, acima dos bancos de gelo, esperando que de novo se levante após longos e sombrios meses.   Naquelas paragens, tudo, menos o mar, que é negro, e os nevoeiros, que são lívidos. Contudo, é difícil determinar onde termina a água e começa a terra, porque os deuses se esqueceram de acabar aquela parte do mundo. Os picos das geleiras aumentam e diminuem, mudam seu alinhamento do norte para o sul e, grotescamente, transformam seu aspecto. Há, no gelo, figuras que se alongam, ou alargam, e formas que parecem de criaturas desaparecidas. Quando a lua é ch...

A LEBRE - Conto Clássico Cruel - Octave Mirbeau

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A LEBRE Octave Mirbeau (1848 – 1917) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Com as suas ferramentas sobre o ombro, Jean voltava do campo onde, o dia inteiro, trabalhara com afinco. Entrou triunfalmente no pátio da fazenda, tendo entre as mãos alguma coisa que esperneava. A noite ia caindo e não se distinguia nitidamente os objetos. — Que tens aí? — perguntou-lhe o dono da fazenda, que lavava as mãos na bica.  — É uma pequena lebre que apanhei na cerca do Clos-Serbier — respondeu Jean.  — Este Jean! — replicou o patrão. — E que queres fazer dessa lebre? Não vês como é pequena!... —Ora esta! Quero criá-la. E indagou:  — O senhor dá-me licença de pôr a minha lebre no viveiro ao lado dos coelhos e tirar uma gota de leite, de manhã, para ela beber?... — Isto é com minha mulher... — Oh, a patroa com certeza deixará! Pierre, sob o telheiro, desatrelava os cavalos. Resmungou baixinho: — É assim mesmo! Ele traria para a fazenda um lobisomem, que haviam de agradecer a essa pes...