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Mostrando postagens de Dezembro, 2021

O BERRO DA ROSEIRA - Conto de Terror - Maycon Guedes

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O BERRO DA ROSEIRA Maycon Guedes Eu desejo, fortemente, que tudo o que eu presenciei minutos atrás, seja uma ilusão causada pelo excesso de bebida. Afinal, como tudo aquilo poderia ser real? E cá estou eu, mais uma vez, conversando comigo mesmo. A atmosfera deste cemitério sempre me incomodou, mesmo durante o dia. Eu sempre fui cético; não acredito… não acreditava nessas baboseiras, mas, agora eu tenho minhas dúvidas. De uma coisa eu sei: eu nunca, jamais, andarei à noite pelo cemitério novamente. Aquilo era mesmo um bode preto. Oh, com certeza, era! Ele surgiu do nada! Estava em cima do túmulo bem ao meu lado, quase encostando em meu braço; aquela coisa soltava faíscas da boca enquanto movia sua cabeça para cima e para baixo, bem próximo a mim! E aquelas covas? Eu podia ver a terra se movendo como as ondas do mar; um mar de terra de cemitério; aqueles movimentos davam a impressão de que alguma coisa iria sair de dentro das covas, E os corvos! Sinistros! Pareciam estar zangados com

A PEQUENA VENDEDORA DE FÓSFOROS - Conto Clássico Fantástico - Hans Christian Andersen

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A PEQUENA VENDEDORA DE FÓSFOROS Hans Christian Andersen (1805 – 1875) Assim como os Irmãos Grimm e Charles Perrault, o dinamarquês Hans Christian Andersen é uma grande estrela a cintilar no universo fantástico dos contos de fadas. “A Pequena Vendedora de Fósforos”, porém, destoa dos folclóricos e alegóricos contos da carochinha. Sem perder os contornos fantásticos, mergulha no impiedoso mundo da fome, da miséria e da solidão. No último dia do ano, uma garotinha extremamente pobre enfrenta o frio e a neve para vender os seus fósforos. Mas ninguém quer comprar em sua mão, nem se apieda de sua miserável condição... Um conto trágico. Uma das mais tristes e comoventes histórias jamais escritas. Fazia um frio terrível , nevava e começava a escurecer. Era a última noite do ano, véspera do Ano Novo. Em meio ao frio e à escuridão, caminhava pela rua uma menina pobre, com a cabeça descoberta e os pés descalços. Ao sair de casa, ela bem que levava consigo um par de chinelos. Mas

O DEFUNTO QUE DESCEU PELA CHAMINÉ - Conto de Terror - Maycon Guedes

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O DEFUNTO QUE DESCEU PELA CHAMINÉ Maycon Guedes     Querido Papai Noel. Preciso da sua ajuda. Quero o meu pai de volta. Sei que não fui uma criança exemplar nos últimos meses, e meu pai sempre me avisou do espírito maligno chamado Krampus que pega as crianças más na noite de Natal. Depois que a minha mãe morreu eu ouvi várias vezes que eu estava ficando rebelde; não sei bem o significado disso, mas sei que coisa boa não é. Você sabe, Papai Noel, que sempre fui um bom garoto; sabe dos elogios que sempre recebi dos meus professores, que sou um ótimo aluno, que escrevo muito bem e sou muito criativo; espero que você já tenha lido uma das minhas histórias que enviei nas cartas anteriores. Um dia serei escritor, e vou escrever muitos livros para você dar de presente para todas as crianças que se comportaram bem durante o ano. Acho que você poderia realizar esse meu pedido de trazer meu pai de volta, afinal, o Krampus deveria ter me levado; eu que me comportei mal, e não o meu pai, e

A DIFÍCIL TAREFA DE DEMÉTRIOS NA ÚLTIMA NOITE DE NATAL - Conto de Terror - Afonso Luiz Pereira

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A DIFÍCIL TAREFA DE DEMÉTRIOS NA ÚLTIMA NOITE DE NATAL Afonso Luiz Pereira   Meu pai sempre me dizia que, em tempos de tribulação ou de guerra, a tarefa mais difícil de realizar era destinada apenas àquele que tinha a capacidade de suportá-la.   Dia 18 de dezembro de 2031.   Depois de dois dias de caminhada, faltando sete para o Natal, milagrosamente encontramos uma árvore saudável, em meio à vegetação rarefeita e depauperada, nascida do solo comprometido da radiação nuclear. Era um pinheiro ainda pequeno, bonito, viçoso e, apesar do tamanho, tínhamos certeza de ser suficientemente adequado para o cobrirmos de penduricalhos natalinos. Oh, sim, Senhor, por certo que poderíamos fazer dele uma verdadeira obra aos olhos das crianças. Elas finalmente teriam a oportunidade de experimentar uma festa natalina completa, como as que se faziam antigamente, e das quais não cansávamos de atiçar-lhes a imaginação. Lembrei-me do brilho dos olhos de Mateus e Alice, meus filhos, quando ou

A QUEDA DA CASA DE USHER - Conto Clássico de Terror - Edgar Allan Poe

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  A QUEDA DA CASA DE USHER Edgar Allan Pöe   Son cœur est un luth suspendu; Sitôt qu’on le touche il résonne. De Béranger.   Era um dia de outono lúgubre, sombrio e silencioso, desses em que as nuvens baixas parecem pesar sobre nós. Eu tinha percorrido, só, a cavalo, grande extensão de um terreno profundamente desolado e era quase noite quando cheguei à vista da melancólica casa de Usher. Não sei dizer por que, ao primeiro olhar sobre essa casa, uma sensação de torturante tristeza se apoderou de meu espírito, a despeito da impressão quase agradável, que os cenários tétricos produzem em nós, em razão de seu caráter poético. Aquela casa isolada e a paisagem tão característica, que a cercava, as paredes nuas, as janelas, que pareciam olhos cegos, as árvores secas e desfolhadas dos arredores... tudo isso produziu em mim uma depressão mental comparável à de um fumante de ópio, quando, ao despertar de seu sonho mórbido, vê-se de novo em face das duras realidades da vida. Er

AS RATAZANAS - Conto de Ficção Cinetífica e Horror - Ângelo Brea

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AS RATAZANAS Ângelo Brea   O som do alarme fez-me acordar, como todos os dias, duas horas  antes de que o Sol começasse a ocultar-se por detrás do horizonte. É  assim porque eu durmo de dia, nas horas nas quais o Sol abrasa toda  a superfície terrestre, e me mantenho acordado apenas durante as últimas horas da tarde, durante toda a noite e as primeiras horas da manhã, quando ainda o nível de radiação solar é relativamente suportável  para os humanos. Entre as frestas da persiana baixada, filtrava-se ainda suficiente claridade como para iluminar perfeitamente o meu quarto.   O primeiro que fiz, como todos os dias, foi ir à casa de banho. O  espelho, quase tão velho como eu próprio, devolveu-me a imagem de  um homem de sessenta e quatro anos, com profundas enrugas no rosto, olhos castanhos, celhas espessas e cabelo quase completamente  branco. Estava cansado de ver-me a mim próprio, dia após dia, e de  comprovar como a minha imagem definhava a olhos vista… O último  ano tinha envelhecido