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Mostrando postagens de Agosto, 2018

SEXO COM O DIABO - Conto de Terror - Alessandro Reiffer

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SEXO COM O DIABO Alessandro Reiffer Poucos acontecimentos me causaram uma sensação tão dilacerante de tristeza e fatalidade como a impiedosa maldição que recaiu implacável sob aquela bela menina, a infeliz Daniele. Muitos simplórios insistem em crer que tudo não passou de algum terrível mal meramente orgânico, uma enfermidade desconhecida, de origem unicamente física. Todavia, não apresentam provas do que afirmam, nem mesmo indícios. Todos os exaustivos exames realizados não obtiveram o mínimo esclarecimento, e o caso permanece obscuramente inexplicável, pois nenhum possível agente patogênico foi encontrado no corpo de Daniele, nenhum de seus órgãos apresentava qualquer deficiência, no entanto, a menina enfraquecia cada vez mais... Conheci muito bem a pobre Daniele. Melhor ainda, o que ocorreu com ela. Quando surgiu das trevas aquele demônio, a menina não tinha mais que 15 anos. Eu, quatro anos mais velho, estava absolutamente fascinado com sua beleza e expressão de tern

O ESTRANHO CASO DE EMILIE SAGÉE - Narrativa Clássica Sobrenatural - Narrativa Verídica - Alexandre Aksakof

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O ESTRANHO CASO DE EMILIE SAGÉE Alexandre Aksakof (1832 -1903) Em 1845, existia na Livônia (e ainda existe), a trinta milhas de Riga e a uma légua e meia da pequena cidade de Wolmar, um instituto para moças nobres, o " Pensionato de Neuwelcke". Nessa época, o diretor era um certo M. Buch. O número de pensionistas, quase todas de famílias nobres livonianas, era de quarenta e dois. Entre elas achava-se a segunda filha do Barão Güldenstubbe, de 13 anos. Entre as professoras, existia uma francesa, de nome Emilie Sagée, nascida em Dijon. Tinha o tipo do Norte: era loura, forte, de olhos muito claros e cabelos castanhos. Era fina e um pouco mais alta que o tipo médio, amável, doce e alegre, mas um pouco tímida e de temperamento nervoso e um tanto excitável. Sua saúde era ordinariamente boa e, durante o tempo (um ano e meio) que passou em Neuwelcke, não teve senão uma ou duas indisposições ligeiras. Era inteligente e de perfeita educação, tendo os diretores se mostr

VÍTIMA DO MEU DESCUIDO - Conto Clássico de Terror - Eximí Opfalas

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VÍTIMA DO MEU DESCUIDO Eximí Opfalas (Pseudônimo de autor desconhecido do séc. XX) — Vítima do meu descuido! — foi o que eu ouvi da boca de um louco, quando atravessava o pátio interno de uma casa de saúde, para procurar o Dr. Mota, velho amigo meu, que ali dirigia uma enfermaria. Aquela frase, ouvida assim inesperadamente, foi pronunciada com ênfase e exprimia uma dor profunda. Ao chegar ao gabinete do Dr. Mota, ainda estava eu com os cabelos eriçados pelo frêmito irreprimível que de mim se apossou naquele momento. O Dr. Mota, percebendo o meu estado, como profundo psiquiatra que é, perguntou-me logo: — Que foi que lhe aconteceu? Contei-lhe então o que ouvira e a forte impressão que aquelas palavras me haviam causado. — É um caso bem triste aquele, embora passível de cura... (Disse o Dr. Mota, batendo com as hastes dos óculos sobre os dedos.) — Gostaria de sabê-lo! (disse eu, curioso). O Dr. Mota, mostrando-me uma poltrona, sentou-se noutra, puxou d

VENDETTA - Conto Clássico - Conto Cruel - Thomaz Lopes

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VENDETTA Thomaz Lopes (1878 – 1913) No seu gabinete de trabalho, sentado em frente a uma longa mesa atulhada de livros, de lâmpadas, de castiçais, de tinteiros, de facas de papel, de todo esse imenso mundo das pequeninas coisas indispensáveis a um homem que escreve, o dr. Pietro Contese tomava apontamentos em tiras de papel. Defronte da mesa, reclinada numa ampla poltrona, a mulher amamentava um recém-nascido, tão aderente ao seu branco peito como uma parasita a uma arvore moça; duas outras crianças, de cinco e de seis anos, brincavam no tapete com cubos e figuras geométricas de construção. Nas paredes, as estantes tinham um aspecto de solenidade, apinhadas de livros ricamente encadernados; alguns quadros punham manchas claras nos muros. Era toda uma família feliz no meio do doce aconchego doméstico, cercada do conforto que o trabalho dera, sem outra ambição na vida além da continuação daquela ventura. Era uma linda noite de junho do ano de 1902, uma dessas incomparáve

UM ESTRANHO SUICÍDIO - Conto Clássico de Morte e Mistério - Eximí Opfalas

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UM ESTRANHO SUICÍDIO Eximí Opfalas (Pseudônimo de autor desconhecido do séc. XX) Eram quase duas horas da madrugada quando os policiais de ronda, nas cercanias de Curzon street e Queen street , em Londres, ouviram três tiros que pareciam ter partido do Hotel Washington, que fica na esquina daquelas duas ruas. Um dos policiais, ao aproximar-se do hotel, viu ali entrar um homem que parecia fugir. E, com outro policial, que vinha de Picadilly pela Hall-Moon street , entrou no hotel de arma engalhada. Ao entrarem no vestíbulo, viram os policiais que o homem, que para ali correra, galgava, apressado, os primeiros degraus escada. Súbita intimação dos policiais o fez parar. Era um homem de aspecto abatido, mas vestido com elegância. Trazia no bolso do smoking um revólver ainda quente. Dos cinco cartuchos, três haviam sido detonados momentos antes. Algemado e interrogado, disse chamar-se John Sallisbury, com 35 anos de idade, celibatário, sem profissão, domiciliado naque

O MENDIGO - Conto Cruel - Guy de Maupassant

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O MENDIGO Guy de Maupassant (1850 - 1893)   Ele conhecera dias mais felizes, apesar do estado de miséria e de doença em que ora se encontrava.   Na idade de quinze anos, ficara com as pernas esmagadas por uma carruagem, na estrada real de Varville. Desde então mendigou, arrastando-se ao longo dos caminhos, através dos pátios das quintas, balouçado nas muletas, que lhe tinham feito levantar os ombros à altura das orelhas. A sua cabeça dir-se-ia enterrada entre duas montanhas.   Enjeitado, encontrado num fosso pelo cura de Billette, na véspera do dia de Finados, e batizado, em razão disso, Nicolas Toussaint, educado por caridade, ficara estranho a todo e qualquer grau de instrução, estropiado depois de ter bebido alguns copos de aguardente oferecidos pelo padeiro da aldeia, para que ele fizesse rir, não tardou em dar em vagabundo, e mais nada sabia fazer do que estender a mão à caridade.   Outrora, a baronesa d'Avray concedia-lhe, para dormir, uma espécie de n