O FANTASMA DE OSCAR WILDE - Narrativa Verídica Sobrenatural - Anônimo do sec. XX

O FANTASMA DE OSCAR WILDE

Morador de Oxford conta sobre visitante da meia-noite

Anônimo do sec. XX

Tradução de Paulo Soriano



O fantasma de Oscar Wilde — um elegante espectro de rosto pálido e gravata larga e esvoaçante — estaria andando novamente nos quartos que ocupou no Magdalen College, em Oxford, há 60 anos.

O atual ocupante, Sr. Tony Kelly, afirma ter sido visitado à meia-noite desta semana por seu antecessor. Kelly é australiano e joga hóquei no gelo na Universidade, mas não é uma pessoa dada a fantasias estéticas.

Deitei-me — disse ele ontem —por volta das onze e meia, mas por algum motivo não consegui dormir. De repente, tive uma sensação extraordinária, uma espécie de arrepio, como se alguém estivesse no quarto.

E então lá estava — parado junto à janela — um homem alto, com um casaco comprido, muito antiquado, com fileiras de botões e lapelas bem curtas, com uma gravata frouxa, que estava amarrada com grande laço.

Pôs-se a andar para cima e para baixo. Falei com ele, mas ele não respondeu. Estendi minha mão quando a figura se aproximou; ela, porém, não o tocou, passando diretamente por onde ele deveria estar.

Finalmente, ele afastou-se para um canto da sala e desapareceu de vista. Também não há porta naquele canto. “

Foi nesses quartos que Wilde escreveu o poema “Ravenna”, que ganhou o Prêmio New Digate quando ainda era estudante universitário.


Fonte: Pinang Gazette and Straits Chronicle/Singapura, edição de 17 de fevereiro de 1934. 


Ouça este conto na locução e interpretação de André Egydio de Carvalho:




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