POE POE NOEL - Conto de Terror - Karoline Thomaz
POE POE NOEL
Karoline Thomaz
Anoiteceu.
O
lúgubre sino bateu.
Anunciando
a noite de Natal.
Uma
ocasião em que eu saio para realizar os sonhos juvenis de amor e esperança
envolto em minha capa rubra.
Nesta
noite eu carrego um saco que pesa mais que a própria culpa. Não é um simples
presente; é um fardo, um segredo obscuro que levo entre as dobras vermelhas do
manto que me envolve.
Adentro
a modesta moradia não por uma chaminé, mas pela porta que se encontra
entreaberta. No quarto, o pequeno órfão anseia pelo impossível: a presença
materna que a morte lhe roubou.
Mantendo
o silêncio e deposito o presente inerte debaixo da árvore enfeitada. A cabeça
se recusa a se ajeitar, tomba desamparada para o lado diversas vezes antes de
aceitar seu destino. Enquanto arrumo o fardo, próximo a uma poltrona
desgastada, um gato preto me observa em silêncio com seu único olho brilhando
na escuridão.
Ignoro
o julgamento do maldito felino e removo os vermes da face cadavérica, cobrindo
parte do crânio exposto com os tufos de cabelo que restaram.
Finalizo
o serviço e vou pelo mesmo caminho por onde entrei, deixando para trás o
presente que o jovem em fervor me pediu durante o ano e que, em meu ofício, não
me permito recusar.
Enquanto
voo pelo céu, tomando distância da pequena casa, ouço um grito ecoando pela
noite adentro, é o choro aterrorizado da criança. Suponho que não tenha gostado
do presente.
No
meio do voo um corvo pousa ao meu lado e grasnando em escárnio repete:
"Criança ingrata, crianças ingratas e nada mais". Tenho que
concordar.
Me
distancio o mais rápido que consigo, ainda tenho sonhos para realizar.
Conto originalmente publicado em 18/01/2024.

Excelente conto!
ResponderExcluirÉ uma grande honra ter um dos meus contos publicados em um site que tanto admiro, muito obrigada!
ResponderExcluirMuito obrigado, Kalroline. A honra é toda nossa.
ExcluirMeu amor! Não canso de dizer o quanto és incrível!
ResponderExcluirFodaaaa!! putz, amei.
ResponderExcluirHoje é aniversário de Edgar Alan Poe 19/01
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