O DEMÔNIO ABRAEL - Conto Clássico de Terror - Nicolás Remi e Collin de Plancy

 




O DEMÔNIO ABRAEL

Nicolás Remi (1563 – 1750)  e  Collin de Plancy (1794 – 1881)

 

Abrael é um demônio súcubo cuja aventura é esta:

“No ano de 1531, na aldeia de Dalhem sobre o Mosa, um pastor, chamado Pierront, que, sendo casado, tinha um menininho com a sua mulher, apaixonou-se perdidamente por uma donzela de sua aldeia.

Um dia, no campo, enquanto pensava naquela donzela, o demônio apareceu-lhe sob a figura da jovem cobiçada.

Tendo Pierront declarado o seu amor a quem pensava ser a donzela, a aparição lhe prometeu corresponder às suas ternuras,  com a condição de que se entregaria a ela e lhe obedeceria em tudo.

Pierront consentiu, consumando o seu abominável amor com aquele espectro.

Algum tempo depois, Abrael pediu ao pastor, como prova de seu amor pela donzela, cuja fisionomia encarnava, que sacrificasse seu filho único em sua homenagem. A tanto, deu-lhe uma maçã para que o menino comesse. Este, apenas ao prová-la, caiu imediatamente morto. O pai e a mãe, vendo o lamentável acontecimento, caíram em desespero, chorando inconsolavelmente.

Abrael apareceu novamente ao pastor e lhe prometeu restituir o filho à vida, se o pai quisesse pedir-lhe esta graça, prestando-lhe culto  de adoração que somente é devido a Deus.

O camponês ajoelhou-se e adorou Abrael. Imediatamente, o menino reviveu, abrindo os olhos. Por conta de fricções corporais, que o aqueceram, o garoto voltou a falar e a andar. Parecia o mesmo de antes, embora mais magro e abatido; tinha os olhos inexpressivos e afundado nas órbitas e os seus movimentos estavam mais lentos e pesados.

Ao cabo de um ano, o demônio, que animava o garotinho, abandonou-lhe o corpo com um grande estrépito. O menino caiu de costas, e o seu corpo infecto, que exalava um odor insuportável, foi arrastado por um gancho para fora da casa de seu pai e enterrado no campo sem cerimônia alguma.”

 

Versão em português: Paulo Soriano.

Fonte: Collin de Plancy, Dictionnaire Infernal.

 


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