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Mostrando postagens com o rótulo Narrativa Cruel

HOMENS CRUÉIS - Narrativa Clássica Cruel - Valério Máximo

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HOMENS CRUÉIS Valério Máximo (Séc. I)     I. Sula [1]   Não satisfeito com a matança de homens, Sula puxou sua espada contra as mulheres. Isso também era um sinal de sua incrível brutalidade, pois ele fez com que as cabeças das criaturas miseráveis, recém-cortadas, e que mantinham ainda as suas feições e o fôlego, fossem trazidas à sua presença, para que pudesse absorver com os olhos aquilo que não podia devorar com os dentes. E qual não foi a sua cruel conduta para com o pretor Mário, que foi arrastado à vista do povo para o túmulo da família Lutaciano, onde Sula manteve vivo o infeliz homem até que lhe tivesse arrancado os olhos e lhe partido os membros! Relato, agora, coisas que dificilmente parecem críveis. Como M. Pletório desmaiou ao ver a execução de Mário, Sula prontamente o assassinou. Aqui estava alguém que punia a própria piedade: para ele, contemplar a perversidade com aversão era cometer um crime. Mas ele certamente pouparia as sombras dos mortos? Não. Havend...

SUPLÍCIO DOS PRISIONEIROS EM BUCARA - Narrativa Verídica Cruel - Autor anônimo do séc. XIX

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SUPLÍCIO DOS PRISIONEIROS EM BUCARA 1 Autor anônimo do séc. XIX Achei no último corredor trezentos prisioneiros tchandores 2 , absolutamente esfarrapados: esses infelizes, dominados pelo temor de seu próprio suplício — e entregues, além disso, a todas as agonias da fome — pareciam literalmente sair do túmulo. Haviam formado duas seções: na primeira estavam aqueles que, não tendo atingido os quarenta anos, deviam ser vendidos como escravos ou gratuitamente distribuídos pelo khan 3 a suas criaturas; a segunda compreendia aqueles que tinham sido classificados entre os aksakalas 4 , e que ficavam submetidos ao castigo infligido pelo príncipe. Os primeiros, reunidos uns aos outros por meio de coleiras de ferro, em filas de dez a quinze, foram sucessivamente transportados; os outros esperavam, com uma resignação perfeita, que se executasse o aresto passado contra eles. Dir-se-ia carneiros sob o cutelo do carniceiro. Enquanto que muitos dentre eles marchavam, ou para o patíbulo,...

CRIMES E CONFISSÃO - Narrativa Clássica Cruel - Alexandre Dumas

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CRIMES E CONFISSÃO Alexandre Dumas (1802 – 1870) Tradução de Paulo Soriano PRIMEIRO CASO Dominicus Soto, um canonista muito famoso e grande teólogo, confessor de Carlos V, que participou das primeiras assembleias do Concílio de Trento, sob Paulo III, apresentou um caso referente a um homem que havia perdido um papel no qual escrevera os seus pecados. Sucedeu que tal papel caiu nas mãos de um juiz eclesiástico, que quis apresentar uma denúncia contra o autor com base em tal documento. Ora, esse juiz foi justamente punido por seu superior, ao fundamento de que a confissão é tão sagrada que tudo aquilo em que se consubstancia deve sepultar-se em eterno silêncio. Foi em virtude dessa proposição que se pronunciou o seguinte juízo, relatado no Tratado dos Confessores do célebre arcebispo português Rodrigo da Cunha. Um catalão, natural da cidade de Barcelona, ​​que fora condenado à morte por homicídio e declarou-se culpado, recusou-se a confessar quando chegou a hora da execuçã...

A LIBERDADE ROUBADA - Narrativa Clássica Verídica Cruel - Olaudah Equiano

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A LIBERDADE ROUBADA Olaudah Equiano (1745 – 1797) Tradução de Paulo Soriano Enquanto estávamos ancorados, algo crudelíssimo aconteceu a bordo de nossa chalupa e que me encheu de horror, malgrado eu tenha depois descoberto que tais práticas eram frequentes. Havia um jovem mestiço livre, muito inteligente e decente, que há muito navegava conosco. Era ele casado com uma mulher livre, com quem tinha um filho; ela vivia em terra firme e tudo era muito feliz. Nosso capitão e imediato, e outras pessoas a bordo, e várias outras em outros lugares, até mesmo os naturais das Bermudas, sabiam, desde criança, que aquele jovem era livre e que ninguém jamais o reivindicara como propriedade. Contudo, como a força muitas vezes prevalece sobre o direito por estas bandas, aconteceu que um capitão das Bermudas, cujo navio estava atracado ali por alguns dias, subiu a bordo do nosso e, ao ver o mestiço, cujo nome era Joseph Clipson, disse-lhe que ele não era livre e que tinha ordens de seu mestre pa...

A EXECUÇÃO DE RAMIRO DE ORCO - Narrativa Clássica Verídica Cruel - Nicolau Maquiavel

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A EXECUÇÃO DE RAMIRO DE ORCO Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) Tradução anônima Tomada que foi a Romanha, encontrando-a dirigida por senhores impotentes, os quais mais depressa haviam espoliado os seus súditos do que os tinham governado, dando-lhes motivo de desunião ao invés de união, tanto que aquela província era toda ela cheia de latrocínios, de brigas e de tantas outras causas de insolência, o duque [César Bórgia] julgou necessário, para torná-la pacífica e obediente ao poder real, dar-lhe bom governo. Por isso, aí colocou Ramiro de Orco, homem cruel e solícito, ao qual deu os mais amplos poderes. Este, em pouco tempo, tornou-a pacífica e unida, com mui grande reputação. Depois, entendeu o duque não ser necessária tão excessiva autoridade, e isso porque não duvidava pudesse vir a mesma a tornar-se odiosa; instalou um juízo civil no centro da província, com um presidente excelentíssimo, onde cada cidade tinha o seu advogado. E, porque sabia que os rigorismos passados tin...

O MASSACRE DE JUDEUS EM LISBOA - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Damião de Góis

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O MASSACRE DE JUDEUS EM LISBOA Damião de Góis (1502 – 1574) … Nestes dous capítulos, que são os derradeiros dessa primeira parte, tratarei de um tumulto e alevantamento que se, aos dez e nove dias deste ano de mil e quinhentos e seis em Domingo de Pascoela 1 , fez em Lisboa contra os cristãos-novos que foi pela maneira seguinte. No mosteiro de São Domingos da dita cidade está a que chamam JESU, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, conquanto os que se na igreja acharam julgavam ser o contrário, dos quais um Cristão-novo dixe que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta ao lado da imagem de JESU, o que ouvindo, alguns homens de baixos o tiraram pelos cabelos arrasto fora da igreja e o mataram e queimaram logo o corpo no Ressio 2 . Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação, convocando-o contra os cristãos-novos; após o que, saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos, bradando: “Heresia! H...

AS IMIGRANTES - Narrativa Clássica Cruel - Iracema

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AS IMIGRANTES (Crônica) Iracema  (1875 – 1941) Os países novos, como o nosso, são como grandes hospedarias onde vive reunida gente a mais diversa, chegada dos pontos mais longínquos. Na vida, para nós quase sempre misteriosa, do imigrante, há frequentemente uma razão dramática a impeli-lo à expatriação. A miséria e a ambição trazem-nos as grandes legiões humildes dos camponeses e dos operários, gente de campo e de fábrica. Mas os outros? Há os imigrados políticos, os que se sacrificam a abandonar a pátria para guardar, intacta, a sua fé, como Rybeirolles 1 , como os artistas franceses que D. João VI contratou para inaugurar o ensino das Belas Artes. Ha os polacos e os judeus, que fogem às perseguições da Rússia, e os sírios católicos, que fogem dos morticínios da Turquia. Mas há também os criminosos evadidos dos cárceres e afugentados pela polícia e aqueles que nunca cometeram delitos, vítimas dolorosas de seu destino, que vão procurar em paragens distantes, sob um céu novo, n...

AMOR CRUEL - Narrativa Clássica de Horror - Autor anônimo do séc. XVIII

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AMOR CRUEL Autor anônimo do séc. XVIII A presente narrativa, que o editor lusitano pretende verídica, é uma das mais antigas histórias de horror publicadas em periódico de língua portuguesa. Veio a lume no Hebdomadario Lisbonense , cujas páginas iniciais eram dedicadas a efemérides vinculadas geralmente ao dia do mês e ano da publicação do exemplar. Maomé 1 , imperador dos turcos, tinha no seu serralho 2 uma sultana a quem tão cegamente amava, que esquecido totalmente do seu império, só se lembrava estar na companhia desta fermosura, que na verdade o era em extremo, e chegou a tanto o seu descuido, que era muito murmurado por todos os seus vassalos, e chegando-lhe a noticia a liberdade com que dele falavam todos, o obrigou a convocá-los na sala imperial do seu palácio aos principais dos seus grandes, e estando juntos saiu de uma casa interior trazendo pela mão a dita sultana coberta de um véu, e em pé disse a todos: Se i que murmur ais d e mim, porque totalmente me es q...

UMA FERA HUMANA - Narrativa Verídica de Horror - Autor anônimo do séc. XIX

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UMA FERA HUMANA Autor anônimo do séc. XIX Um indivíduo chamado Caledonio Mesa, sujeito de instintos ferozes e que mais de uma vez teve que arranjar contas com a Justiça, habitava recentemente na campanha de Tapalqui. Na tarde do último dia de janeiro, Mesa saiu de um racho, onde vivia em companha de sua mulher e um filhinho de seis meses, para assistir a umas carreiras que tinham lugar neste dia, a pouca distância de casa. Afastou-se ele de sua casa, como sempre acompanhado de seu facão e montado em seu cavalo oveiro. Assistiu às carreiras, onde por dúvidas em uma aposta trocou palavras com outro paisano, palavras que bem depressa trocaram-se em luta sanguinolenta. Pouco momentos depois, o antagonista de Mesa caiu com o peito crivado de punhaladas. Mesa montou em seu oveiro e se afastou rapidamente do lugar, chegando à sua casa com a agitação do crime e a razão alterada pelo álcool que tinha tomado nas carreiras, entrou terrível no seu rancho, onde principiou a acomodar alg...