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COLIDINDO-SE COM UM FANTASMA - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Joseph Glanvil

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COLIDINDO-SE COM UM FANTASMA Joseph Glanvil (1636 – 1680) Tradução de Paulo Soriano O Sr. Broom, ministro de Woodbridge, em Suffolk, encontrou-se um dia, numa barbearia daquela cidade, com um tenente holandês (que tinha sido atingido por uma explosão em Opdam, resgatado vivo da água e levado para a cidade, onde se tornou prisioneiro) e, durante uma conversa, ouviu deste a assertiva de que podia ver fantasmas e que já tinha visto muitos deles. O Sr. Broom repreendeu-o por falar tão levianamente, mas este persistiu no assunto com bastante firmeza. Alguns dias depois, ao reencontrá-lo, perguntou-lhe se tinha visto algum fantasma desde que chegara àquela cidade. Ao que ele respondeu que não. Mas, não muito tempo depois, enquanto caminhavam juntos pela cidade, o tenente disse ao Sr. Broom: — Ali vem um fantasma! Como o Sr. Broom não viu nada, perguntou-lhe onde estaria a aparição. O holandês respondeu: — Está em frente àquela casa e segue em nossa direção, olhando para cima e ag...

A MORTA MALÉFICA - Conto Clássico de Terror - Yuan Mei

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A MORTA MALÉFICA Yuan Mei (1716 – 1797) Quando Tang Ada, do condado de Yin, chegou em Pequim, o seu irmão não o tratou com amabilidade. Perguntado sob o motivo daquela recepção, Ada contou o seguinte incidente: Há vinte anos, velava ele o cadáver da filha de um vizinho. O seu irmão, companheiro na fúnebre tarefa, havia descido para tomar chá. Ada contemplou o cadáver por longo tempo. Ao vê-lo, tão belo, teve pensamentos lascivos. De súbito, o belo corpo da jovem se ergueu, deambulou pelo quarto e correu em sua direção. Quando o irmão, que retornava à sala, subiu as escadas, e se deparou com o cadáver no encalço de Ada, ficou pasmo de pavor e bateu a porta. Tentando escapar ao cadáver, Ada correu à porta, mas esta estava trancada. Então, pulou pela janela. O cadáver tentou acompanhá-lo, mas não conseguiu. Caído sobre as telhas, Ada desmaiou. Enquanto Ada, desfalecido, jazia no telhado, a defunta permanecia parada à janela do andar superior. Na manhã seguinte, a famíl...

O FANTASMA DE PEG ALLEY'S POINT - Narrativa Verídica Sobrenatural - Autor desconhecido do séc. XIX

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O FANTASMA DE PEG ALLEY'S POINT Autor desconhecido do séc. XIX Tradução de Paulo Soriano Peg Alley's Point é uma longa e estreita faixa de terra arborizada, situada entre o curso principal do rio Miles e um dos riachos navegáveis ​​que nele deságuam. Esta pequena península, que tem cerca de duas milhas de comprimento e cinquenta a trezentas jardas de largura, é cercada por águas profundas e coberta por pinheiros e densa vegetação rasteira. Conta-se, tradicionalmente, que, há muitos anos, um grupo de pescadores de ostras de Baltimore acampou na ponta. Dentre eles, estava um homem chamado Alley, que havia abandonado a esposa. A mulher abandonada seguiu o marido e o encontrou naquele acampamento. Após conversarem alguns instantes, o marido a convenceu, sob algum desconhecido pretexto, a acompanhá-lo até um matagal. A pobre mulher nunca retornou. Seu marido a assassinou cruelmente com um porrete. Desde então, a ponta de terra é conhecida pelo nome de Peg Alley, e acredita-...

MALDIÇÃO - Conto Clássico de Terror - Jack Dee

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MALDIÇÃO Jack Dee 1 (Séc. XX) Duvido muito, leitor, que, por mais fortes que sejam as tintas, por mais vivo que seja o meu estilo, eu possa transmitir um décimo das surpresas e angústias do drama que te vou contar. É preciso advertir, desde já, que não se trata de um conto, mas da vida real com todas as suas asperezas e brutalidades. Eu cá tenho as minhas ideias a propósito dos fatos desta narrativa, mas você, caro leitor, dê lá as interpretações que lhe parecerem mais razoáveis, pois não é admissível que um homem, que conhece horrores e mistérios da Nova Zelândia, tenha convicções exatamente idênticas às de outro que só conhece a suavidade da vida citadina. Eu era, naquela época, um jovem estudante e, durante as minhas férias de maio, com um colega de nome Pat Simpkin, decidi aproveitar o meu descanso com divertimentos menos banais. E, assim, quase sem preparativos, partimos de Auckland numa formosa manhã domingueira. Estávamos em pleno inverno, mas o dia raiava esplêndido, ...

A DECAPITAÇÃO SECRETA - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Johan Peter Hebel

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A DECAPITAÇÃO SECRETA Johan Peter Hebel (1760 – 1826) Não sei se o carrasco de Landau rezou, com devoção, a sexta súplica do Pai Nosso na manhã de 17 de junho daquele ano. Se não o fez, certo é que um bilhete chegou de Nanzig no dia mais oportuno. No bilhete estava escrito: “ Carrasco de Landau! Venha imediatamente a Nanzig e traga a sua grande espada de verdugo. Lá, dir-lhe-ão o que deve fazer e pagar-lhe-ão bem.” Uma carruagem já o aguardava em frente à sua casa. O carrasco pensou: “Este é o meu dever” e entrou na carruagem. Já era noite e o sol se punha em meio a nuvens vermelho-sangue, quando, faltante ainda uma hora para chegarem em Nanzig, o cocheiro, frenando a carruagem, disse-lhe: — Amanhã, fará um bom tempo novamente. De súbito, três homens fortes e armados surgiram à beira da estrada. Subiram à carruagem, sentaram-se ao lado do carrasco e prometeram-lhe que nenhum mal lhe aconteceria. Todavia, disseram que imperioso seria vendar-lhe os olhos. ...

O FANTASMA DO PORÃO - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatrual - Arthur Conan Doyle

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O FANTASMA DO PORÃO Arthur Conan Doyle (1859 – 1930) Tradução de Paulo Soriano Uma senhora, que vivia com dois filhos numa casa isolada na costa da Cornualha, era perturbada pela presença de um visitante fantasmagórico, que, em determinado momento da noite, subia, com passos pesados, as escadas, e desaparecia no painel do patamar. Tomada de coragem, a senhora o esperou. Viu que a aparição era um homem baixo e idoso, que vestia um terno de tweed surrado e levava as botas na mão. Ele emitia “uma espécie de luz amarela e luminosa”. Aquela criatura surgia a uma hora e reaparecia às quatro e trinta da manhã, sempre descendo as escadas com passos audíveis. Embora a senhora guardasse consigo aquele incidente, uma cuidadora, que passara a tratar de uma das crianças, apareceu gritando no meio da noite, dizendo que havia “um velho terrível” na casa. Ela, que havia descido à sala de jantar para buscar água para o seu pupilo, o viu sentado em uma cadeira, tirando as botas. Iluminava-o ...