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Mostrando postagens de Setembro, 2019

A HISTÓRIA FANTASMAGÓRICA DA TUMBA DA FLAUTA - Conto Clássico de Terror - Richard Gordon Smith

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A HISTÓRIA FANTASMAGÓRICA DA TUMBA DA FLAUTA [1] Richard Gordon Smith (1858 – 1918) Tradução de Luiz Poleto Tempos atrás, em um pequeno e distante vilarejo chamado Kumedamura, localizado na província de Idsumo e a cerca de doze quilômetros a sudeste da cidade de Sakai, foi construída uma tumba — Fuezuka, ou a Tumba da Flauta — e até os dias de hoje muitas pessoas se dirigem ao local para rezar e adorar, trazendo consigo flores e incenso que são oferecidos ao espírito do homem que ali se encontra enterrado. As pessoas se agrupam no local durante todo o ano e não parece existir uma época em particular em que as pessoas rezem mais ou menos. A tumba fica situada em um grande lago chamado Kumeda, de uns oito quilômetros de circunferência, e todos os lugares ao redor deste lago emprestam seu nome do Lago de Kumeda, assim como o vilarejo de Kumeda. De quem seria a tumba que invoca tanta compaixão? A tumba em si é apenas um pilar de perda, sem nenhum traço artístico que

A FÊMEA PODEROSA - Conto de Terror - Paulo Valença

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A FÊMEA PODEROSA Paulo Valença 1 O idoso à cadeira de balanço. O rosto branco, pálido, ferido por rugas; os lábios finos, cerrados; o olhar perdido; os gestos lentos; o mutismo... O retrato da velhice. Como filho, ele, Eduardo, sensibiliza-se e, indaga-se: Um dia, encontrar-se-á também velho, entregue ao próprio mundo íntimo, numa fuga? Como saber o amanhã, que, é uma incógnita, aliás, necessária, pois quais as consequências se soubéssemos de já, o que passaríamos? Sim, tudo com a sua lógica. Então, ergue-se do sofá e fala à mãe, no outro sofá: — Mãe, vou dar uns “giros” por aí. — A essa hora tarde da noite? Vá, mas, tenha cuidado. A noite tá muito violenta! Ele sorri, tentando lhe apaziguar o espírito: — Tenho cuidado, mãe. Fique tranquila. A idosa, Dona Carmem, nada responde. Eduardo está cada vez mais parecido com o pai. O sorriso, a voz... O rapaz chega ao terraço e, para o velho: — Pai, vou sair um pouco. — Está mu

NUMA NOITE DE VERÃO - Conto Clássico de Terror - Ambrose Bierce

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NUMA NOITE DE VERÃO Ambrose Bierce Tradução de Renato Suttana O fato de estar enterrado não parecia provar a Henry Armstrong que ele tivesse morrido: sempre fora um homem difícil de convencer. Que ele estivesse realmente enterrado o testemunho de seus sentidos o levava a admitir. Sua postura — deitado de costas, as mãos cruzadas sobre o estômago e atadas com alguma coisa que ele partiu facilmente, sem melhorar muito a situação — o confinamento estrito de toda a sua pessoa, a escuridão negra e o silêncio profundo, tudo isso compunha um corpo de evidência impossível de contradizer; e ele o aceitava sem objeção. Mas morto — não. Ele estava apenas muito, muito doente. E tinha, além disso, a apatia dos inválidos, sem se preocupar demais com o destino incomum que lhe fora reservado. Não era filósofo – apenas uma pessoa ordinária e rasa, dotada, naquele momento, de uma indiferença patológica: o órgão do qual temia consequências estava entorpecido. Assim, sem nenhuma apreens