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O CIRURGIÃO LOUCO - Conto Clássico de Suspense - Edward Kenedy

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O CIRURGIÃO LOUCO Edward Kenedy (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Era muito natural que, sendo um comerciante riquíssimo e possuidor de bela propriedade em Fontainebleau, o Sr. Gustave Laulan gostasse de, no verão, nas tardes de sábado, para lá se dirigir com a esposa. Depois da trabalheira da semana, um pouco de repouso para o espirito! E lá se ia o casal num esplêndido automóvel que devorava a distância em menos de uma hora. A formosa mulher, sentada ao seu lado, sempre atemorizada com a rapidez do automóvel, advertiu ao marido:  — Mais devagar, homem! Isso um dia vai dar num acidente.  —Não temas, querida. O meu carro é excelente e, na verdade, só dou rapidez quando vejo uma linha reta e posso avistar muito longe... — Isso não importa. Suponhamos que se rompa um pneu. Tu não poderás governar a direção e daí... Sofrerás um grande susto. —  Está bem. Mas devias depositar mais um pouco de confiança no teu marido. Gustave Laulan ...

A ALMA PENADA DO BARÃO - Conto Clássico Sobrenatual - Viriato Padilha

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A ALMA PENADA DO BARÃO Viriato Padilha (1866 – 1924)   O barão do Arrenegado era um importante fazendeiro de Serra Acima, muito conhecido da praça do Rio de Janeiro, com a qual entretinha assíduas relações comerciais. A história que passamos a contar, e na qual o opulento e aristocrático barão do Arrenegado figura como principal personagem, fixa-se cronologicamente no tempo de Pedro I e pouco antes da expulsão desse Bragança do Brasil. É sabido de todos que conhecem um pouco a história pátria que o filho de Dom João VI, depois da dissolução da Constituinte, começou a temer seriamente o partido nacional, do qual eram principais chefes os ilustres Andradas, com os quais se havia incompatibilizado. Por isso cogitou da formação de um partido brasileiro para se opor àquele, e, no propósito de adquirir afeiçoados, distribuiu profusamente títulos e mercês honoríficas, fato esse que, segundo dizia o Tiphis Pernambucano , célebre jornal do mártir frei Caneca, era um ultraje irrogado pelo t...

A LENDA DO JUDEU ENGANADO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Jacopo da Varazze

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A LENDA DO JUDEU ENGANADO Jacopo da Varazze (1228 – 1298)   Um homem pediu emprestado a um judeu uma certa soma em dinheiro e, sem dispor de outra garantia, jurou sobre o altar de São Nicolau que a faria render e pagaria a dívida assim que pudesse.  Mas o homem reteve o dinheiro por tanto tempo que o judeu achou por bem reclamá-lo de volta. O homem, contudo, alegou que já pagara o empréstimo. Então o judeu levou o homem a juízo, exigindo que jurasse haver devolvido o dinheiro que tomara emprestado. O devedor apareceu ao julgamento apoiado numa bengala. Esta era oca em seu interior e era ali que o homem escondia as suas moedas de ouro. Quando foi prestar o juramento, o devedor entregou a bengala ao judeu, para que a segurasse, enquanto fazia a declaração solene. Então, jurou que lhe havia restituído mais do que devia. Terminado o juramento, exigiu que o judeu lhe devolvesse a bengala. O credor, sem desconfiar da malícia, a entregou de volta. Então o ludibriador foi embora. No c...

SACRÍLEGO - Conto Clássico Macabro - Carlos Nobre

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SACRÍLEGO Carlos Nobre (Sécs. XIX e XX)   Silêncio de túmulo. Ao virações da noite, surdas, monótonas, lúgubres, agitam as folhas negras dos arbustos tristonhos. Nem uma estrela no céu, nem um gemido na terra; apenas vago rumor ao longe indica que ao lado da vida repousa o luto da morte. Estende-se uma rua e nesta rua negreja o vulto pavoroso de uma igreja deserta, revestida de um sudário de crepe, fantástico, medonho, absurdo, como as visões noturnas do um pesadelo.  Silencio de túmulo. Para a porta do templo abandonado caminha uma mancha escura, que se move trêmula como as asas dum corvo que, solitário, pousa as bordas de uma tumba. E aquela sombra — densa, terrível, pavorosa — subia na parede lisa como um lagarto enorme. Aproximou-se da janela do templo. Era uma imagem horrível, um sacerdote negro, de fronte curvada, que trazia um círio na mão direita. Seus olhos vivos, encandeados, cintilavam como fogos fátuos sob as pálpebras frias. Seu olhar era ardente, sinistra a expre...