Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Conto de Loucura

O MEDALHÃO - Conto Clássico de Terror - D. O. Marama

Imagem
  O MEDALHÃO D. O. Marama [1] (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Tinham-me falado naquele “caso” como um dos mais “curiosos” e, como sempre me interessei especialmente pelos problemas cerebrais em que o raciocínio se confunde com a loucura — o que chamarei “os limites da razão humana” —, fui a esse presídio-sanatório. O diretor explicou-me: — Trata-se de um homem que cometeu um crime inexplicável e vive, depois disso, perseguido por uma alucinação, uma só, mas estranhamente pertinaz. Durante o dia, mantem-se calmo; mas, desde que anoitece, só há um meio de atenuar o pavor, que o acomete:   deixar uma lâmpada elétrica acesa em sua célula. E, contudo, recusa a companhia de um guarda, que lhe ofereci. O desgraçado vive sob o terror da escuridão e a preocupação de guardar o objeto pelo qual praticou o crime, um medalhão, de resto sem valor, que deixamos em seu poder, para acalmá-lo. * Encontrei na célula indicada um homem franzino, com olhos negr...

O HOMEM QUE MATOU O DEMÔNIO - Conto Clássico de Loucura - Armando Brussolo

Imagem
O HOMEM QUE MATOU O DEMÔNIO Armando Brussolo (1908 – 1947)   O delegado levantou-se mal-humorado. Pois quê! Chamá-lo às duas horas da madrugada, talvez para atender a uns três ou quatro plebeus embriagados que brigaram por causa de uma mulher qualquer! Isso lá é vida que se suporte! Apesar do adiantado da hora, o movimento na Central de Polícia, naquele fim de Sábado de Aleluia e início de Páscoa, era intenso. Um homem que sofrera um acidente quando trabalhava numa estrada de ferro prestava declarações. O escrevente que terminava o inquérito de pouco em pouco suspendia o serviço, olhava de esguelha para uma loira rapariga, detida para algumas averiguações a seu respeito, fazia-lhe sinais brejeiros e de novo lançava a pena a correr ligeiramente sobre o alvo papel de linho. Um guarda civil entrou, segurando um esquálido rapazelho pela gola do paletó, acompanhado de um italiano, comerciante, com uma banca no Mercado Central, e dirigiu-se ao escrivão:  — Este rapaz é um ladrão, do...

REMORSO - Conto Clássico de Loucura e Horror - Luiz Orlowsky

Imagem
REMORSO Luiz Orlowsky [1] (Séc. XX)   Ali estava ele, gordo, pachorrento, com aquela papada presa à base dos ouvidos que nem uma rede, onde se balançava flacidamente meio quilo de banha. Tudo luzia nele. E principalmente a calvície lhe emprestava à cara uma forma monstruosamente rotunda e cheia. Mantinha-se calado, mas eu lhe ouvia a estrepitosa gargalhada, encendo a casa que nem um desabamento. Como seria bom vê-lo sempre assim, reduzido ao silêncio. Não. Seria melhor não ver jamais aqueles olhos esbugalhados se avolumarem assustadoramente quando grunhiam ferozes: —Depressa, rapaz! Avia-te com isso! Esses criados são uma súcia de ladrões! Roubando o meu dinheiro! E saía mastigando as últimas sílabas até que as portas fechassem sua avareza lá na biblioteca, onde continuava excomungando toda a classe das serventes, numa voz rouca e áspera. Quando aquela exaltação acabava por lhe dar um ataque cardíaco, meu ódio se estendia satisfeito num sofá de molas. Mas quando tudo passava sem qu...

UM NU DE RUBENS - Conto Clássico de Loucura - Miguel Sawa

Imagem
UM NU DE RUBENS Miguel Sawa (1866 – 1910) Tradução de Paulo Soriano O louco enfiara a cabeça por entre as grades da janela — uma cabeça assustadora, de cabelos eriçados, que se movia incessantemente, em gestos nervosos — e chamava-me com gritos de desespero: — Senhor! Se tiver a gentileza de ouvir-me uns instantes… Tenho que lhe revelar um segredo importantíssimo. Pelo que lhe é mais precioso no mundo, escute-me. Apenas por alguns instantes. Aproxime-se sem medo. Eu não faço mal a ninguém. Sou um pobre louco inofensivo. E, interrompendo-se, fixando em mim os seus olhos febris, disse: — Veja, senhor, não quero enganá-lo. Não sei dizer se estou louco ou são. Não seria a razão o dom do pensamento que Deus conferiu aos homens para distingui-los dos animais? Pois, então, apesar do que dizem os médicos, eu posso assegurar-lhe de que estou em pleno domínio das minhas faculdades mentais. Como gostaria que o meu cérebro tivesse deixado de funcionar regularmente! Como eu gostaria de...