A MULHER FALECIDA - Conto Clássico Sobrenatural - Gan Bao

A MULHER FALECIDA

Gan Bao

(? – 336)



Em Yingling, Beihai, nos tempos da Dinastia Han, havia um sacerdote taoista que tinha o poder de reunir os vivos com os seus entes queridos falecidos.

Um homem daquela prefeitura, cuja esposa havia morrido há vários anos, ouvindo falar daquele prodígio, procurou o sacerdote, dizendo-lhe:

Se eu pudesse ver a minha falecida mulher uma última vez, morreria sem arrependimentos.

Poderás vê-la novamente — disse-lhe o sacerdote. — Contudo, se ouvires o soar dos tambores, sai imediatamente. Não demores.

Em seguida, o sacerdote explicou-lhe o ritual necessário a que voltasse a se reunir à falecida.

Concluído o cerimonial, ele reencontrou a mulher morta.





Então conversaram, com dor e alegria, envoltos em afeto e ternura vívidos. Era como se ambos estivessem vivos.

Depois de um longo tempo, o som dos tambores soou.

Com amargo pesar, já que não poderia permanecer ali por mais tempo, o homem preparou-se para sair. Assim que chegou à porta, a bainha do seu manto, que se agarrara à moldura da porta, rasgou-se, com um pedaço de pano esgarçado prendendo-se ao umbral.

Pouco mais de um ano depois, o homem faleceu. Quando de seu sepultamento, a sua família, aberto o mausoléu, encontrou aquele fragmento da bainha de sua túnica sob a tampa do caixão da mulher falecida.


Versão em português de Paulo Soriano.

Ilustração: PS/Perchance.



 



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