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Mostrando postagens de Outubro, 2021

A MÃE DEFUNTA - Conto Clássico de Terror - Aleksandr Afanassiev

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A MÃE DEFUNTA Aleksandr Afanassiev (1826 – 1871)   Em certa aldeia viviam — amorosa e pacificamente felizes — marido e mulher. Todos os vizinhos os invejavam. A presença daquele casal era aprazível à gente honesta. Bem, a senhora deu à luz um filho. Todavia, logo após o nascimento da criança, ela morreu. O pobre mujique [1] chorava e gemia. Desesperava-o, sobretudo, o destino da criancinha. Como iria alimentá-la agora? Como educá-lo sem a mãe? Naquelas circunstâncias, ele fez a melhor escolha: contratou uma velha ama para cuidar do bebê. Mas algo extraordinário acontecia! Durante todo o dia, o bebê nada comia e nada fazia além de chorar. Não havia como acalmá-lo. Mas, durante boa parte da noite, podia-se imaginar que ele nem estava em seu berço, de tão silencioso e pacífico que era o seu sono. — Mas o que é que está acontecendo? — pensava a velha ama. —Se eu ficar acordada esta noite, talvez descubra. Bem, somente à meia-noite a ama ouviu alguém abrir silenciosamente a por

O PÉ DE ZIMBRO - Conto Clássico de Horror - Imãos Grimm

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  O PÉ DE ZIMBRO Irmãos Grimm (Jacob Grimm [1785 – 1863] e Wilhelm Grimm [1786 – 1859])   Há muito, muito tempo — algo como dois mil anos — vivia um homem muito rico que tinha uma mulher tão bela quanto piedosa. Eles se amavam ternamente, mas não tinham filhos, embora muito desejassem tê-los. A mulher rezava aos céus, dia e noite, implorando para ter filhos. Mas os filhos não vinham. Frente à casa onde vivia o casal, num pátio, crescia um pé de zimbro e, num dia de inverno, em que a mulher estava sobre ele, descascando uma maçã, cortou um dedo e o sangue caiu na neve. — Ah! — exclamou a mulher, soltando um suspiro profundo. E, ao olhar o sangue, caiu em grande tristeza. — Ah, seu eu tivesse um filho vermelhinho como o sangue e branquinho como esta neve! E, ao dizer estas palavras, sentiu de repente em seu imo uma grande alegria. Teve o pressentimento de que algo de inesperado iria acontecer. Ela voltou para casa. Um mês se passou e a neve derreteu. Dois meses se passaram

O CADÁVER REJEITADO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Dieudonné

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O CADÁVER REJEITADO Dieudonné, Bispo de Cahors, França [1] (Séc. XI)   Um cavalheiro de nossa diocese morreu em estado de excomunhão. Eu não quis ceder aos reiterados apelos de seus amigos, que me suplicavam que o absolvesse. Queria dar um exemplar castigo que servisse de advertência aos demais. Por conseguinte, o cavalheiro foi sepultado por alguns gentis-homens sem as cerimônias eclesiásticas, e sem a permissão e a assistência dos sacerdotes, numa igreja em ruínas outrora dedicada a São Pedro. No dia seguinte, de manhã, encontraram o seu cadáver arrojado a alguma distância da sepultura, que estava intacta, sem qualquer indício de haver sido violada. Os cavalheiros que o haviam sepultado só encontraram no sepulcro os lençóis mortuários, nos quais o corpo havia sido envolvido. Puseram-no novamente na cova, cobrindo a lousa com uma enorme quantidade de terra e pedras. No dia seguinte, encontraram mais uma vez o cadáver fora de seu sepulcro, sem qualquer evidência de que algum ser humano

O ABADE E O DIABO - Conto Clássico Fantástico - Anônimo do séc. XIX

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  O ABADE E O DIABO (Lenda Galega) Anônimo do séc. XIX Tradução de Paulo Soriano   Era uma vez um abade, um grande servo de Deus, cujas virtudes perturbavam muito o Diabo (diz-se que foi tentado a enforcar-se quando morreu na fragrância da santidade), servindo de exemplo a todos os que se aproximavam dele. O malévolo inimigo perseguia-o incessantemente, apresentando-lhe em sonhos o quadro lisonjeiro dos prazeres mundanos, as delícias de uma vida dissoluta e as alegrias que a satisfação dos vícios produz na alma. O   santo varão, por sua vez, com coragem cristã   repelia todas aquelas tentações; mas, vendo que o inimigo redobrava os seus esforços, considerou que conviria construir uma igreja (por não haver nenhuma   na aldeia, esta era o domínio de Satanás), para que a terra — que, de pai a filhos, até então havia sido um bairro não muito distante do inferno —ficasse doravante santificada. E aqui começaram as dificuldades para o pobre abade. Quem deveria carregar a ped

A BRUXA FANTASMA - Conto Clássico de Terror - Bob W. Holland

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  A BRUXA FANTASMA Bob W. Holland (1868 – 1932) Tradução de Paulo Soriano   Certa noite, num velho castelo, a conversa girava em torno de aparições fantasmagóricas, e cada um dos participantes contava a sua uma história. À medida que os relatos ficavam mais terríveis, as jovens mais se aconchegavam. — Você já teve uma aventura com um fantasma? — elas me perguntaram. — Conhece uma história que nos faça estremecer? Vamos, conte-nos alguma coisa! — Estou bastante disposto a atendê-las — respondi.  — Vou contar-lhes um incidente acontecido comigo. No final do outono de 1858, visitei um de meus amigos, subprefeito de uma cidadezinha no centro da França. Albert era um velho companheiro de minha juventude e eu estivera presente no seu casamento. Sua encantadora mulher era cheia de bondade e graça. Meu amigo queria mostrar-me seu lar feliz e me apresentar às suas duas lindas filhinhas.  Fui muito bem acolhido e recebi um ótimo tratamento. Três dias depois da minha chegada, eu j

O VIOLADOR DE SEPULTURAS - Narrativa Clássica de Horror - Sabine Baring-Gould

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O VIOLADOR DE SEPULTURAS Sabine Baring-Gould (1834–1924) Tradução de Paulo Soriano   No outono de 1848, vários cemitérios na vizinhança de Paris foram alvo de invasões noturnas e túmulos foram profanados. Aquilo não era façanha de estudantes de medicina, pois os corpos não haviam sido levados, senão deixados ali mesmo, espalhados sobre os túmulos fragmentados. A princípio, supôs-se que essas ações ultrajantes eram obra de algum animal selvagem, mas pegadas na terra macia não deixavam dúvidas de que um homem fizera aquilo. Redobrou-se a vigilância no cemitério do Père la Chaise; mas, depois que alguns cadáveres foram mutilados ali, as violações cessaram. No inverno, outro cemitério foi vilipendiado e somente em março de 1849 uma spiring gun [1] , que havia sido armada no cemitério de Monteparnasse, disparou durante à noite, avisando os vigias de que o misterioso visitante havia caído na armadilha. Correram para o local para vislumbrar apenas uma sombria silhueta, envolta