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Mostrando postagens de Março, 2022

AVENTURA INCOMPREENSÍVEL - Conto Clássico de Terror - Marquês de Sade

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  AVENTURA INCOMPREENSÍVEL Marquês de Sade (1740 — 1814) Tradução de Paulo Soriano   Um periódico de 1799 assim se referia ao Marquês de Sade: “Só o nome deste escritor infame exala um odor cadavérico, que mata a virtude e inspira o horror. É o autor de ‘Justine ou as Desgraças da Virtude’. O coração mais depravado, a mente mais degenerada, a imaginação mais estranhamente obscena não são susceptíveis de conceber algo que ofenda tanto a razão, o pudor, a humanidade.” Embora tenha-se notabilizado por contos e novelas licenciosos, o Marquês de Sade (1740 — 1814) deixou algumas narrativas fantásticas. Em “Aventura Incompreensível” (cujo título completo é “Aventura Incompreensível Atestada por toda uma Província”), história escrita em 1788 — cerca de 18 anos antes publicação da primeira parte do “Fausto”, de Goethe —, Sade explora o tema da venda da alma ao Diabo em troca de uma vida plena de riqueza (e, aqui, libertinagem), com suas terríveis (e sangrentas) consequências quando chegada a h

INFERNO - Conto Fantástico Humorísitco - Ricardo Manzanaro

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  INFERNO Ricardo Manzanaro Tradução de Paulo Soriano   Um segundo após a sua morte, Roberto levou um terrível choque ao descobrir aonde fora parar. Um calor insuportável atacou a sua fisiologia, enquanto línguas de fogo enchiam o espaço visual e gritos horríveis o sonoro. Ele estava no Inferno. Então viu vários indivíduos estranhos sobre um pedestal. Torturavam impiedosamente um outro, que se contorcia de dor e emitia gritos horripilantes. Após alguns minutos de queima, esfaqueamento e espancamento daquele pobre ser, Roberto ficou chocado ao descobrir o que se estava acontecendo. Era um grupo de seres humanos torturando um demônio. Eles tinham dominado Satanás e todos os demônios. Eram muito piores e mais sádicos do que aqueles.  

A SEGUNDA CHANCE - Narrativa Clássica Sobrenatural - Thomas Bromhall

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  A SEGUNDA CHANCE Thomas Bromhall (Séc. XVII) Tradução de Paulo Soriano   Conta-se que um cavalheiro da Baviera, da mais nobre estirpe, ficou tão aflito pela morte da esposa que, rejeitando qualquer consolo, se entregou a uma vida solitária. Por fim, enquanto se lamentava desenfreadamente, a sua esposa, ressuscitada dos mortos, apareceu-lhe à noite e disse-lhe que, de fato, havia concluído seu curso natural nesta vida, mas que, devido ao aos seus insistentes lamentos, tivera a vida restaurada. Por concessão divina, poderia novamente desfrutar do vínculo conjugal, mas sob a condi çã o de que deveriam os esposos celebrar um novo casamento, presidido por um padre. Além disso, o marido deveria abster-se de todas as injúrias e palavras blasfemas que costumeiramente empregava, pois, em verdade, esta foi a principal — ou única — causa pela qual o varão havia sido privado de sua mulher.   Todavia, acaso ele proferisse qualquer palavra dessa natureza, a esposa despedir-se-ia im

DOENTE - Conto Humorístico de Ficção Científica - Ricardo Manzanaro

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  DOENTE Ricardo Manzanaro Tradução de Paulo Soriano   Alberto achava que tinha uma nova doença para acrescentar à sua coleção: a síndrome de ansiedade depressiva. Ele estava destroçado. Seu ânimo estava na altura da Fossa das Marianas. Alberto não aguentava mais. O Destino, Deus ou algum alinhamento estelar o haviam condenado a uma vida de tortura. Ele terminaria mais cedo a contagem dos órgãos de seu corpo que ainda funcionavam adequadamente do que se o fizesse com aqueles que sofriam de alguma patologia. Sua vida era uma sucessão infinita de desconfortos. Naquele instante, estava à frente de seu médico de família, a quem tratava como se fosse um parente. O rosto e o tom de voz de Alberto são o exemplo mais diáfano de desespero e cansaço. Ele não cessava de pronunciar a frase "não aguento mais". Por isso, naquele momento, pedia ao médico visitante para ser encaminhado a um psiquiatra. Mas, quando o médico começou a falar, o conteúdo de suas palavras tomou um r

O LADRÃO SAGAZ - Narrativa Clássica Macabra - Heródoto

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O LADRÃO SAGAZ Heródoto (c. 485 a.C. – c. 425 a.C.)   Rhampsinitos, rei do Egito, acumulou uma tão grande riqueza em prata que nenhum dos reis que vieram depois puderam superar ou, mesmo, ombrear-lhe a opulência. Esse rei, desejando conservar sua riqueza em segurança, mandou construir uma câmara de pedra e uma de suas paredes projetava-se além das muralhas de seu palácio. O construtor da câmara de tesouros dispôs uma das pedras de tal maneira que poderia ser retirada facilmente da parede por dois homens ou mesmo por apenas um. Concluída a câmara, o rei nela entesourou as suas riquezas. Depois de algum tempo, o construtor, sentindo a aproximação da morte, chamou os seus filhos, que eram dois, e contou-lhes sobre a pedra, cuja disposição fora feita para beneficiá-los. Acedendo à câmara, poderiam desfrutar de amplos meios de vida. E, havendo-lhes claramente instruído sobre tudo o que dizia respeito à retirada da pedra, disse-lhe que, se atinassem àquelas instruções, teriam

O QUARTO ASSOMBRADO - Conto Clássico de Mistério - Joseph Taylor

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O QUARTO ASSOMBRADO Joseph Taylor (Séc. XIX)   Um jovem cavalheiro viajou de Londres para o Oeste da Inglaterra para visitar um mui digno gentil-homem, de quem tinha a honra de ser parente. Sucede que a casa do cavalheiro estava, naquela época, mito cheia, por conta do casamento de um parente, que ultimamente ali vivia. O senhor da casa, portanto, disse ao jovem visitante que estava muito feliz em vê-lo, e que ele era muito bem-vindo. — Mas — disse ele — não sei o que fazer para alojá-lo. Por causa do casamento de meu primo, não restou um quarto livre na casa, exceto um. O quarto remanescente é, todavia, assombrado. Mas, se você quiser deitar-se lá, encontrará uma cama muito confortável e todas as outras comodidades de que precisa. — O senhor — respondeu o jovem cavalheiro — muito me apraz deixando-me dormir em tal quarto, pois muitas vezes cobicei estar em um lugar assombrado. O cavalheiro, muito contente porque o seu parente estava deveras satisfeito com suas acomod

O CADÁVER POSSUÍDO - Narrativa Clássica de Terror - Thomas Bromhall

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  O CADÁVER POSSUÍDO Thomas Bromhall (Séc. XVII) Tradução de Paulo Soriano   No ano de 1567, em Trawtenaw, numa cidade da Boêmia, havia um certo homem que acumulou grande riqueza e ergueu edifícios famosos. Fora tão afortunado em seus empreendimentos que todos o admiravam. Por fim, adoeceu, morreu e foi enterrado com muita honra. Pouco tempo depois de sua morte e sepultamento, seu corpo (ou melhor, um demônio, que, por seu poder diabólico, carregava seu corpo por toda parte) apertou e abraçou muitos homens tão estreitamente, que muitos deles adoeceram e morreram. Todavia, alguns dos que se recuperaram confessaram, em uníssono, que haviam sido tocados e abraçados por esse homem rico, que conservava o mesmo hábito que tivera em vida. Portanto, o governador daquela comuna, para que aquele espectro pudesse ser detido e reprimido, ordenou que se lhe abrisse a sepultura e o exumasse. Embora o corpo estivesse enterrado por cerca 20 semanas, não estava corrompido; ao contrário,

O GIZ MÁGICO - Audiconto de Terror - Edu Berdague

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  O GIZ MÁGICO Audioconto de Edu Berdague   O jovem Otávio e a mãe sofrem nas mãos de um padrasto violento e, ao conversar com um estranho, o garoto recebe um objeto mágico que poderá mudar tudo. Que consequências esse objeto trará? Assista a outros vídeos do canal Sombras Noturnas clicando aqui .

O CORAÇÃO DEVORADO - Conto Clássico de Horror - Giovanni Boccaccio

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O CORAÇÃO DEVORADO Giovanni Boccaccio (1313 – 1375) Tradução de Paulo Soriano     Havia na Provença, há muito tempo, dois nobres cavaleiros, cada um dos quais senhor de castelo e vassalos. Um se chamava Messer Guiglielmo de Rossiglione e o outro Messer Guiglielmo Guardastagno. E porque eram assaz destros com as armas, muito queriam um ao outro e tinham o costume de ir sempre juntos aos torneios, às justas ou a outros feitos d’armas, sob o mesmo estandarte. E, malgrado cada um vivesse em seu próprio castelo, que distava do outro mais de dez milhas, sucedeu que, tendo Messer Guiglielmo de Rossiglione por mulher uma dama belíssima e atraente, Messer Guiglielmo Guardastagno, apesar do companheirismo e da amizade que havia entre eles, apaixonou-se pela esposa do amigo. E, assim, com um ou outro gesto significativo, fez com que a dama percebesse o que por ela sentia. Ela, ciente que ele era um cavaleiro muito corajoso, aprouve-se daquilo, e dele enamorou-se a tal ponto que não

VAMPIROS DA HUNGRIA (RELATOS VERÍDICOS) - Narrativa Clássica de Terror - Charles Nodier

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  VAMPIROS DA HUNGRIA (RELATOS VERÍDICOS) Charles Nodier (1870 – 1844) Tradução de Paulo Soriano      Um soldado húngaro estava hospedado na casa de um camponês da fronteira. Certo dia, quando comiam juntos, o soldado viu entrar um desconhecido que se sentou à mesa, junto a eles. O camponês e sua família ficaram aterrorizados com tal visita. Já o militar, que ignorava o que se passava, não sabia a que atribuir o pavor que assediava essas boas pessoas. Mas, no dia seguinte, quando encontraram o dono da casa morto sobre a cama, o soldado soube que fora o pai de seu anfitrião – este último morto e enterrado há dez anos –, que tinha vindo sentar-se à mesa, ao lado de seu filho, e desta forma lhe havia anunciado e causado a morte. O militar participou ao seu regimento o acontecido. Os generais enviaram um capitão, um cirurgião, um auditor e alguns oficiais para investigar o fato. As pessoas da casa e os habitantes da vila declararam que o pai do camponês havia voltado pa

UMA VISÃO PRODIGIOSA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Pierre Boaistuau

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  UMA VISÃO PRODIGIOSA Pierre Boaistuau (c. 1517 – 1566)   Havia na Arcádia dois jovens cujos temperamentos e costumes eram tão semelhantes que parecia que ambos os rapazes comungavam quase sempre de uma mesma vontade. E eles gostavam imensamente um do outro. E aconteceu que, certo dia, eles se reuniram em Mégara, uma cidade da Grécia, atendendo a uma oferta de negócios. Um deles foi acolhido na casa de um conhecido e o outro ficou hospedado numa estalagem comum. O que ficou na casa do amigo, depois de cear, sentindo um intenso sono, retirou-se para dormir. E, tendo repousado por duas horas, despertou em sobressalto, assombrado por um sonho terrível. Nele, viu, diante de si, o seu amigo e companheiro, que se mostrava muito aflito e necessitado, e lhe pedia o favor de defendê-lo do estalajadeiro que, para roubá-lo, o atacava. Naquele instante, deu crédito à revelação daquele sonho: levantou-se às pressas para ir ao lugar onde estava o amigo; mas, detendo-se, suspeitou que

ONDE NADA ACONTECE - Conto de Terror - Clara Madruga Lautert

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ONDE NADA ACONTECE (Clara Madruga Lautert – classificada no Concurso Literário Bram Stoker de Contos de Terror)     Nada ousava acontecer ali. As casas espaçadas com os tetos de telha irregular abrigavam famílias de no máximo seis indivíduos e no mínimo três. Pessoas que se conformavam em passar as tardes ensolaradas de domingo jogando longas partidas de carta na varanda. Mas, dia após dia, quando anoitecia, uma neblina estranha abraçava tudo a sua volta, eles entravam em seus domicílios e, sem fazer perguntas, se deitavam em suas camas. Era fácil viver ali. Quase ninguém sabia o nome daquele lugar, ele era pequeno demais. Às vezes, viajantes que iam de uma cidade a outra, para ver algum parente ou passar as férias, passavam por ali. Às vezes, alguém perguntava seu nome e ninguém sabia responder, então não perguntavam mais nada, porque jamais alguém se importou, para começo de conversa. Mesmo que todas as famílias tivessem pelo menos um, ninguém usava carros, eles não pr