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Mostrando postagens de Outubro, 2021

A BRUXA FANTASMA - Conto Clássico de Terror - Bob W. Holland

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  A BRUXA FANTASMA Bob W. Holland (1868 – 1932) Tradução de Paulo Soriano   Certa noite, num velho castelo, a conversa girava em torno de aparições fantasmagóricas, e cada um dos participantes contava a sua uma história. À medida que os relatos ficavam mais terríveis, as jovens mais se aconchegavam. — Você já teve uma aventura com um fantasma? — elas me perguntaram. — Conhece uma história que nos faça estremecer? Vamos, conte-nos alguma coisa! — Estou bastante disposto a atendê-las — respondi.  — Vou contar-lhes um incidente acontecido comigo. No final do outono de 1858, visitei um de meus amigos, subprefeito de uma cidadezinha no centro da França. Albert era um velho companheiro de minha juventude e eu estivera presente no seu casamento. Sua encantadora mulher era cheia de bondade e graça. Meu amigo queria mostrar-me seu lar feliz e me apresentar às suas duas lindas filhinhas.  Fui muito bem acolhido e recebi um ótimo tratamento. Três dias depois da minha chegada, eu j

O VIOLADOR DE SEPULTURAS - Narrativa Clássica de Horror - Sabine Baring-Gould

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O VIOLADOR DE SEPULTURAS Sabine Baring-Gould (1834–1924) Tradução de Paulo Soriano   No outono de 1848, vários cemitérios na vizinhança de Paris foram alvo de invasões noturnas e túmulos foram profanados. Aquilo não era façanha de estudantes de medicina, pois os corpos não haviam sido levados, senão deixados ali mesmo, espalhados sobre os túmulos fragmentados. A princípio, supôs-se que essas ações ultrajantes eram obra de algum animal selvagem, mas pegadas na terra macia não deixavam dúvidas de que um homem fizera aquilo. Redobrou-se a vigilância no cemitério do Père la Chaise; mas, depois que alguns cadáveres foram mutilados ali, as violações cessaram. No inverno, outro cemitério foi vilipendiado e somente em março de 1849 uma spiring gun [1] , que havia sido armada no cemitério de Monteparnasse, disparou durante à noite, avisando os vigias de que o misterioso visitante havia caído na armadilha. Correram para o local para vislumbrar apenas uma sombria silhueta, envolta n

PULSEIRA VERMELHA - Conto de Terror - Marcy Marques

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PULSEIRA VERMELHA Marcy Marques   Sou médico, trabalho em um hospital público, o hospital não é especializado, recebe os mais diversos pacientes nas mais diversas ocorrências. Costumeiramente trabalho até tarde, madrugada adentro. As equipes de enfermeiro e limpeza entram e saem, muitas vezes em meu turno. Acontece que numa noite dessas, já cansado de um turno de doze horas ininterruptas, chega uma ajuda. Tratava-se de uma paciente bem restabelecida, quase de alta, por assim dizer. — Boa noite, doutor, posso ajudar? — Oi, querida, aceito sim. Afinal, parece que todos os enfermeiros desapareceram. Acabou de chegar um paciente muito machucado devido uma queda de motocicleta. — Pois não, doutor, o que posso fazer? — Os enfermeiros da ambulância já o deixaram na maca e se foram, vamos levá-lo para a sala de primeiros socorros e vamos limpá-lo. Assim foram feitos os primeiros procedimentos no rapaz. Limpo, o levamos para um quarto. — Querida, só mais um favor. — Pois

NA FLORESTA DE VILLEFÈRRE - Conto Clássico de Terror - Robert. E. Howard

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  NA FLORESTA DE VILLEFÈRRE Robert. E. Howard (1906 — 1936) Tradução de Paulo Soriano     Diziam os aldeões que um lobisomem habitava a floresta de Villefèrre. À noite, um mensageiro atrai a perigosa companhia, naqueles bosques sombrios, de um ente misterioso e assustador. “Na Floresta de Villefèrre” é uma breve história de lobisomens — que tem no conto longo “Cabeça de Lobo” a sua continuação — de Robert E. Howard (1906 — 1936), um ás do terror e da fantasia, conhecido sobretudo pela sua mais notável criação: Conan o Bárbaro. Amigo de admirador de Lovecraft, Howard criou o gênero “espada e feitiçaria”, exercendo significativa influência em J. R. R. Tolkien e George R. R. Martin. Howard suicidou-se aos 30 anos de idade.   O Sol se punha. As imensas sombras se alongavam rapidamente pela floresta. Naquele estranho crepúsculo de um dia de final de verão, eu vi, à minha frente, a sinuosa senda que desaparecia entre árvores imensas. Eu estremeci e olhei por sobre o ombro, am

POSSESSÃO ANIMAL - Conto Clássico de Horror - Casimir Puichaud

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  POSSESSÃO ANIMAL Casimir Puichaud (1853 – 19...?)   Certos animais são possuídos pelo diabo em determinadas épocas. Na noite do Carnaval, os gatos se reúnem no Ormeau Robinet, um cruzamento mais conhecido pelo nome de Timbre aux Chats , porque há um timbre , ou seja, um cocho, neste local, para o uso dos gatos. É feito de granito. L'Ormeau Robinet está no cruzamento, sobre a rota de Chapelle-Saint-Laurent em Moncoutant, da antiga estrada para Pugny e da estrada oposta, que se perde campo adentro. Na noite de Carnaval, o timbre dos gato — um presente dado pelo diabo — é usado pelo demo para seus festins diabólicos. Cada um dos felinos da região ali deposita a comida que conseguira roubar de seus donos. Um gnomo fornece o resto do banquete. Durante toda a noite, o ar treme com seus miados sinistros e o som de seu mastigado. Ai de quem os perturbasse: num piscar de olhos, suas garras afiadas rasgariam o incauto e seus dentes afiados o devorariam! Muitos agricultores, c

HOMO DUPLEX - Narrativa Clássica Sobrenatural - Honoré de Balzac

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  HOMO DUPLEX (Excerto do romance “Louis Lambert”) Honoré de Balzac (1799–1850) Tradução de Paulo Soriano   Como a leitura dos livros era proibida, dedicávamos as nossas horas de reclusão, principalmente, às discussões metafísicas ou à narrativa de fatos singulares ligados aos fenômenos da mente. Um dos fatos mais extraordinários é, certamente, o que irei relatar, não só porque diz respeito a Lambert, mas, também, porque talvez o incidente tenha decidido seu destino científico. Segundo o estatuto dos colégios, domingo e quinta-feira eram nossos dias de folga; mas os serviços religiosos, aos quais comparecíamos com regularidade, tomavam tão completamente os domingos que considerávamos a quinta-feira como nosso único dia livre. Terminada a missa, tivemos tempo suficiente para fazer uma longa caminhada campestre ao redor de Vendôme. O solar Rochambeau foi o objeto da mais interessante das nossas excursões, talvez devido à sua distância. Raramente os garotos faziam uma excu

CANIBALISMO EM PARIS - Narrativa Clássica de Horror - Amédée de Ponthieu

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CANIBALISMO EM PARIS Amédée de Ponthieu (Séc. XIX) Tradução de Paulo Soriano   A casa dos Marmousets foi arrasada por decreto do parlamento, em razão de um crime famoso nos anais de Paris. Na casa, que compunha a esquina da rue des Marmousets com a dos Deux-Hermites , via-se pendurada a tabuleta de um barbeiro judeu. Seu vizinho era um chefe pasteleiro. Dentre os que ingressavam na barbearia, vários não saíam. Quando o barbeiro lidava com clientes com considerável excesso de peso, ou de tenra idade, em vez de rapá-los, ele empregava um balancim que os enviava ao fundo de um porão. Lá, eles eram mortos e, depois, entregues, ainda quentes, ao sócio — o pasteleiro vizinho —, que vendia patês de renomada delicadeza à clientela. Esta, sem o saber, praticava o canibalismo. Sucede que o cão de um cliente, que jamais saíra da barbearia, insistiu em ficar na porta, esperando o seu dono. Não importava o quanto o arredassem dali, pois ele sempre voltava, e lá proferia uivos lastimáveis. A mulher

O MONGE DOS ÉTANGS-BRISSES - Conto Clássico de Terror - George Sand

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O MONGE DOS ÉTANGS-BRISSES George Sand (1804 – 1876) Tradução de Paulo Soriano   Acautelem-se os transeuntes que, aos últimos raios do Sol, caminham pelos pântanos, pois o monge gigantesco se ergue repentinamente do meio dos juncos. Fujam e não deem ouvidos aos seus malditos discursos! Maurice Sand.   Jeanne e Pierre se demoraram um domingo ao longo dos Étangs-Brisses. Não é um lugar alegre, sobretudo à noite. Depois de passar pelo bosque, chega-se a um grande planalto descampado, onde só existem juncos e areia. Há grandes poças d’água que se encontram na estação das chuvas e formam um lago cujo fundo parece totalmente negro. Outrora, por enveredar por uma estradinha muito estreita e coberta d’água, um monge perverso, tomado pelo vinho, ali se afogou com seu burro. Não o tinha derrubado o burro, que ninguém jamais ouvira sequer zurrar. Mas o monge libertino estava condenado a sentir as dores da morte e a angústia de sua última hora enquanto houvesse uma gota d'água nos Étangs-Briss