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Mostrando postagens de maio, 2026

O CEMITÉRIO DE AHRENSBURG - Narrativa Verídica Fúnebre Sobrenatural - Robert Owen

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O CEMITÉRIO DE AHRENSBURG Perturbações numa capela mortuária na ilha de Ösel em 1844 Robert Owen (1771 – 1858) Tradução de Paulo Soriano Nas imediações de Ahrensburg — que é a única cidade da ilha de Ösel — encontra-se um cemitério público. De bom gosto e cuidadosamente conservado, com árvores plantadas e parcialmente cercado por um bosque de coníferas, é um local de passeio predileto dos habitantes. Além dos túmulos — de todos os tipos, dos mais humildes aos mais elaborados —, o cemitério abriga diversas capelas particulares, locais de sepultamento de famílias ilustres. Sob cada uma das capelas há um jazigo, pavimentado com madeira, ao qual se desce por uma escada interna, fechada por uma porta. Os caixões dos membros da família recentemente falecidos permanecem, como de costume, algum tempo na capela. Posteriormente, são transferidos para os jazigos, onde são dispostos lado a lado, elevados sobre barras de ferro. Os caixões são de carvalho maciço, muito pesados ​​e robusto...

O VAMPIRO DE CÁRPOLES - Conto de Terror - Danilo Seraphim

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  O VAMPIRO DE CÁRPOLES Danilo Seraphim Quando eu morrer minhas músicas continuarão tocando por aí e fazendo sucesso, bradou com empolgação Reinaldo Bole, e ainda soltou uma da Cassia Eller dizendo que era poeta e não sabia amar. Ele morreu e suas músicas não tocaram em porra de lugar nenhum. Mas Juliete tinha um segredo sobre Reinaldo Bole que ela guardava escondido no coração, depois que ele se atirou na lagoa de Cárpoles, ao norte do Estado do Paraná, e morreu afogado. Reinaldo Bole partiu desta vida como nela vivera: em silêncio, sem aplausos, sem um único violão a chorar sua despedida. A água escura da lagoa de Cárpoles engoliu seu corpo magro numa noite sem testemunhas — ou assim todos pensavam. Juliete soube antes de qualquer um. Sentiu arfar no peito um aperto frio na madrugada em que ele se afogou, como se um fio invisível que a ligava ao rapaz tivesse sido cortado a tesoura. Chorou em segredo, trancada no quarto dos fundos da pensão onde trabalhava. Não foi ...

ÓRFÃO - Conto de Horror - Finn Audenaert

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  ÓRFÃO 1 Finn Audenaert Absorvo-te em mim, em fatias. Memória após memória regressa neste buraco húmido sob a minha casa. O mofo envolve-nos, meu ladrão de corações. Esse delicioso cheiro de decomposição abafa tudo o que suportei. O que nós suportámos. A nossa vida antes e depois da queda. Na luz indiferente de uma lâmpada fluorescente, observo, sentado numa cadeira instável, o mapa na parede. Não mostra continentes nem países. Não, apenas tu, em duplicado. No painel da esquerda: músculos, tendões, nervos — sigo lentamente as formas e volto a gravá-las em mim. O meu olhar detém-se um pouco mais nos órgãos do painel da direita. Alguns são grandes, outros pequenos, todos digeríveis. Por fim, a minha atenção é atraída pela ampliação no círculo no canto superior esquerdo: o mistério… Muitos procuraram a alma ao longo do tempo; quando estavas no hospital, li o trabalho deles com grande interesse. Tinha tempo de sobra. A alma não existe, li. A alma está fora de nós. Ou ainda, a a...