A JUSTIÇA SEMPRE CHEGA - Conto de Terror - José Cascales Vázquez


A JUSTIÇA SEMPRE CHEGA

José Cascales Vázquez

Tradução de Paulo Soriano

 

Tantas horas de fuga esgotaram todas as minhas reservas de energia. Minhas pernas param de responder, meus joelhos se dobram sem permissão e meu rosto sente o impacto do chão. Eles vão me capturar; tenho que continuar.  Levanto-me e corro em direção à casa que meus olhos não conseguem enfocar.

A porta está aberta. Alguém a abandonou às pressas.  Subo as escadas e desabo ao entrar num quarto. Desta vez, sinto dificuldade em me erguer, até os meus braços recusam-me a ajuda. Consigo penetrar o interior do vestíbulo. Meu coração se queixa, cada batida me causa um ardor insuportável. Tento controlar minha respiração... o silêncio desaparece com a chegada de vozes distantes.

Farejo a aproximação desses monstros, imagino-os lambendo os lábios, rindo, seus os olhos avermelhados... Eles querem me torturar, me matar... Malditos!

Não param de fazer barulho, de gritar pelo meu nome, mas já não tenho forças para fugir, vou continuar a me esconder, sem me mexer, quase sem respirar... talvez sigam adiante, talvez não me vejam, talvez... Eles querem o meu sangue!

Estão vindo. Sobem as escadas até o quarto; parecem três, e são muitos para este corpo cansado e malferido; talvez eu possa com um deles, mas vou sucumbir matando.

— Já estamos aquiiiiiii, Frank! Desta vez, você não vai escapaaaaar!

Predadores! Sentem-se vitoriosos quando percebem que suas presas estão encurraladas.

Abro a porta e saio para encontrá-los. Três lanternas me iluminam e corro em direção a eles, gritando:

— Vocês não vão cravar as estacas em mim!



 

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