ASSEDIADO POR UM FANTASMA - Narrativa Clássica Sobrenatural - Alexandre de Alexandria
SSEDIADO POR UM FANTASMA
Alexandre de Alexandria
(c. 250 – 326)
Um amigo meu, homem de grande espírito e digno de fé, encontrava-se um dia em Nápoles, na casa de um parente, quando, à noite, ouviu a voz de um homem a clamar por socorro, o que o levou a acender a vela e a correr para ver o que se passava.
Tendo lá chegado, viu um fantasma horrível, furioso ao extremo e de feições assustadoras, que intentava arrastar consigo um jovem com todas as forças.
O pobre coitado gritava e se defendia, ao ver o fantasma ainda mais acercar-se, correu repentinamente. O espectro o agarrou pela mão e segurou-o fortemente pelo o manto. Depois de lutar durante muito tempo, pôs-se o homem a invocar o nome e a ajuda de Deus. Então, desvencilhou-se do espectro, que desapareceu.
O meu amigo levou o jovem para o seu quarto, com a intenção de reenviá-lo, cuidadosamente, para casa. Mas não pôde fazê-lo, pois o rapaz estava tão transtornado que não podia ser tranquilizado, e estremecia constantemente de medo por causa de tão hediondo encontro.
Quando finalmente recuperou a razão, confessou que, até então, levava uma vida muito perversa, desdenhosa de Deus, e que fora rebelde para com o pai e a mãe, a quem tinha dito e feito tantas injúrias e tantos insuportáveis ultrajes, que eles o haviam amaldiçoado. Depois, tendo saído de casa, encontrou-se com o referido carrasco.
Versão em português de Paulo Soriano, a partir da tradução de Simon Goulart, apud P. L. Jacob, “Curiosités Infernales”, 1886.
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