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Mostrando postagens de Junho, 2021

A MENDIGA DE LOCARNO - Conto Clássico de Terror - Heinrich von Kleist

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A MENDIGA DE LOCARNO Heinrich von Kleist (1777 — 1811)   Músico, poeta, romancista, contista e dramaturgo, Heinrich von Kleist (1777 — 1811) é um dos grandes nomes do romantismo alemão. Respirou tão ardorosamente a atmosfera trágica de sua escola que protagonizou um dos mais dramáticos e comoventes suicídios da história: às margens do Pequeno Wanse, o poeta atirou no peito de uma companheira de infortúnios que, como ele, ansiava a morte; depois, introduziu o cano da pistola na própria boca e disparou. O atormentado e genial poeta tinha, então, apenas 34 anos. “A Mendiga de Locarno” (“ Das Bettelweib von Locarno ”), historieta de fantasmas, foi publicada originalmente na edição de 11 de outubro de 1810 do periódico Berliner Abendblättern, sendo posteriormente incluída na antologia Histórias (“ Erzählungen "), de 1811.   Em Locarno, na Itália setentrional, ao pé dos Alpes, erguia-se o velho palácio de um marquês. Nos dias de hoje, vindo de São Gotardo, podemos contemplá

A CAMPONESA POSSUÍDA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Catherine Crowe

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  A CAMPONESA POSSUÍDA Catherine Crowe (1803 – 1876) Tradução de Paulo Soriano   No ano de 1830, o Dr. Bardili teve um caso que reputou, decididamente, de possessão. A paciente era uma camponesa de 34 anos, que nunca havia tido qualquer enfermidade, e cujas funções corporais continuavam perfeitamente regulares enquanto os estranhos fenômenos, dos quais falarei, se manifestavam. Devo observar que esta senhora era feliz em seu casamento, tinha três filhos, não era fanática e gozava da excelente reputação de mulher   constante e diligente, quando, sem qualquer aviso ou causa perceptível, ela foi tomada pelas mais extraordinárias convulsões, enquanto de seu interior saía uma estranha voz, que se acreditava ser de um espírito maligno, que anteriormente revestira-se de uma forma humana. Quando esses ataques ocorriam, ela perdia totalmente sua identidade e se tornava uma outra pessoa. Mas, quando voltava a si, recobrava completamente a seu entendimento e personalidade. As blasfê

PETER PLOGOJOWITZ, O VAMPIRO DE KISOLOVA - Narrativa Clássica de Terror - Michael Ranfft

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  PETER PLOGOJOWITZ, O VAMPIRO DE KISOLOVA Michael Ranfft (1700 - 1774)   Peter Plogojowitz, um habitante de uma aldeia na Hungria chamada Kisolova, morto e enterrado há mais de dez anos, apareceu à noite a várias pessoas da aldeia, enquanto dormiam, e pressionou-lhes o pescoço de tal forma que expiraram dentro de vinte e quatro horas. Assim, morreram nada menos que nove pessoas em oito dias. A viúva de Plogojowitz declarou que ela mesma havia sido visitada pelo marido falecido, que lhe aparecera para exigir os seus sapatos.  Aquela aparição a assustou tanto que a mulher deixou Kisolova e foi morar em outro lugar. Estas circunstâncias induziram os habitantes da vila à firme determinação de desenterrar o corpo de Plogojowitz e incinerá-lo, a fim de pôr um basta nessas perniciosas visitas.  Assim, solicitaram ao comandante das tropas do imperador no distrito de Gradisca, no reino da Hungria, e ao encarregado do local, uma licença para exumar o cadáver. Ambos fizeram muitas es

OS CANIBAIS - Conto Clássico de Horror - Álvaro do Carvalhal

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  OS CANIBAIS Álvaro do Carvalhal (1844 – 1868)   CAPÍTULO 1   Disse a crítica pela boca de Boileau: Rien n’est beau que le vrai , e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente dos tempos heroicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas letras. Os Prometeus, os Hércules, os Teseus e as Esfinges, se não desapareceram em pó, lançados aos quatro ventos, é porque era necessário que se conservassem os padrões que deviam guiar o filósofo através dos labirintos do passado. Por isso lá estão firmes ainda em seus pedestais de pedrarias, mas ofuscados pela luz brilhante que só vem da verdade. Todavia não deixarei eu de confessar o amor, que sempre tive por contos de fadas, para que se não estranhem algumas murmurações, acaso fugitivas, no ato de me sacrificar às exigências desta geração pretensiosa. Sacrifico-me. Mas, como não sou dado a transcendências, pois abomino tanto a incógnita dos matemáticos, como a D