O SHOPPING CENTER - Conto Fantástico - Dolo Espinosa
O SHOPPING CENTER
Dolo Espinosa
Tradução de Paulo Soriano
O shopping center está abarrotado. Centenas de pessoas circulam por ele, deambulando entre as lojas como laboriosas formigas, cada uma absorta em seu próprio mundinho.
Os funcionários atendem gentilmente, sorriem, recebem pagamentos e ouvem reclamações.
Os clientes entram e saem, compram ou olham, protestam, reclamam e, às vezes, sorriem. Sentam-se nos restaurantes e comem, bebem, reclamam e, às vezes, sorriem.
Quando aconteceu, ninguém percebeu a mudança. Alguns, no máximo, sentiram um arrepio que atribuíram ao ar-condicionado. Ninguém percebeu que o shopping inteiro havia sido arrancado da realidade e transportado para lugar nenhum.
Quando alguém tenta sair, simplesmente volta a encontrar-se no interior, sem se lembrar de nada, como se tivesse acabado de chegar, como hamsters em uma roda infinita de compras e trabalho.
Zumbis absortos em seus próprios mundinhos.
Os funcionários atendem, sorriem e ouvem reclamações.
Os clientes entram, saem, compram coisas, olham em volta, reclamam e, às vezes, até sorriem.
Eles são assim há eras; a luz envelheceu, o ar foi respirado milhões de vezes, mas nenhum deles sabe disso.
Ilustração: PS/Dreamina.
Texto integrante da revista bilíngue (português e espanhol) “Relatos Fantásticos”, vol. II. Para acessá-la na íntegra, clique aqui.

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