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Mostrando postagens de agosto, 2022

A CASA DAS SOMBRAS NEFASTAS - Conto de Terror - Paulo Soriano

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A CASA DAS SOMBRAS NEFASTAS Paulo Soriano     —Não são poucos os que me julgam morto —disse-me Von Paulus. —Há trinta anos que vivo recluso nesta vivenda, de insípida arquitetura, onde não há, em cômodo algum, uma nesga de lume sequer. Ao chegar, o senhor deve ter percebido, ao longe, que as janelas estão todas fechadas. Sim! Elas são maciças, do ébano mais denso e retinto que a natureza pode proporcionar, e não comportam vitrais. Elas jamais se abrem e os ferrolhos são todos soldados por dentro. O senhor não pode ver, mas as cortinas, sob as quais as janelas se escondem, são todas de um veludo negro e espesso.   Eu havia chegado à casa de Von Paulus, a seu pedido, quando o Sol, cansado de rastejar sobre a abóbada celeste, precipitava-se preguiçoso para as goelas dos morros alcantilados que, neste fim de tarde, perdiam pouco a pouco a aura, que à distância azulava, e se revestiam de suaves e etéreos matizes avermelhados.   Veio recepcionar-me, ao limiar dos portões de ferro enferr

O FANTASMA MALIGNO DE SPRAITON - Narrativa Clássica de Terror - Sabine Baring-Gould

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O FANTASMA MALIGNO DE SPRAITON Sabine Baring-Gould (1834 – 1924) Tradução de Paulo Soriano   “Por volta do mês de novembro passado, no bairro de Spraiton, estando um certo Francis Fey (empregado do Sr. Phillip Furze), num campo, perto da casa do seu patrão, apareceu-lhe o espectro de um velho cavalheiro, pai de seu senhor, com uma vara na mão, semelhante àquela que ele, quando vivo, costumava carregar para matar toupeiras. O jovem, de quem o espectro se aproximou, não ficou nem um pouco surpreso com o surgimento de alguém que ele sabia morto. Espectro, ainda assim, disse-lhe que não tivesse medo, senão participasse ao seu senhor que vários legados, deixados em seu testamento, não haviam sido entregues aos beneficiários: dez xelins para um e tanto quanto para o outro, dos quais lhe deu os nomes. O jovem respondeu que o último legatário mencionado era já falecido e, portanto, não poderia receber a deixa. A aparição respondeu que sabia da morte de seu legatário. Assim, a d

BABÁ ELETRÔNICA - Conto de Terror - Maycon Guedes

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  BABÁ ELETRÔNICA Maycon Guedes     “Eu te batizo em nome de Satanás!” — Ao ouvir essa frase vindo da babá eletrônica, narrada por uma voz tenebrosa, Lúcia corre para o quarto do bebê no meio da noite, encontrando o pequenino chorando na penumbra. A fina tela que cobria o berço movia-se formando uma silhueta, contornando algo maligno junto da criança. Um forte cheiro de vela tomava conta daquele lugar, deixando o quarto com uma atmosfera idêntica a de um velório. Os ruídos vêm assombrando Lúcia há três dias, e, então, ela lembrou do número de telefone concedido por sua amiga supersticiosa, indicando que sua vizinha, de dons sobrenaturais, estaria disposta a ajudá-la. A vizinha atende o telefone e se assusta aos berros de Lúcia: “Venha, depressa! Um ser maligno está no quarto do bebê!” A vizinha parte para casa de Lúcia acompanhada de uma sensação terrível e maléfica. Lúcia abre a porta, agarra um dos braços da velha e a conduz até o quarto. "Onde está o pai da criança?” — Co