AUTOMÁTICO - Conto de Ficção Científica - Ricardo Manzanaro
AUTOMÁTICO
Ricardo Manzanaro
Tradução de Paulo Soriano
Quando chegou a hora, o estimulador cerebral automático emitiu ondas que ativaram Felipe suavemente e o acordaram. O ativador induziu a secreção de endorfinas no cérebro de Felipe para que estivesse feliz ao levantar-se. No chuveiro, o limpador ultrassônico deixou a pele de Felipe livre de infecções e o hidratante automático eliminou as suas rugas. No quarto, a máquina de vestir pôs-lhe a roupa selecionada, conforme previsão do tempo.
Na cozinha, o preparador de café da manhã já pusera à mesa o necessário ao consumo de Felipe. Cumprimentou a sua esposa e o seu filho. Enquanto conversavam, o massageador automático relaxava a musculatura de Felipe e o analisador examinava o seu plasma sanguíneo, injetando os medicamentos necessários à normalidade de todos os parâmetros.
O carro de condução automática já estava lá fora, aguardando Felipe. A esposa e o filho despediram-se dele carinhosamente.
Assim que Felipe partiu ao trabalho, a esposa e o filho automáticos se apagaram até que ele voltasse à noite.
*
No dia seguinte, uma patrulha da polícia entrou no chalé de Felipe e o encontrou no quarto, morto. Como acontecera em muitas residências, a enorme queda de energia deixara inoperantes os aparelhos elétricos, e Felipe havia sofrido um infarto devido ao pânico ocasionado por aquela situação. Após a autorização do juiz, o agente funerário embalsamador automático, que havia na residência, começou a trabalhar no corpo Felipe.
Ilustração: PS/Perchance.
Texto integrante da revista bilíngue (português e espanhol) “Relatos Fantásticos”, vol. V. Para acessá-la na íntegra, clique aqui.

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