UMA MULHER ARRANCADA VIVA DA SEPULTURA - Narrativa Clássica de Horror - Augustin Calmet


UMA MULHER ARRANCADA VIVA DA SEPULTURA
Augustin Calmet
(1672 – 1757)


Um comerciante da Rua Santo Honorato, em Paris, havia prometido sua filha a um de seus amigos, um comerciante como ele estabelecido na mesma rua.

Tendo um banqueiro se apresentado como como pretendente da jovem filha, este foi aceito como noivo em detrimento do rapaz a quem ela já havia sido prometida. 

Realizado o casamento, a jovem noiva adoeceu. Foi dada como morta, envolta em mortalha e enterrada.

O primeiro prometido, supondo que ela em verdade caíra em simples letargia, ou padecera de uma síncope, desenterrou-a durante a noite, fê-la recuperar a consciência e casou-se com elas.  Atravessaram o Canal da Mancha e viveram tranquilamente na Inglaterra por alguns anos.  Ao cabo de dez anos, retornaram a Paris, onde o primeiro marido, tendo reconhecido a sua mulher em um passeio público, reivindicou-a em uma corte de justiça. E este fato rendeu ensejo a um grande processo judicial.

A esposa e seu (segundo) marido se defenderam com o argumento de que a morte havia rompido os laços do primeiro casamento. Até acusaram o primeiro marido de a haver sepultado a esposa de um modo demasiadamente precipitado.  Os amantes, todavia, prevendo que poderiam sucumbir, retiraram-se novamente para uma terra estrangeira, onde terminaram seus dias. 

Esse episódio é tão singular que nossos leitores terão alguma dificuldade em dar-lhe. Eu apenas conto o que foi dito. Cabe aos que a expõem garanti-lo e prová-lo.


Versão em português: Paulo Soriano.
Narrativa constante do Traité sur les apparitions des esprits et sur les vampires ou les revenants de Hongrie, de Moravie, etc. (Tratado sobre as aparições dos espíritos e sobre os vampiros ou redivivos da Hungria, da Morária etc.), de 1751.




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