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Mostrando postagens com o rótulo Narrativa Clássica

A LENDA DO JUDEU ENGANADO - Narrativa Clássica Sobrenatural - Jacopo da Varazze

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A LENDA DO JUDEU ENGANADO Jacopo da Varazze (1228 – 1298)   Um homem pediu emprestado a um judeu uma certa soma em dinheiro e, sem dispor de outra garantia, jurou sobre o altar de São Nicolau que a faria render e pagaria a dívida assim que pudesse.  Mas o homem reteve o dinheiro por tanto tempo que o judeu achou por bem reclamá-lo de volta. O homem, contudo, alegou que já pagara o empréstimo. Então o judeu levou o homem a juízo, exigindo que jurasse haver devolvido o dinheiro que tomara emprestado. O devedor apareceu ao julgamento apoiado numa bengala. Esta era oca em seu interior e era ali que o homem escondia as suas moedas de ouro. Quando foi prestar o juramento, o devedor entregou a bengala ao judeu, para que a segurasse, enquanto fazia a declaração solene. Então, jurou que lhe havia restituído mais do que devia. Terminado o juramento, exigiu que o judeu lhe devolvesse a bengala. O credor, sem desconfiar da malícia, a entregou de volta. Então o ludibriador foi embora. No c...

LENDAS MACABRAS DO FRANCO-CONDADO - Narrativas Clássicas Sobrenaturais - Xavier Marmier

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LENDAS MACABRAS DO FRANCO-CONDADO Xavier Marmier (1808–1892) Tradução de Paulo Soriano     Fadas, gênios, sílfides e kobolds [1] habitam as florestas, os rios, o fundo dos vales verdejantes e os lagos azuis do Franco-Condado. No planalto de Haute-Pierre, ocasionalmente avistava-se outra Melusina, um ser meio mulher, meio serpente. É a Vouivre. Ela não tem olhos, mas tem na testa uma pedra preciosa — uma granada — que a guia, dia e noite, como um raio de luz. Quando vai banhar-se nos rios, é obrigada a deixar essa pedra preciosa no chão. Se alguém consegue apanhar a granada, poderá comandar todos os gênios e fazer com que estes lhe tragam todos os tesouros enterrados nas encostas das montanhas. Mas não é prudente tentar a aventura, pois, ao menor ruído, a Vouivre sai do rio e... pobre daquele a quem ela encontrar. Um pobre homem de Moustier — que um dia a seguira de longe, vira-a depositar a pedra preciosa nas margens do rio Loue e mergulhar suas escamas de serpente na água — ...

O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO - Narrativa Clássica de Terror - Xavier Marmier

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O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO Xavier Marmier (1808 – 1892) Tradução de Paulo Soriano   Uma pequena cidade nas montanhas do Franco-Condado testemunhou, em várias ocasiões, uma aparição maravilhosa. A um quarto de léguas do rio Maiche, no topo de uma colina, avistam-se as ruínas de um castelo circundado por matagais e abetos. Ali viveu, outrora, um senhor avarento, cujo coração estava fechado a qualquer senso de justiça: para saciar a sua sórdida paixão, constantemente submetia os seus vassalos a novas exações e assenhorava-se dos bens dos seus vizinhos.  Ele está sepultado em meio aos seus tesouros, mas ali não encontra repouso. Desejaria trocar o seu esplêndido sepulcro pela sepultura de terra fresca onde qualquer camponês dorme com tanta tranquilidade; mas está condenado a permanecer onde viveu, e passar a noite gemendo, a chafurdar no seu tesouro. No entanto, Deus, comovido com os seus sofrimentos e com as orações que os seus descendentes lhe ofertaram, restaurou a esperança...

UMA ESTRANHA EXPERIÊNCIA ONÍRICA - Narrativa Clássica de Horror - Ambrose Bierce

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UMA ESTRANHA EXPERIÊNCIA ONÍRICA Ambrose Bierce Tradução de Paulo Soriano (1842 – 1914?) Eu caminhava ao entardecer por uma vasta floresta de árvores desconhecidas. Ignorava de onde vinha e para onde ia. Sentia a imensidão da mata e tinha consciência de que eu era, ali, o único ser vivente. Enquanto caminhava contra o sol nascente, eu tinha a vaga sensação de que estava preso a algum feitiço, em expiação por um crime já esquecido, há muito tempo cometido. Mecanicamente e sem esperança, eu me movia sob os galhos das árvores gigantescas por uma estreita trilha que penetrava a solidão assombrada da floresta. Cheguei, enfim, a um riacho, que sombria e lentamente corria à minha frente, e vi que o caudal era um fluxo de sangue. Virando à direita, segui o seu curso por uma distância considerável, e logo cheguei a uma pequena clareira circular na floresta, esfumada por uma luz tênue e irreal, que me permitiu o vislumbre de um tanque profundo, de mármore branco, no centro dela. O tanque...

AS SEREIAS - Narrativa Clássica Sobrenatural - Homero

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AS SEREIAS Homero (Sec. VIII a.C.) As sereias encantam todos os homens que delas se aproximam. Quem, inadvertidamente, navegar próximo a elas e ouvir o seu canto, nunca mais se verá rodeado pela mulher e filhos transbordando de alegria pelo regresso a casa. Em vez disso, elas encantam-no com o seu sonoro canto, sentadas num prado e cercadas por um grande pilha de ossos humanos apodrecidos, cobertos de pele ressecada. Faz, Ulisses, com que o teu navio navegue ao largo delas e, derretendo cera suave como o mel, unta os ouvidos dos teus companheiros para que nenhum deles as escute. Mas, se quiseres ouvi-las, faz com que te amarrem, firmemente, com cordas, de pés e mãos atadas, ao mastro, para que ouças prazerosamente a voz das sereias; e, se suplicares aos teus companheiros ou lhes ordenares que te desamarrem, que eles te prendam ao mastro com mais cordas ainda. Versão em português de Paulo Soriano.  

RETIRADA VIVA DE UM SEPULCRO - Narrativa Verídica de Horror - Autor anônimo do séc XIX

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RETIRADA VIVA DE UM SEPULCRO Autor e tradutor anônimos do séc. XIX Os viajantes que percorreram a Itália pelo lado oriental admiraram a pitoresca beleza da paisagem, especialmente no intervalo que separa Ancone de Rimino. Nos flancos e no cume de uma dessas ricas e verdejantes colunas, que pareceu ter-se destacado dos Apeninos para virem banhar suas faldas no Adriático, no próprio lugar em que se descobre a cidade em que Dante nos fez assistir ao fim trágico da célebre Francesca, não se contavam menos de sete conventos de frades antes da primeira revolução francesa. Os reverendos, como se sabe, eram hábeis na escolha dos locais e dos pontos de vista; hoje, diz-se ainda, em forma de elogio, para a posição de uma quinta: “Está situada como um convento.” Suprimidos no tempo do reino da Itália, repovoaram-se esses conventos com a restauração. Hoje, estão em estado assaz florente, e os religiosos das casas centrais aí vêm sucessivamente passar felizes momentos. Entretanto, como os bens ...

ERGUENDO-SE DO ESQUIFE - Narrativa Verídica de Horror - Autor anônimo do séc. XX

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ERGUENDO-SE DO ESQUIFE (E cumprimentando os circunstantes!) Autor anônimo do séc. XX Pedindo esmola para enterrar o marido Há poucos dias, uma pobre mulher, entre lágrimas, foi ao escritório da Fábrica Industrial Mineira, em Mariano Procópio. Imediatamente todos a cercaram e indagaram que fatalidade a havia atingido. A pobre mulher então contou que seu marido havia falecido e, sem recursos para fazer o seu enterramento, recorria à generosidade alheia para cumprir o piedoso e triste ato. O morto havia sido operário da fábrica e, assim, não teve a mulher dificuldades em obter os recursos necessários para dar sepultura ao corpo de seu malogrado companheiro. De donativo em donativo, reuniu o necessário e saiu para dar as providências. E todos a acompanharam com um olhar triste e com a frase costumeira: — Pobre mulher. O “quarto” do defunto À noite, em sua casa, amigos velavam o cadáver do esposo. E ela, mal retendo os soluços, increpava o destino mau que lhe roubava ...

SOCORRO EM MEIO AOS MONTES DE NEVE - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Horace Bushnell

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SOCORRO EM MEIO AOS MONTES DE NEVE Horace Bushnell (1802 – 1876) Tradução de Paulo Soriano Eu estava sentado junto à lareira, numa noite tempestuosa de novembro, no salão de um hotel no Vale de Napa, Califórnia, quando entrou e sentou-se à roda um homem de aparência venerável e benevolente, acompanhado de sua esposa. O estranho, como vim a saber depois, era o capitão Yount, um homem que viera à Califórnia como caçador há mais de quarenta anos. Aqui ele viveu, afastado do mundo exterior e de seus problemas, adquirindo uma imensa propriedade rural e tornando-se uma espécie de patriarca reconhecido na região. Sua figura, alta e viril, e seu olhar gracioso e paternal — tão desprovido de sofisticação na expressão, como se ele jamais tivesse ouvido falar de uma dúvida ou questão filosófica na vida — caracterizavam-no como um verdadeiro patriarca. A conversa — não sei como — adentrou as searas do espiritismo e da necromancia moderna. E ele demonstrava uma certa tendência a acreditar n...

CARNAVAL - Narrativa Clássica Fúnebre Humorística - Olavo Bilac

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CARNAVAL (Excerto) Olavo Bilac (1865 – 1918) Contaram os jornais um caso macabro sucedido na Terça-feira Gorda. Ia um defunto, a caminho da sua derradeira morada, calmamente estirado no fundo do caixão, ao trote manso da parelha que puxava o carro fúnebre. Mas, quando o enterro passava por uma praça em que se dava uma delirante batalha de confete, partiu-se uma das rodas do carro, e o pobre morto ficou para ali, parado, entre as pragas do cocheiro e o delírio dos batalhadores, que, na sua alucinação, não davam conta do que se passava. Tardaram as providências, a batalha continuou; de maneira que quando, uma hora depois, o coche negro pôde marchar de novo para o cemitério, nas coroas de perpétuas roxas se emaranhavam as serpentinas, e o féretro ia coberto de uma espessa camada de confete… Ora, bem! Imaginai agora que o homem não estivesse morto, mas simplesmente mergulhado na treva espessa de um sono cataléptico, e que despertasse naquele momento: cuidais acaso que o redivivo ...

TORTURAS - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Luc Domain

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TORTURAS Luc Domain (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX Antes da Revolução de 1789, as confissões dos criminosos, ou tidos como tais, eram obtidas por meio de torturas. A descrição destas cenas atrozes, verdadeiras visões de pesadelo, aparecem-nos hoje mais terrificantes ainda, à luz dos próprios autos ainda hoje existentes nos arquivos das extintas masmorras católicas. Eis aqui, pois, como exemplo, a ressurreição exata de um passado que não é relativamente longínquo! Estamos no ano da graça de 1788. Num catre lúgubre, numa peça obscura e fria do calabouço, os altos muros recobertos de salitre, os magistrados do Parlamento de Ruão reúnem-se para julgar Marguerite Tison, acusada de ter degolado seu próprio marido. Em torno de uma tosca mesa de carvalho negro, estão sentados os juízes vestidos de beca, um médico e o escrivão. Em frente deles, com todo o seu aparato de máquinas de formas estranhas e diversas, está o verdugo e seus ajudantes imediatos. De joelhos, pálid...

A LIBERDADE ROUBADA - Narrativa Clássica Verídica Cruel - Olaudah Equiano

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A LIBERDADE ROUBADA Olaudah Equiano (1745 – 1797) Tradução de Paulo Soriano Enquanto estávamos ancorados, algo crudelíssimo aconteceu a bordo de nossa chalupa e que me encheu de horror, malgrado eu tenha depois descoberto que tais práticas eram frequentes. Havia um jovem mestiço livre, muito inteligente e decente, que há muito navegava conosco. Era ele casado com uma mulher livre, com quem tinha um filho; ela vivia em terra firme e tudo era muito feliz. Nosso capitão e imediato, e outras pessoas a bordo, e várias outras em outros lugares, até mesmo os naturais das Bermudas, sabiam, desde criança, que aquele jovem era livre e que ninguém jamais o reivindicara como propriedade. Contudo, como a força muitas vezes prevalece sobre o direito por estas bandas, aconteceu que um capitão das Bermudas, cujo navio estava atracado ali por alguns dias, subiu a bordo do nosso e, ao ver o mestiço, cujo nome era Joseph Clipson, disse-lhe que ele não era livre e que tinha ordens de seu mestre pa...