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Mostrando postagens de Novembro, 2021

A ESTRANHA DESPEDIDA - Narrativa Sobrenatural - Paulo Soriano

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  A ESTRANHA DESPEDIDA Paulo Soriano   Não tenho como saber se os fatos que me foram relatados realmente aconteceram. O que posso afirmar é que a pessoa que me contou a história estava convencida de sua realidade. Também estou certo de que Helguita Alves me falara com absoluta sinceridade. Ela era a pessoa mais pura e honesta que já conheci. Bondosa e altruísta, era uma santa.  Santa mesmo.  E pessoas santas jamais faltam com a verdade. Os fatos extraordinários aconteceram em 1988. Dizia-me Helguita que não poderia, jamais, esquecê-lo: foi no final daquele ano que ela perdeu o filho mais velho, vítima de um acidente de carro em Minas Gerais. Contou-me ela que, como de costume, fora dormir cedo. Alta madrugada, contudo, foi acordada pela campainha do telefone. Imediatamente, levantou-se e correu à sala, sem nem mesmo acender a luz. Assim que segurou o aparelho, o telefone parou de tocar. Ciente de que, àquelas horas, uma chamada telefônica era o prenúncio de graves notícia

OS CORVOS ESCARNECEDORES - Conto Clássico de Terror - James Mooney

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OS CORVOS ESCARNECEDORES (Lenda Cheroqui) James Mooney (1861 – 1921) Tradução de Paulo Soriano   Dentre todos os bruxos ou bruxas cheroquis, o mais temido é o Corvo Escarnecedor (Kâ′lanû Ahyeli′skĭ), aquele que rouba a vida do moribundo. São de ambos os sexos e não há como distingui-lo, embora geralmente pareçam enrugados e velhos, porque acrescentaram muitas vidas às suas. À noite, quando alguém está doente ou morrendo no assentamento, o Corvo Escarnecedor vai até o local para tirar-lhe a vida. Ele avança pelo ar em forma de fogo, com os braços estendidos como asas, extraindo faíscas atrás de si, e produzindo, em seu voo, um ruído furioso, como o de um vendaval. De vez em quando, enquanto voa, ele solta um grito semelhante ao de um corvo quando "mergulha" no ar (não como o grito comum dessa ave), e aqueles que o ouvem tremem de medo, porque sabem que a vida de alguém em breve acabará. Quando o Corvo Escarnecedor chega numa cabana, perto dela outros de sua e

VASILISA, A BELA - Conto Clássico de Terror - Aleksandr Afanasiev

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VASILISA, A BELA Aleksandr Afanasiev (1826 – 1871)   Em um certo reino vivia um mercador que tinha uma única filha, Vasilisa, a Bela. A mãe morreu quando a menina tinha oito anos. Sentindo que o seu fim se aproximava, a mãe chamou a menina, pegou uma boneca entre os lençóis e entregou à filha, dizendo-lhe: — Ouça minhas últimas palavras, Vasilisa e obedeça à minha última vontade. Eu te deixo esta boneca. Mantenha-a sempre consigo e não a mostre a ninguém. Se algo mau acontecer com você, alimente-a e peça-lhe conselhos. A boneca vai comer o que você lhe der e vai ajudá-la em seus momentos difíceis. A mulher do mercador beijou a filha e, alguns instantes depois, morreu. O viúvo sentiu muito a morte de sua esposa, mas, depois de algum tempo, resolveu casar-se novamente. Escolheu por esposa uma mulher que tinha duas filhas da mesma idade que Vasilisa. Isso significava que a pretendente tinha experiência como dona de casa e como mãe. Então, o comerciante casou-se com ela. Mas a

A COVA É MINHA! - Conto Humorístico de Terror - Maycon Guedes

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  A COVA É MINHA! Maycon Guedes   — Ei, você! Sai da minha cova! — Hã!? Mas o que… — A cova é minha, vamos, saia! — Onde estou? Não enxergo nada. — Anda logo, idiota, pula fora daí! Essa cova é minha! — Por favor, pode me dizer onde estou e quem é que está falando comigo? — Já disse, você está na minha cova! E eu sou o dono dela. — Como assim, na sua cova? Mas que droga, eu não sinto o meu corpo. — Como você é burro! Você está morto, palhaço! — Morto? Eu? Quem é você? Apareça! — Escuta aqui, hoje eu tô um nojo, não vou perder meu tempo falando com você, vamos, cai fora daí, sai da minha cova, agora! — Tá, então me ajuda. Acende essa luz! Como que eu saio daqui? — E eu vou lá saber? Eu já teria te chutado daí faz tempo! Não teria ficado horas aqui embaixo da terra esperando a donzela acordar. — Horas?! Há quanto tempo estou aqui? — Tempo o bastante para eu enjoar da sua cara amassada! — Foi você que me colocou aqui? Maldito! — Calma lá, meu cumpade.