SUPLÍCIO DOS PRISIONEIROS EM BUCARA - Narrativa Verídica Cruel - Autor anônimo do séc. XIX
SUPLÍCIO DOS PRISIONEIROS EM BUCARA1
Autor anônimo do séc. XIX
Achei no último corredor trezentos prisioneiros tchandores2, absolutamente esfarrapados: esses infelizes, dominados pelo temor de seu próprio suplício — e entregues, além disso, a todas as agonias da fome — pareciam literalmente sair do túmulo.
Haviam formado duas seções: na primeira estavam aqueles que, não tendo atingido os quarenta anos, deviam ser vendidos como escravos ou gratuitamente distribuídos pelo khan3 a suas criaturas; a segunda compreendia aqueles que tinham sido classificados entre os aksakalas4, e que ficavam submetidos ao castigo infligido pelo príncipe.
Os primeiros, reunidos uns aos outros por meio de coleiras de ferro, em filas de dez a quinze, foram sucessivamente transportados; os outros esperavam, com uma resignação perfeita, que se executasse o aresto passado contra eles. Dir-se-ia carneiros sob o cutelo do carniceiro.
Enquanto que muitos dentre eles marchavam, ou para o patíbulo, ou para o montão sanguinolento em que muitas cabeças já jaziam decepadas, vi, a um sinal do carrasco, oito dos mais odiosos se estenderem no chão.
Depois amarraram-se-lhes os pés e as mãos; o carrasco, que se ajoelhava por cima de cada um deles, empurrava seu polegar sobre a órbita de seus olhos, donde arrancava com a faca as pupilas assim postas em saliência. Depois de cada operação, enxugava a lâmina de sua faca nas barbas do desgraçado supliciado.
Espetáculo atroz! A execução terminada, as vítimas, soltas dos laços que pendiam-no, alancando de todos os lados as mãos em torno de si, procuravam levantar-se.
Fonte: “Jornal do Commercio”/SC, edição de 16 de fevereiro de 1881.
Notas:
1Cidade do Usbequistão.
2Turcomanos.
3Líder.
4Velhos.

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