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PAULO SORIANO RECEBE PRÊMIO LITERÁRIO EM MINAS GERAIS - Notícias Literárias

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O autor Paulo Soriano, mantenedor deste blog , participou, na noite de 23/02/2018, no auditório da OAB de Ponte Nova/MG, da solenidade de entrega do prêmio alusivo ao  XII Concurso Literário "Prof. Mário Clímaco" , promovido pela Academia de Letras, Artes e Ciências de Ponte Nova-ALEPON , presidida pelo artista plástico e jornalista Ademar Figueiredo. Com o seu trabalho “Depende...”, Paulo Soriano foi laureado, em 1ª lugar, na categoria crônica , em nível nacional. Abaixo, publica-se o texto vencedor. DEPENDE... Não foi em Pontezinha que Judas perdeu as botas. Quanto a isto, não tenho dúvidas. É preciso andar mais meia légua de estrada de terra batida, que serpenteia a caatinga mineira como uma cascavel preguiçosa, para chegar ao lugar onde está enterrado o velho par de botas. Pronto, chegamos a Águas Belas! Não foi lá, ainda, que Judas perdeu as famosas botinas. Não. O traidor esqueceu, inadvertidamente, o seu calçado precioso em Umbuzais, duas léguas ad...

A EXECUÇÃO DE DAMIENS - Narrativa Histórica Cruel - Adrien-Hippolyte-Augustin Thoisnier-Desplaces

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A EXECUÇÃO DE DAMIENS Adrien-Hippolyte-Augustin Thoisnier-Desplaces, ed. (1798-1878) No dia 5 de janeiro de 1757, às seis horas da tarde, Luís XV ia entrar na carruagem para regressar de Versailles ao Trianon, quando um homem, rompendo a ala dos guardas do corpo e dos Cem Suíços, e empurrando o duque de Ayen e o Delfim, chegou-se ao rei e deu-lhe uma canivetada no lado direito. — Deram-me um terrível murro — gritou Luís XV. Depois, passando a mão por debaixo do colete e, tirando-a ensanguentada, acrescentou:   — Estou ferido. Virou-se imediatamente e viu perto de si um homem que se conservava imóvel e com o chapéu na cabeça. — Foi este o homem que me feriu. Prendam-no, mas não lhe façam mal. A folha do canivete não tinha penetrado além da carne e reconheceu-se que o rei não corria o menor perigo. O criminoso, que foi preso imediatamente, chamava-se Robert-François Damiens. Era natural da diocese de Arras e de baixa condição. Nascido com in...

A CHAMA - Conto Clássico de Horror - Horacio Quiroga

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A CHAMA Horacio Quiroga (1878 – 1937) Tradução: Paulo Soriano   “ Faleceu ontem, aos oitenta e seis anos, a duquesa De La Tour-Sedan. A enfermidade da ilustre anciã, mergulhada em sonho cataléptico desde 1842, constitui-se num dos mais estranhos casos que a patologia nervosa registra .”   O velho violinista, ao ler a notícia no Le Gaulois, me passou o diário sem dizer uma palavra e ficou um bom tempo pensativo.   ― Você a conhecia? ― perguntei.   ― Se eu a conhecia? ― respondeu-me. ― Oh, não! Mas...   Foi à sua escrivaninha e retornou ao meu lado com um retrato que contemplou demoradamente.   A criança retratada era realmente linda. Tinha os cabelos repartidos nas têmporas, em dois golpes secos, como se a mão acabasse de esvaziar bruscamente a testa. Mas o admirável naquele rosto eram os olhos. Seu olhar tinha uma profundidade e uma tristeza extraordinárias, que a cabeça, um tanto jogada para trás, não fazia senão realçar. ...

SOMBRA... UMA PARÁBOLA - Conto Clássico de Terror - Edgar Allan Poe

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SOMBRA... UMA PARÁBOLA   Edgar Allan Pöe Tradução: José Jaeger E, ainda que eu caminhe através dos vales da Sombra... Salmo de Davi Vós, que me ledes, estais vivo; mas eu, que escrevo, há muito declinei em meu caminho para as regiões das sombras. Porque estranhas coisas ocorrerão e coisas secretas serão reveladas; e muitos séculos terão decorrido até que os homens leiam estas memórias. E, quando as virem, alguns não lhe darão crédito e outros irão duvidar; contudo, uns poucos encontrarão razões para meditar sobre os caracteres aqui gravados com férreo estilete. O ano tinha sido de terror e de sensações muito mais intensas que o terror, para as quais não existe nome sobre a terra. Pois se sucederam muitos prodígios e muitos sinais e, em toda parte, sobre o mar e sobre a terra, estendiam-se as asas da Peste. Para aqueloutros, doutos na leitura das estrelas, não era estranho que os céus revelassem uma fisionomia de desgraças; mas, para mim, o grego Óinos, e para...

A ALMA DO OUTRO MUNDO - Narrativa Verídica - Anônimo do séc. XIX

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A ALMA DO OUTRO MUNDO Anônimo do séc. XIX Lemos no  Jornal do Comércio  do Rio: “Isto, que talvez pareça a muitos uma fantasia, é um fato real, sucedido há bem pouco tempo. Vinha raiando o dia: a manhã era fresca, o tempo sereno. Pela estrada do Barreto, em Niterói, ia seguindo, a trote largo, na sua carrocinha, um empregado de padaria, encarregado da distribuição do pão a vários fregueses moradores além do cemitério de Maruí. Habituado a esse trajeto matutino, o bom rapaz nem se dava por achado com os contínuos solavancos de seu veículo, e, como se estivesse reclinado no mais macio de todo os coxins do Oriente, dava largas à imaginação, e ia com seus castelos no ar prelibando o favo de mel de uma vida toda de abastança, que sonhava passar quando chegasse a ser o que mais pode ambicionar um entregador de pão, quando chegasse a ser dono de uma padaria... Quantos planos! Que futuro tão dourado pela fagueira esperança! De repente, soou-lhe aos...