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Mostrando postagens de Maio, 2021

SOBRE SER ESCRITOR DO FANTÁSTICO NO BRASIL - Videoentrevista - Adriana Alberti e Tânia Souza

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  SOBRE SER ESCRITOR DO FANTÁSTICO NO BRASIL   Assista à entrevista concedida pela escritora sul-mato grossense Tânia Souza ao canal Expressões do Fantástico , de Adriana Alberti.

A APARIÇÃO NO NAVIO - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Anônimo islandês do séc. XIX

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  A APARIÇÃO NO NAVIO Anônimo islandês do séc. XIX Tradução de Magnus Söndhal (1865-1921)   Robert Bruce nasceu na aldeia do Torbay, no Sul da Inglaterra, filho de pais pobres, mas avós fidalgos. Dedicou-se à vida marítima. Passa-se, o que se segue, em 1828. Tinha ele, então, trinta anos. Era piloto do um grande navio mercante, que viajava entre Liverpool e St. John, em New-Brunswick, na América. Em caminho para o leste, perto de Newfoundland, já com quase seis semanas de navegação, o piloto e o comandante estavam, ao meio-dia, observando a altura, e desceram juntos para calcular a distância percorrida nas últimas 24 horas. Numa repartição da popa estava o gabinete do piloto e, perto da porta da cabine estava o piloto, junto a uma mesa, mergulhado em seus cálculos. Não prestou atenção ao comandante, julgando que este estivesse numa saleta próxima. Por isso, disse ele, em alta voz, mas sem olhar: — Pelo que calculo, a distância é esta. Estará correta? Qual é a sua opiniã

O EREMITA DE SAINT BONNOT - Narrativa Clássica de Terror - Sabine Baring-Gould

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  O EREMITA DE SAINT BONNOT Sabine Baring-Gould (1834–1924) Tradução de Paulo Soriano     Num recanto remoto, próximo ao Amanges, meio envolto nas árvores, havia um pequeno casebre da mais rústica construção: o telhado era de turfa e as paredes tisnadas de líquen. Tinha o jardim devastado, assim como a cerca que o cingia. Como a cabana muito distava de qualquer estrada, e só se chegava a ela por um caminho que cruzava as charnecas e as florestas, raramente era visitada, e o casal que a habitava não era nada inclinado a fazer novo amigos. O homem, Gilles Garnier, era um sujeito sombrio e de mórbida aparência, que caminhava numa postura curvada, e cujo rosto pálido, tez lívida e olhos fundos, recuados sob um par de sobrancelhas espessas, que se uniam na testa, eram bastantes a repelir quem quer que o procurasse. Gilles raramente falava e, quando o fazia, era no mais rude dialeto de sua região. Sua longa barba gris e seus hábitos reclusos lhe renderam o nome de Eremita de St.

EU, ROUBO - Conto de Ficção Científica - Emilio Vilaró

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  EU, ROUBO Emilio Vilaró Tradução de Paulo Soriano   Sou um ladrão comum, de pouca monta, algo melhor que um punguista e bem pior que Rififi ou Jesse James. Mas tenho as minhas regras. Elas não me foram impostas: vieram do que acredito ser bom e justo, apesar do que eu sou: 1. Não roubo de quem tem menos do que eu. 2. Se, no que roubo, encontro coisas que não me servem, trato de devolvê-las. 3. Ao roubar, não destruo algo mais valioso do que aquilo que levo. *** O interessante é que, ao ser assim — ou seja, baseando-me nestas leis —, não tenho problemas com os meus “clientes”. *** No ano de 2045, a sociedade havia chegado ao seu máximo perfeccionismo, e, portanto, a um incrível e tedioso estado. Todos os encantos de tempos passados haviam desaparecido: os acidentes e enfermidades já não mais existiam, mas, lamentavelmente, tampouco havia os vigias, os ladrões, os pregoeiros, os amoladores etc . A vida é agora uma constante mesmice, sem atrativo algum, e isto provoca muitos suicídios.

NAPOLEÃO E O ESPECTRO - Conto Clássico Fantástico - Charlotte Brontë

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NAPOLEÃO E O ESPECTRO Por Charlotte Brontë (1816-1855)    Bem, como estava dizendo, o imperador foi para cama. — Chavalier — disse ele a seu camareiro —, antes que saias, abaixa as cortinas e fecha as janelas do quarto. Chavalier fez o que lhe foi ordenado e, em seguida, tomando o candelabro, saiu. Alguns minutos depois, o imperador sentiu que o travesseiro endurecia, e se ergueu para ajeitá-lo. Ao fazê-lo, escutou um breve farfalhar próximo à cabeceira. Sua majestade aguçou os ouvidos, mas tudo estava em silêncio quando ele voltou a se deitar. Mal havia ele se acomodado numa calma atitude de repouso, sentiu-se incomodado pela sede. Erguendo-se no cotovelo, alcançou um copo de limonada na mesa de cabeceira. Refrescou-se com um longo trago. Quando devolvia o copo à mesinha, um gemido profundo elevou-se a partir de um armário num canto do quarto.  — Quem está aí? — gritou o imperador, lançando mão da pistola. — Fala, ou eu te estouro os miolos! Esta ameaça não produzi

O MORTO-VIVO DO PAÍS DE GALES - Narrativa Clássica de Terror - Walter Map

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  O MORTO-VIVO DO PAÍS DE GALES Walter Map (1140 – c. 1210)   O mais extraordinário acontecimento de que tenho notícia sucedeu no País de Gales. William Laudun, um soldado inglês, robusto em sua força e de comprovada coragem, procurou Gilbert Foliot, que na época era bispo de Hereford, e hoje é o Londres, e disse-lhe:   — Mestre, corro à tua presença em busca de conselhos. Um certo malfeitor galês, um homem ímpio, morreu em minha casa não faz muito tempo. Há quatro dias, ele retorna, a cada noite, da sepultura, e não cessa de invocar, um por um e por seu nome, todos os seus antigos companheiros. Assim que são convocados, os vizinhos adoecem e morrem em três dias, de modo que agora apenas alguns sobrevivem. O bispo, admirado, respondeu: — Deus, por acaso, concedeu ao anjo maligno o poder de fazer com que aquele desgraçado se mantenha inquieto em seu corpo morto. É preciso desenterrar o cadáver, cortar-lhe o pescoço e borrifar o corpo e a sepultura com água benta e, em se

SUA EXCELÊNCIA - Conto Clássico Fantástico - Lima Barreto

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  SUA  EXCELÊNCIA Lima Barreto (1881-1922)     O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro. Desde duas horas estivera a sonhar com aquele momento. Ansiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes. Por isso entrara no  coupé  depressa, sôfrego, sem mesmo reparar se, de fato, era o seu. Vinha cegamente, tangido por sentimentos complexos: orgulho, força, valor, vaidade.  Todo ele era um poço de certeza. Estava certo do seu valor intrínseco; estava certo das suas qualidades extraordinárias e excepcionais. A respeitosa atitude de todos e a deferência universal que o cercava eram nada mais, nada menos que o sinal da convicção geral de ser ele o resumo do país, a encarnação dos seus anseios. Nele viviam os doridos queixumes dos humildes e os espetaculosos desejos dos ricos. As obscuras determinações das cousas, acertadamente, haviam‑no erguido até ali, e mais alto levá‑

EGO TE ABSOLVO - Conto Clássico Cruel - Oscar Wilde

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  EGO TE ABSOLVO Oscar Wilde (1854 – 1900)   I Sob suas boinas azuis, enegrecidas pela pólvora e manchadas pelo pó das estradas, os soldados de Miralles [1] têm a fisionomia de bandidos, com suas peles cor de fuligem, e barbas e cabelos desgrenhados. Arrastam-se há cinco longas semanas pelas estradas, quase sem dormir, quase sem descansar, trocando tiros a qualquer momento, com uma raiva crescente. Não se impuseram aos bandidos liberais? Dom Carlos [2] prometera-lhes, todavia, que, depois dos esforços de Estella [3] , a Espanha seria sua. Têm todos eles sede de vingança e de sangue, e a alegria de vertê-lo é o que os mantêm de pé, por mais cansados e rendidos que se encontrem. Bascos, navarros e catalães, filhos de desterrados que morreram de fome e de miséria em terras estrangeiras, sentem uma raiva feroz daqueles soldados que com eles disputam os caminhos da meseta de Castela — a via dos palácios nos quais juraram restabelecer o legítimo rei —, para então repartir, s