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Mostrando postagens de junho, 2026

O ESPELHO DE PRATA - Conto Clássico Sobrenatural - Arthur Conan Doyle

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O ESPELHO DE PRATA Arthur Conan Doyle (1859 – 1930) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Janeiro, 3. — Este exame de contas de White & Wotherspoon promete-me um labor formidável. Vinte enormes registros a detalhar e a necessidade absoluta de entregar minhas conclusões até 20 do corrente, para que os juízes possam estudá-las antes do processo. Divido meu dia de trabalho em duas partes: uma, das 10 da manhã às 5 da tarde e, a segunda, de 8 da noite a 1 hora da madrugada e, assim, concluirei em tempo, se o esforço não exceder do que se pode esperar do cérebro e dos nervos de um homem.  Janeiro, 6. — Os médicos são sempre os mesmos: prescrevem o repouso, justamente quando nos achamos de tal maneira ocupados que nos é impossível dispor sequer de um minuto. Necessito entregar meu trabalho na data fixada ou perderei a única oportunidade de minha carreira. Repousar-me? Tolice! Oferecer-me-ei uma semana de férias quando terminar o processo.  Sem dúvida, fui um tolo em cons...

O ESPÍRITO MAU - Conto Clássico de Mistério - Edward Kennedy

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O ESPÍRITO MAU Edward Kennedy (Sec. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX   Antes de começar a minha narrativa, recordemos as célebres palavras de Pasteur: “Nós outros, pacientes perscrutadores da natureza, enriquecidos pelas descobertas dos nossos predecessores, munidos dos instrumentos mais delicados, armados dos severos métodos experimentais, tropeçamos a cada passo nas investigações à procura da verdade e percebemos que o mundo material, nas suas mínimas manifestações, é quase sempre outro e não esse que percebemos.” Incumbam-se outros de discutir, comentar contraditar ou repelir as ideias do grande homem. Eu prefiro narrar um fato. Convém advertir, desde já, que estou longe de ser o que abi chamam de “carola”. Antes, pelo contrário, sou o mais cético e irônico entre os “São-Tomés” que abundam atualmente nesse nosso mundozinho cada vez menos crendeiro. A explicação disso é, aliás, facílima: sou descendente de uma família de mágicos e prestigiadores célebres que, durante suce...

JULIANA ÁLVARES - Conto Clássico de Horror - Autor anônimo do séc. XIX

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JULIANA ÁLVARES Autor anônimo do séc. XIX   Alguns anos faz que fui convidado por um amigo a passar uns dias fora da cidade: aproveitei alguns dias santos, e fui. No primeiro dia de guarda que tivemos, depois de tomar, logo ao nascer do sol, a mais bela e aromática xícara de café que jamais foi feita por mãos de anéis, depois de ir admirar uma linda queda d'água, que ficava a algumas braças distante da casa, depois de dar algumas voltas no mais frondoso e florido laranjal, depois, enfim, de muito vaguear, muito cismar o muito papaguear, almoçamos um desses almoços que não conhecem os nossos gastrônomos da cidade, costumados a pratinhos e guisadinhos, mas que conhecem os nossos abastados fazendeiros: almoço que bastara para o jantar de um regular convento de frades. Estavam os cavalos prontos, de modo que, acabado o almoço, cavalgamos, e lá fomos diretos à freguesia para ouvir missa. Na sacristia, encontramos o vigário, homem de cinquenta anos, com uma destas fisionomias austeras, q...

O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO - Narrativa Clássica de Terror - Xavier Marmier

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O ESPECTRO DO SENHOR AVARENTO Xavier Marmier (1808 – 1892) Tradução de Paulo Soriano   Uma pequena cidade nas montanhas do Franco-Condado testemunhou, em várias ocasiões, uma aparição maravilhosa. A um quarto de léguas do rio Maiche, no topo de uma colina, avistam-se as ruínas de um castelo circundado por matagais e abetos. Ali viveu, outrora, um senhor avarento, cujo coração estava fechado a qualquer senso de justiça: para saciar a sua sórdida paixão, constantemente submetia os seus vassalos a novas exações e assenhorava-se dos bens dos seus vizinhos.  Ele está sepultado em meio aos seus tesouros, mas ali não encontra repouso. Desejaria trocar o seu esplêndido sepulcro pela sepultura de terra fresca onde qualquer camponês dorme com tanta tranquilidade; mas está condenado a permanecer onde viveu, e passar a noite gemendo, a chafurdar no seu tesouro. No entanto, Deus, comovido com os seus sofrimentos e com as orações que os seus descendentes lhe ofertaram, restaurou a esperança...

A ÚLTIMA NOITE DA CIGARRA - Conto de Horror - Marcelo Reis

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A ÚLTIMA NOITE DA CIGARRA Marcelo Reis   Num quarto qualquer, Rogério, que é um exímio vendedor de armários planejados, acorda e examina aquelas paredes não tão familiares. É sabido de muitos leitores que algumas casas são asilos invioláveis a ruídos de socorro. Uma cigarra na janela parece confrontar-lhe. O silêncio é destruído pelas suas asas, as luzes são acesas nos quartos alheios. Um coração acelera e consegue perceber o lençol ritmar ao escutar tamanha sonoridade. O vento parece responder ao clamor advindo daquela pequena força e intercala com assobios que ecoam até o submundo. Ouve passos pesados sobre um piso velho e escandaloso. E com uma rápida intuição, esconde-se no guarda-roupa que pertenceu a uma linda garota chamada Cecília que morreu há muito tempo. O seu nariz começa a coçar em um espaço que não caberia um cão de médio porte, no entanto, espreme-se em uma luta enfadonha com uma imensidão de roupas. Conjura neste espaço as mais horríveis maldições. A sua cabeça está...