RUÍDOS DA BABÁ ELETRÔNICA - Conto de Terror - Maycon Guedes

 


RUÍDOS DA BABÁ ELETRÔNICA

Maycon Guedes

 

 

Ao ouvir ruídos vindo da babá eletrônica, narrados por uma voz tenebrosa, Lúcia corre para o quarto do bebê no meio da noite, encontrando o pequenino chorando na penumbra.

 

   A fina tela de tecido vazada que cobria o berço, movia-se lentamente, formando uma silhueta, contornando algo maligno junto da criança.

 

   Um forte cheiro de vela tomava conta daquele lugar, deixando o quarto com uma atmosfera idêntica a de um velório.

 

   Os ruídos vêm assombrando Lúcia há três dias; não suportando mais, ela não hesitou em discar o número de telefone concedido por sua amiga supersticiosa, indicando uma vizinha de dons sobrenaturais que estaria disposta a ajudá-la.

 

   A vizinha atende o telefone e se assusta com os berros de Lúcia — “Venha, depressa! Um ser maligno está no quarto do bebê!” — A vizinha parte para casa de Lúcia acompanhada de uma terrível sensação maléfica.

 

   Lúcia abre a porta, agarra um dos braços da velha e a conduz até o quarto — "Onde está o pai da criança?” — Indagou a velha enquanto acelerava o passo. Um pouco constrangida, Lúcia responde que teve um caso de uma única noite com um homem, e que depois disso, ele sumiu para sempre.

 

   A velha, ao entrar no quarto do bebê, imóvel e de olhos arregalados, sussurra para Lúcia — "Misericórdia! Seus olhos não têm o dom de ver o que eu vejo, mas está lá, diabolicamente visível! Não existe um ser maligno assombrando seu filho; o seu filho é o próprio maligno. Você teve um caso com Satã e deu à luz um demônio. Este é o filho das trevas!”

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