DESTINO - Conto Clássico de Terror - Ítala Gomes Vaz de Carvalho
DESTINO (Conto de Natal) Ítala Gomes Vaz de Carvalho (1892 – 1948) Certamente aquela mulher já devia estar andando há bastante tempo alguns passos na frente de Maurício, ao longo dos passeios dos bulevares. O barulho da feira era ensurdecedor naquela noite de véspera de Natal. Havia “menèges” imensos e toda espécie e todo o feitio: cavalinhos e porcos cor-de-rosa andando à roda, carrinhos enfeitados de estilo Luís XV, onde se podiam sentar comodamente quatro pessoas, gôndolas venezianas e outras fantasias para seduzir o transeunte a tomar lugar num daqueles instrumentos de tortura para quem fica tonto andando à roda. Toda a calçada do bulevar estava tomada pelas barraquinhas do tiro ao alvo, os circos, as coleções de feras engaioladas, os fenômenos monstruosos, as casinholas dos faquires e a mulher que diz a boa sorte! Os cafés ao longo dos passeios regurgitavam de clientes. Música, “jazz”, luzes e cantores por toda parte. Os vendedores de amêndoas torradas e de castanhas assadas...