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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

O CORAÇÃO DELATOR. Conto clássico de terror. Edgar Allan Poe

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O CORAÇÃO DELATOR Edgar Allan Pöe Tradução de S. de M. Sim! Sou muito nervoso, terrivelmente nervoso, mesmo ― e sempre o fui; mas por que me supõem louco? A doença tornou mais aguçados os meus sentidos ― não os destruiu, não os embotou. Mais do que os outros, tenho uma audição aguçadíssima. Ouço admiravelmente bem todos os sons produzidos no céu e na terra. Tenho ouvido até muitas coisas do inferno. Como posso, pois, ser um louco? Atenção! Reparem bem com que perfeita lucidez, com que tranquilidade de espírito eu vou contar-lhes toda a história. Ser-me-ia completamente impossível dizer-lhes como primitivamente a ideia entrou no meu cérebro; mas, uma vez concebida, nunca mais me abandonou, noite e dia. Fim, não tinha algum. A paixão foi estranha ao caso, por completo. Eu estimava deveras o pobre velho, que nunca me fizera o menor mal, que nunca me insultara. Nem mesmo invejava o seu dinheiro. Creio que foi o seu olho! Sim foi isso, decerto! Um dos olhos dele parecia os

UM EPISÓDIO INFAME - Narrativa de horror. Narrativa histórica. Autor anônimo do século XX.

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UM EPISÓDIO INFAME Autor anônimo do século XX Uma manhã, os cossacos de Yaremni receberam a notícia de que os guardas vermelhos avançavam. Como não se sentissem suficientemente fortes para o combate, decidiram abandonar o povo. Temiam ser fuzilados sumariamente como soldados inimigos.   — E as mulheres e as crianças? — perguntava-se.   Ao fim de muitas horas, gastas em deliberações, todas infrutíferas, ficou resolvido que deixariam o povo, as mulheres e as crianças. Todos refletiam que não fariam mal nenhum às pessoas indefesas.   Retiram-se, pois, os cossacos.   Na manhã do dia seguinte, apareceu uma centena de vermelhos, comandados por um homem gordo e imbecil, que era o comissário. O povo parecia morto. Todas as mulheres e crianças haviam-se recolhido às casas e a cidade não tinha o menor movimento. Os vermelhos esperaram cinco minutos. Como não aparecesse ninguém ao cabo desse tempo, eles deram início ao saque das casas. Nas adegas, embriagavam-se com todo

CÓPULAS DEMONÍACAS - Conto Clássico - Conto Fantástico - Conto Humorístico - Poggio Bracciolini

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CÓPULAS DEMONÍACAS Poggio Bracciolini (1380 – 1459) Tradução (indireta) de Paulo Soriano I De um homem que viu o diabo sob a forma de mulher Cêncio, romano, que era um homem muito sábio, contou-me muitas vezes uma história, que não deve ser tomada por troça, a qual um seu vizinho, que não era nenhum néscio, dissera que sucedera com ele. Ei-la: Certa feita, levantou- se o vizinho da cama, sob o brilho da lua. E , porque a noite era serena, julgou que já amanhecia. Então, saiu para ir à sua vinha, já que é costume, entre os romanos, cultivá-la com amor. Ao sair pela porta de Ó stia — e, para sair , teve que rezar para que os guardiões que a abri ssem —, notou uma mulher que seguia à sua frente. Considerou que ela assim seguia por devoção a São Paulo. Então, ardendo de grande desejo, acelerou o passo para alcançá-la. Po rque a mulher estava sozinha, concluiu que poderia persuadi-la facilmente . Ao aproximar-se, viu que a mulher, aba

UM CAVALEIRO NO CÉU - Conto Clássico - Conto Fantástico - Ambrose Bierce

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UM CAVALEIRO NO CÉU Ambrose Bierce (1842 – 1914?) Tradução de Renato Suttana     1 Por uma tarde ensolarada do outono de 1861, um soldado jazia deitado em meio a uma moita de loureiros junto a certa estrada no oeste de Virgínia. Estava deitado de bruços, as pontas dos pés tocando o chão, a cabeça apoiada no antebraço esquerdo. A mão direita, estendida, segurava frouxamente o rifle. Porém, dada a disposição algo metódica de seus membros, e um vago movimento rítmico da cartucheira no dorso do cinturão, se poderia pensar que estivesse morto. Dormia em seu posto de vigilância. No entanto, se detectado, morreria imediatamente, sendo a morte a penalidade legal para esse crime.    A moita de loureiros na qual jazia o criminoso situava-se no ângulo de uma estrada que, após ascender a pino em direção ao sul até aquele ponto, dobrava bruscamente para oeste, correndo sobre a crista por talvez uma centena de jardas. Daí virava para o sul outra vez e ziguezagueava para

O FANTASMA - Conto Fantástico - Mauren Guedes Müller

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O FANTASMA Por Mauren Guedes Müller Alberto ouviu a voz grave de seu pai dizer, no tom severo a que se acostumara: – Levante-se! Abriu os olhos e sentou-se na cama. Olhou em volta. Não havia ninguém com ele no quarto, o que não era surpresa, já que seu pai não poderia ter-lhe falado. Afinal, estava morto há cinco anos. Mas foi surpresa, ao menos por alguns instantes, a percepção do lugar onde se encontrava. Até que concatenou um pouco as ideias e se lembrou de haver-se hospedado naquele motel barato, embora ainda estivesse confuso e não se lembrasse de por que o fizera. Alberto se levantou e se vestiu. Sentia muita sede. Foi até o banheiro, onde encontrou um copo, encheu-o na torneira e bebeu de um gole só. Repetiu o procedimento mais três vezes. Saiu do quarto, trancou-o e passou pela portaria do motel, largando a chave sobre o balcão. O atendente estava ao telefone e não lhe dirigiu a palavra, sequer o olhou. Alberto saiu para a rua e consultou o reló