A MÁSCARA DA MORTE ESCARLATE Edgar Allan Pöe (1809 – 1849) Tradução de José Jaeger Havia muito tempo que a “Morte Escarlate” devastava todo o país. Jamais uma peste fora tão letal e tão terrível. O sangue era a sua encarnação e o seu sinete: o vermelho e o horror do sangue. Começava com dores agudas, com um desvanecimento súbito, e logo os poros se punham a sangrar abundantemente. Sobrevinha, então, a decomposição. Manchas escarlates no corpo e, notadamente, no rosto da vítima, segregavam-na da humanidade e a afastavam de todo socorro e de toda compaixão. O contágio, o progresso e o fim da enfermidade consumiam apenas meia hora. Mas o Príncipe Próspero era feliz, intrépido e sagaz. Quando os seus domínios minguaram à metade de almas vivas, convocou um milhar de amigos fortes e de corações alegres, escolhidos entre os cavalheiros e damas da sua corte. E, com eles, formou um refúgio recôndito em uma de suas abadias fortificadas. Tratava-se de uma vasta ...
O GATO PRETO Edgar Allan Pöe (1809 - 1849) Tradução: S. de M. (Séc. XIX) Não espero nem peço que acreditem na extraordinária e, contudo, vulgar história que lhe vou narrar. Na realidade, seria um louco se tal esperasse, num caso em que os meus sentidos repelem o seu próprio testemunho. E, todavia, eu não sou um doido —e não estou sonhando, com certeza. Mas, como devo morrer amanhã, quero hoje aliviar a minha alma. O meu fim imediato é apresentar ao mundo —claramente, sucintamente e sem comentários —uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas consequências, esses acontecimentos terrificaram-me, torturaram-me, aniquilaram-me. Entretanto, não tentarei aclará-los. Considero-os horríveis, ainda que a muitas pessoas possam parecer menos terríveis do que estranhos. É possível que mais tarde haja uma inteligência mais serena que reduza o meu fantasma à situação comezinha de simples lugar comum —uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitáv...
A MÃO DO MACACO W. W. Jacobs (1863 - 1943) Tradução de Paulo Soriano Romancista e contista inglês, W. W. Jacobs (1863 – 1943), malgrado tenha se dedicado precipuamente ao humor, é conhecido sobretudo pela obra “A Mão do Macaco”. Este conto — uma das mais famosas narrativas de terror já escrita — foi publicado originariamente na coletânea “A Dama da Barca”, de 1892, mas continua a atrair admiradores nos dias atuais, dentre eles o célebre romancista norte-americano Stephen King. Na breve narrativa, uma mão mumificada de macaco constitui-se num amuleto que tem o poder de conceder, a quem a possui, três desejos. Mas, por interferir na ordem natural dos acontecimentos, os desejos são satisfeitos a um alto — e terrível — preço. Lá fora, a noite estava fria e úmida , mas, na pequena sala de Laburnam Villa, os postigos estavam cerrados e o fogo ardia intensamente. Pai e filho jogavam xadrez. O primeiro tinha ideias próprias sobre o jogo ...
O BARBA AZUL Charles Perrault (1628 – 1703) Era uma vez um homem que tinha belas casas na cidade e no campo, baixelas de ouro e prata, móveis muito bem trabalhados e carruagens douradas; mas, infelizmente, sua barba era azul, o que o deixava tão feio e terrível que não havia dama ou donzela que não fugisse dele. Uma de suas vizinhas, uma senhora de elevada estirpe, tinha duas filhas muito belas. Ele pediu a mão de uma delas, deixando à mãe a missão de escolher qual seria noiva. Nenhuma das moças queria casar-se com tal pretendente e cada uma empurrava-o para a outra, incapaz de decidir em casar-se com um homem de barba azul. Além disso, o que ainda mais as desprazia era o fato de que ele já se havia casado com várias mulheres e ninguém sabia o que havia acontecido a elas. Barba Azul, para estabelecer relações com as jovens, levou-as com a mãe, três ou quatro amigas íntimas e algumas moças da vizinhança, para uma de suas casas de campo, onde permaneceram oito di...
Cruel
ResponderExcluir