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Mostrando postagens de Fevereiro, 2020

A MÃO DO LOBISOMEM - Conto Clássico Humorístico de Horror - Paul L. Jacobs

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A MÃO DO LOBISOMEM Paul L. Jacobs (1806 – 1884) Os lobisomens vieram-nos, provavelmente, dos Caldeus e dos povos pastores que se viam obrigados a defender seus gados contra os lobos.   E o terror que esses animais infundiam, divagando, à noite, em volta dos currais, favorecia os malfeitores, que se disfarçavam em lobos furiosos para cometer roubos ou atos de vingança. Daqui provém esta superstição de todos os tempos e de todos os países, conhecida por nomes diferentes, e rodeada por circunstâncias mais ou menos estranhas: Luciano [1] , Plínio [2] , Virgílio [3] se ocuparam destas coisas. Finalmente, esses homens antropófagos, que andam de noite solitários e furiosos, tendo sinais característicos de lobo, se perpetuam ainda em muitos pontos da França. Há anos que a aldeia de Ryans, que foi uma grande cidade, cinco léguas distantes de Bourges, tinha uma família de lobisomens, pobres trabalhadores, aos quais muitas vezes recusavam trabalho e pão, porquanto as pessoas acre

O DESAPARECIMENTO DE HONORÉ SUBRAC - Conto Clássico de Terror - Guillaume Apollinaire

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O DESAPARECIMENTO DE HONORÉ SUBRAC Guillaume Apollinaire (1880 – 1918) Apesar das mais meticulosas buscas, a polícia não conseguiu desvendar o mistério do desaparecimento de Honoré Subrac. Ele era meu amigo, e como eu sabia a verdade sobre o seu caso, fiz questão de pôr a justiça a par do que que havia acontecido. O juiz, que colheu as minhas declarações, depois de ouvir o meu relato,   assumiu um tom de tão assustada polidez, que eu não tive dificuldade em entender que ele me tomava por louco. Eu lhe disse isto. Ele ficou ainda mais cortês e, levantando-se, empurrou-me para a porta, e eu vi o seu escrivão, de pé, com os punhos cerrados, pronto para   saltar sobre mim, caso se eu agisse como um ensandecido. Eu não insisti. O caso de Honoré Subrac é, de fato, tão estranho que a verdade parece inacreditável. Soubemos, pelas notícias dos jornais, que   Subrac passava por original. Fosse inverno ou verão, estava ele sempre vestido somente com um grande casaco no corpo e

O BEBÊ DE TARLATANA ROSA - Conto Clássico de Horror - João do Rio

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O BEBÊ DE TARLATANA ROSA João do Rio (1881 – 1921)     — Oh! uma história de máscaras! quem não a tem na sua vida? O carnaval só é interessante porque nos dá essa sensação de angustioso imprevisto... Francamente. Toda a gente tem a sua história de carnaval, deliciosa ou macabra, álgida ou cheia de luxúrias atrozes. Um carnaval sem aventuras não é carnaval. Eu mesmo este ano tive uma aventura... E Heitor de Alencar esticava-se preguiçosamente no divã, gozando a nossa curiosidade. Havia no gabinete o barão Belfort, Anatólio de Azambuja de que as mulheres tinham tanta implicância, Maria de Flor, a extravagante boêmia, e todos ardiam por saber a aventura de Heitor. O silêncio tombou expectante. Heitor, fumando um gianaclis autêntico, parecia absorto. — É uma aventura alegre? — indagou Maria. — Conforme os temperamentos. — Suja? — Pavorosa ao menos. — De dia? — Não. Pela madrugada. — Mas, homem de Deus, conta! — suplicava Anatólio. — Olha que

O FANTASMA DE VALPO - Narrativa Clássica de Terror - Narrativa Verídica - Anônimo do séc. XIX

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O FANTASMA DE VALPO Anônimo do séc. XIX Eis aqui, finalmente, a aparição de uma alma do outro mundo, revestida de tais circunstâncias   que, ao menos desta vez, não há remédio senão dizer que spiritus qui vadit, redit [1] . “Na vila de Valpo, Esclavônia — diz a gazeta de Presburgo, copiada pelo Freyschutz de Hamburgo — aconteceu algo notável, sobre o qual o reverendo bispo de Fünfkirchen está procedendo a rigoroso exame. Havia tempos que o castelo de Valpo era infestado de aparições. Cinco vezes sucessivas, e com intervalos muito curtos, havia aparecido ao coronel Von Koeth uma e a mesma visão. O fantasma aparecia sempre à meia-noite em trajes de mulher, com um vestido à turca de cetim cor-de-rosa, e um longo véu que lhe descia aos pés. A sua exigência era que o dono do castelo mandasse desenterrar os seus ossos e que os fizesse depositar em solo sagrado. Com isto, designava o lugar em que o cadáver tinha sido enterrado, dizia onde havia sido assassinada a p

O GATO PRETO - Conto Clássico de Terror - Edgar Allan Poe

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O GATO PRETO Por Edgar Allan Pöe (1809 - 1849) Tradução:  S. de M. (Séc. XIX)     Não espero nem peço que acreditem na extraordinária e, contudo, vulgar história que lhe vou narrar.  Na realidade, seria um louco se tal esperasse, num caso em que os meus sentidos repelem o seu próprio testemunho.  E, todavia, eu não sou um doido —e não estou sonhando, com certeza.  Mas, como devo morrer amanhã, quero hoje aliviar a minha alma. O meu fim imediato é apresentar ao mundo —claramente, sucintamente e sem comentários —uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas consequências, esses acontecimentos terrificaram-me, torturaram-me, aniquilaram-me. Entretanto, não tentarei aclará-los. Considero-os horríveis, ainda que a muitas pessoas possam parecer menos terríveis do que estranhos. É possível que mais tarde haja uma inteligência mais serena que reduza o meu fantasma à situação comezinha de simples lugar comum —uma inteligência mais serena, mais lógica e m