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Mostrando postagens de dezembro, 2024

A MÃO SANGRENTA - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Lorde Halifax

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A MÃO SANGRENTA Lorde Halifax (Charles Lindley Wood) (1839 – 1934) Tradução de Paulo Soriano Em um certo vilarejo da costa sul, uma viúva e suas duas filhas moravam numa casa que ficava um pouco afastada das de seus vizinhos de ambos os lados. Situava-se em um penhasco arborizado e, a cerca de um quarto de milha do jardim, havia uma cachoeira de certa altura. As filhas eram muito apegadas uma à outra. Uma delas, Mary, era muito bonita e atraente. Entre seus admiradores, havia dois homens especialmente notáveis por sua devoção a ela, e um deles, John Bodneys, parecia prestes a realizar a ambição de sua vida, quando um novo concorrente, dotado de um temperamento bem distinto, surgiu e conquistou completamente o coração de Mary. Marcado o dia do casamento, Mary escreveu aos Bodneys para anunciar o seu noivado e solicitar a John o seu comparecimento às bodas; todavia, dele não recebeu nenhuma resposta. Na noite anterior ao dia do casamento Ellen, a outra irmã, apanhava samamb...

O CORSÁRIO FLAMENGO - Conto Clássico Cruel - Vincent Victor Joly

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O CORSÁRIO FLAMENGO Vincent Victor Joly (1807 – 1870) Tradução de autor desconhecido do séc. XIX. Durante a longa guerra do protestantismo contra o princípio monárquico e católico, luta que cobriu a Europa de ruínas e de cadáveres, que despovoou cidades e fez desaparecer populações inteiras, nenhum outro povo se mostrou mais constantemente intrépido, nem ostentou uma coragem mais tenaz do que o povo holandês. Tendo de combater os velhos bandos espanhóis de Mondragon, de D. Manuel Verdugo, do príncipe de Parma, de Álvaro de Toledo, chamado o duque de Alba, este povo, até então tranquilo e tão sofredor, desenvolveu um heroísmo que em vão se procura outro para ser comparado nos anais do velho mundo, e do que a sublime resistência dos gregos não oferece mais do que um pálido e fraco reflexo. Tudo que o fanatismo e a sombria raiva de Filipe II podia inventar de atrocidade e de suplícios era ainda, e diariamente, levado a maior requinte de seus prefeitos. O solo pantanoso, conquist...

O MEDO - Conto Clássico de Horror - Lima e Silva

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O MEDO Lima e Silva (1874 – 1935) Nisso interveio o cônego Hermógenes Pedreira e, servindo-se do timbre de voz mavioso que todos lhe conhecem, disse, solenemente, como quem inicia uma oração sacra: — A propósito de medo, ouçam o que lhes vou contar… Bruscamente, como que à intervenção de um poder mágico, cessou a algazarra de vozes e de talheres. A velha baronesa, opulenta e calma, conteve um bocejo partido ao meio, abrindo muito os olhos, com sinal de visível atenção. Sua filha Olga de Macedo esboçou um arfar tímido, suavíssimo, inclinando-se para a frente, fitando o padre com o olhar iluminado. O Artur Gomes repoltreou-se, satisfeito de si, cofiando o basto bigode, como quem saboreia, a pequeninos tragos, a formidável importância que julga ter. O deputado Sousa assumiu atitude de político notável, qual ministro de Estado aos embates de uma interpelação. Todos, enfim, rapazes e moças, senhoras idosas e homens maduros, contiveram-se hirtos, com as respirações interrompidas e...