O JOVEM FACÍNORA - Conto Clássico Tradicional Chinês de Terror
O JOVEM FACÍNORA
Conto tradicional chinês
Um jovem facínora havia cometido tantos crimes que seus registros judiciais formaram uma montanha de papel. Os mandarins espancaram-no até a morte, decapitaram-no e jogaram-no rio em diversas ocasiões.
Todavia, a cada execução, o patife ressuscitava e, no quinto dia, voltava a cometer novos crimes.
Por fim, o governador da província, exasperado, mandou decapitá-lo novamente. A cabeça e corpo foram jogados em lugares distantes. Apesar disto, três dias depois, a cabeça se juntou ao corpo, e nosso homem ressuscitou novamente. Tudo o que restou de suas várias decapitações foi uma rede púrpura em volta do pescoço. Imediatamente, o facínora passou a cometer novos crimes. Um dia, espancou a mãe, o que foi uma péssima decisão. A velha mulher correu ao mandarim, deu-lhe um jarro e disse-lhe:
—Este vaso contém a alma superior do meu perverso filho. Quando está prestes a realizar um malefício, ele remove a alma, conforta-a e acomoda-a, fechada, neste vaso. O mandarim pune, então, apenas o seu corpo, consubstanciado na alma inferior. Após o suplício, sua alma superior, confortada, reanima o seu corpo, que, no terceiro dia, ressuscita. Espancado-me, contudo, ele transbordou a medida de seus crimes. Pegue, pois, este vaso, quebre-o e coloque-o num moedor. Quando sua alma tiver sido dissipada pelo fôlego da máquina, execute o seu corpo, e esse será o seu fim.
O mandarim fez o que a velha senhora acabara de dizer. Dissipou-lhe, pois, a alma e mandou que lhe cobrissem com bordoadas na cabeça. O facínora não mais voltou à vida e, antes que dez dias se passassem, seu cadáver estava em plena decomposição.
Versão em português de Paulo Soriano a partir da tradução ao francês de Léon Wieger (1858 – 1922).
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