ATROCIDADES NA NAMÍBIA - Narrativa Verídica de Horror - Jan Cloete

 



ATROCIDADES NA NAMÍBIA

Jan Cloete

(Início do séc. XX)

Tradução de Paulo Soriano

 

 

Eu estava em Omaruru em 1904. Fui requisitado pelos alemães para servir-lhes de guia no distrito de Waterberg, pois conhecia bem a região. Eu estava com a 4ª Companhia de Campo sob as ordens de Hauptmann Richardt. O comandante das tropas era o General von Trotha.

Estive presente em Hamakari, perto de Waterberg, quando os hererós foram derrotados em uma batalha. Depois do confronto, todos os homens, mulheres e crianças, feridos ou ilesos, que caíram nas mãos dos alemães, foram mortos impiedosamente.

Então, os alemães perseguiram os demais, e todas as pessoas que estavam na estrada e na savana foram golpeadas e abatidas com baionetas. A grande maioria dos homens de Hereto estava desarmada e não podia lutar. As pessoas estavam apenas tentando fugir com seu gado.

A certa distância de Hamakari, acampamos em um charco. Enquanto estávamos lá, um soldado alemão encontrou um menino de cerca de nove meses de idade, deitado numa moita. A criancinha chorava. Ele a tomou e levou consigo ao acampamento onde eu estava.

Os soldados formaram uma roda e começaram a jogar o bebê um para o outro, como se fosse uma bola. A criança estava apavorada e ferida. Chorava muito. Depois de um tempo, quando se cansaram daquilo, um dos soldados fixou a baioneta no rifle e disse que apararia com ela o bebê.

A criança foi lançada ao ar em sua direção e, ao cair, o soldado transfixou-lhe o corpo com a baioneta. O bebê morreu em poucos minutos e o incidente foi saudado com gargalhadas pelos alemães, que pareciam achar tudo aquilo uma grande brincadeira.

Senti-me muito mal com o ocorrido e, repugnado, afastei-me dali, porque, embora eu soubesse que os soltados tinham ordens para matar a todos, pensei que eles teriam piedade da criancinha. Decidi não continuar naquilo, pois as coisas terríveis que eu havia testemunhado me causaram uma perturbação de espírito. Fingi, então, que estava doente e, como o capitão ficou realmente enfermo, e teve que voltar, recebi ordens para retornar com ele, como guia. Depois que cheguei em casa, recusei-me terminantemente a acompanhar os soldados novamente


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