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O FANTASMA DE JERRY BUNDLER - Conto Clássico de Mistério - W. W. Jacobs

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O FANTASMA DE JERRY BUNDLER W. W. Jacobs (1863 – 1943) Tradução de autor anônimo do séc. XX A grande aldeia de Torchester começara os importantes preparativos da festa de seu padroeiro, para a qual faltavam poucos dias; mas, àquela hora, as ruas estavam escuras e quase desertas, e as últimas lojas se apressavam a fechar suas portas. Na confortável sala do velho café do hotel da Cabeça de Javali, meia dúzia de fregueses, quase todos caixeiros viajantes, tendo já abordado vários assuntos, acabara por falar sobre fantasmas, e cada qual tinha uma história a contar sobre esse assunto, histórias tão tétricas que George, o garçom, ao ouvi-las, tremia e mal tinha força para enxugar o suor que lhe corria pela fronte. E acabou por sair da sala, com passo titubeante. — Ora, adeus! — disse, de súbito, um dos circunstantes, um velho de pequena estatura. — Vocês estão aí contando histórias por certo fantasiosas e ignoram talvez que também nesta casa tem aparecido um fantasma. — Como? Eu moro...

O DETALHE ESQUECIDO - Conto Clássico Cruel - Ch. R. Alford

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O DETALHE ESQUECIDO Ch. R. Alford (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX A respiração de Mrs . Darlington ressoava, na quietude do aposento, áspera e ritmada, denunciando uma senhora idosa e um sono profundo. No quarto próximo, Mabel Campion, sua criada havia já dez anos, ouvia esse resfolegar enérgico e esperava com paciência verdadeiramente estoica. A lua, entrando pela primeira janela, projetava um paralelogramo de luz, que se adiantava devagar, tornando visíveis, pouco a pouco, o mosaico do soalho, os móveis… Ei-lo sobre a mesa de toalete, revelando a confusão deixada pelo saque. As gavetas abertas e seu conteúdo revolvido, em desordem. Sobre o mármore da superfície, espalhadas ao acaso, escovas, pinças, grampos, uma trousse 1 aberta, o pó de arroz entornado; e, no meio acesse caos, a caixinha de joias, vazia. O leito se mantém em penumbra, mas pode-se distinguir, sobre o travesseiro enorme, a cabeça de Mrs. Darlington. Os cabelos brancos encobrem metade do rosto....

ESPÍRITO DAS ÁGUAS - Conto de Terror - Danilo Seraphim

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ESPÍRITO DAS ÁGUAS Danilo Seraphim Embora eu tivesse apenas doze anos de idade naquela época, eu já gostava dos livros e frequentava a biblioteca da cidade. Bom, na verdade, nessa época, não existia propriamente uma biblioteca pública na Província de Cárpoles, ao norte do Paraná, onde eu morava. Então, as pessoas que gostavam de livros, iam até a pequena biblioteca da escola pública do ginásio (era assim que chamávamos à época) e ali saciavam sua sede de leitura, embora fosse um acervo modesto, e como eu era aluno, não tinha problema algum em me debruçar por horas nos exemplares que eram do meu interesse. Em cada página, uma viagem e tanto. Mas fora em um livro antigo, que se encontrava caído, atrás da porta da pequena sala, com capa rasgada, dourada, feita à mão e que me parecia de couro, que achei uns manuscritos amarelados e com alguns furos e manchas em todas as folhas e que iriam me surpreender e me deixar aturdido pelo resto dos meus dias. O interior do livro trazia uma...