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Mostrando postagens de Fevereiro, 2022

O PADRE DESAFORTUNADO E O CADÁVER - Conto Clássico Fúnebre e de Mistério - Joseph Taylor

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  O PADRE DESAFORTUNADO E O CADÁVER Joseph Taylor (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano   Numa província da Prússia, um homem morto foi levado, como é costume, à igreja, na noite anterior ao dia de seu sepultamento. É comum colocar o cadáver em um caixão aberto. E um padre, auxiliado apenas por um coroinha, permanece a noite inteira orando ao lado do cadáver. No dia seguinte, os amigos do defunto vêm fechar o caixão e enterrar o cadáver. Naquela ocasião, depois de realizado o serviço noturno, todos se retiraram da igreja. E o padre, com o jovem coroinha, retirou-se para cear. Mas logo voltou, e começou as orações habituais. Qual não foi o seu espanto ao ver o cadáver erguer-se do caixão e avançar em sua direção! Extremamente aterrorizado, o padre correu para a pia. E, conjurando o cadáver para retornar ao caixão, derramou sobre ele água benta em abundância. Mas o espírito obstinado e mal-intencionado, desconsiderando o poder da água benta, agarrou o desafortunado sacerdo

O AMIGO DO DEMÔNIO - Conto Clássico Sobrenatural - Juan Manuel de Castela

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O AMIGO DO DEMÔNIO Juan Manuel de Castela (1282 – 1348) Tradução de Paulo Soriano   — Senhor conde Lucanor — disse Patronio —, um homem que havia sido rico ficou tão pobre que não tinha o que comer. Como não há no mundo maior desgraça que o infortúnio para o que já foi ditoso, aquele homem, que de tanta prosperidade havia sucumbido a tanta desventura, estava muito triste. Um dia, em que caminhava sozinho no bosque, muito aflito e preocupado, encontrou-se com o demônio. Como este sabe tudo o que acontece, sabia por que aquele homem estava tão triste. Apesar disto, perguntou-lhe a causa de sua tristeza. O homem indagou por que motivo falaria, já que não havia como ser ajudado. O demônio replicou que, se ele lhe rendesse obediência, iria remediá-lo. E, para que o homem visse o que poderia fazer em seu favor, disse-lhe aquilo em que vinha pensando e a razão pela qual estava triste. Então contou ao homem a sua própria história e o motivo de sua tristeza, como quem muito bem de t

AS ATROCIDADES DE CALÍGULA - Narrativa Clássica de Horror - Caio Suetônio Tranquilo

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  AS ATROCIDADES DE CALÍGULA Caio Suetônio Tranquilo (96 – 141)   A ferocidade de Calígula ficou evidenciada nos seguintes traços. Como custasse muito caro o gado com que se alimentavam as feras, designou, entre os criminosos, os que deviam ser devorados. Com este escopo passou em revista as prisões, sem examinar nenhum registro carcerário, limitando-se a, de pé, no meio da galeria, fazê-los conduzir ao suplício, do primeiro ao último. Exigiu dum cidadão, que prometera combater na arena pela saúde de César, o cumprimento da palavra empenhada. Permitiu-lhe combater com gládio e não o dispensou depois que venceu e, assim mesmo, à vista de muitos rogos. Entregou à petizada outro homem, que jurara morrer pela mesma causa, mas que hesitava. Foi coroado de verbena e pequenas faixas. As crianças, lembrando-lhe a promessa feita, levaram-no, então, de bairro em bairro, até que resolveram precipitá-lo do alto duma muralha. Condenou ao trabalho das minas, das estradas e, também, às fe

VIZINHOS - Conto de Terror - Rodrigo Picon

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VIZINHOS Rodrigo Picon   Janeiro. Férias. Verão. Daniel e Manu aproveitaram que o irmão do rapaz morava com a esposa a pouco mais de cem metros da praia e se mudaram para o apartamento do casal para passarem as férias.          Chegaram no apartamento do casal, despejaram as malas, mudaram de roupa e correram para a praia, aproveitar o Sol forte. Foram, deram um “tchibum” na água deliciosamente gelada e se sentam na areia, apreciando o mar e o céu azuis.          Na hora do almoço, retornam para a residência de Breno, irmão de Daniel. Entraram no apartamento e subiram as escadas que davam para o terceiro andar. Ao chegarem no vão frontal à porta de entrada do apartamento de Breno, perceberam algo diferente na porta do apartamento adjacente, entreaberta. Esta se encontrava enfeitada com inúmeros ornamentos infantis. Tinha um palhaço de pelúcia na maçaneta, vários balões desenhados porta afora e um escrito “Seja bem-vindo” em letras coloridas.          — Deve ter alguma criança nessa cas

O CÃO INFERNAL DO CASTELO DE PEEL - Narrativa de Terror - Anônimo do séc. XX

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O CÃO INFERNAL DO CASTELO DE PEEL Anônimo do séc. XX   Para os que pensam que os espíritos de além só aparecem sob a forma humana, as curiosas revelações, que passamos a fazer, de casos que se deram na pequena ilha de São Patrick, são convincentes. São Patrick fica do lado Leste da Ilha de Man, que pertence ao Mar da Irlanda, e que está a igual distância da costa Norte da Inglaterra e da Irlanda. Nessa pequena ilha rochosa encontra-se o antigo castelo de Peel, que é uma obra do décimo quinto século e, hoje, é a ruína mais pitoresca e poética das ilhas britânicas. Ali aparecem, frequentemente, duendes, animais encantados, almas e toda a sorte de entes sobrenaturais que a imaginação cria. A ilha de São Patrick parece ter a propriedade de tornar videntes os que a ela portam, pois os mais céticos, em seu solo, começam a ver coisas extraordinárias. A mais impressionante de todas essas assombrações é, sem dúvida, o Cão Infernal , que se apresenta na forma de um grande cachorro pret

O MONGE DE CH'ANG-CH'ING - Conto Clássico Sobrenatural - Pu Songling

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O MONGE DE CH'ANG-CH'ING Pu Songling (1640 – 1715) Em Ch'ang-ch'ing vivia um sacerdote budista de excepcional virtude e pureza de conduta que, embora contasse mais de oitenta anos, era lúcido e vigoroso. Certo dia, caiu e permaneceu imóvel. Quando os demais monges correram para ajudá-lo a se erguer, descobriram que ele já havia partido. A alma do velho monge, insciente da morte física, voou para as fronteiras da província de Honan. Ora, sucedeu que o herdeiro de uma tradicional família de Honan havia saído, naquele mesmo dia, com um séquito de dez ou doze pessoas, para caçar a lebre com falcões. Mas, tendo o seu cavalo fugido em disparada, o fidalgo foi lançado ao chão e morreu na queda. Exatamente nesse momento, a alma do padre aproximou-se e entrou no corpo do cavaleiro, que, gradualmente, recuperou a consciência. Quando os criados se aglomeraram em torno do herdeiro e perguntaram se ele se sentia bem, este arregalou os olhos e gritou: — Como cheguei aqui?

O ESPÍRITO MALIGNO DE TEMESSA - Narrativa Clássica de Terror - Pausânias

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O ESPÍRITO MALIGNO DE TEMESSA Pausânias (c. 110 — 180)   Quando Eutímio voltava para a Itália, depois de combater com os Heróis, aconteceu-lhe um incidente notável. Diz-se que Ulisses, vagando pelos mares, após a queda de Tróia, foi levado pelos ventos para diversas cidades da Itália e da Sicília, e que, então, desembarcou em Temessa com seus navios. Lá, um de seus marinheiros, estando embriagado, estuprou uma jovem virgem daquela cidade, mas o povo de Temessa o apedrejou até a morte, como punição por aquele ultrage. Ulisses, sem fazer caso de sua morte, embarcou e partiu; mas o espírito do marinheiro apedrejado, querendo vingar-se, começou a matar os habitantes de Temessa implacavelmente, sem poupar idade. Diante de tal perseguição, estavam prontos para desertar à Itália, quando, consultada, a sacerdotisa pítia [1] os proibiu de abandonar Temessa. Ordenou-lhes que, para aplacar a fúria do espírito maligno, seria preciso definir-lhe um santuário, edificando-lhe um templo e ofere

A MARCA DO FANTASMA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Lady Betty Cobbe

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A MARCA DO FANTASMA Lady Betty Cobbe [1] (1735-1792) Tradução de Paulo Soriano   No mês de outubro de 1693, Sir Tristram e Lady Beresford foram visitar sua irmã, Lady Macgill, em Gill Hall, hoje residência de Lorde Clanwilliam. Certa manhã, Sir Tristram levantou-se cedo, deixando Lady Beresford dormindo, e saiu para uma caminhada antes do desjejum.  Quando sua esposa se juntou à mesa muito tarde, sua aparência e suas maneiras embaraçadas atraíram a atenção de todos, especialmente a de seu marido.  Ele, ansiosamente, fez perguntas obre sua saúde e perguntou-lhe, reservadamente, o que havia acontecido com seu pulso, que estava envolvido por uma fita preta bem amarrada em volta dele.  Ela, sinceramente, rogou-lhe que nada mais indagasse naquele momento, ou depois, quanto ao motivo de ela usar a fita no pulso — e passar a usá-la doravante —, "pois", acrescentou ela, "você nunca me verá sem ela."  Ele respondeu: —Já que você insiste com tanta veemênc