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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

O BREJO DAS ALMAS - Conto de Terror - Paulo Soriano

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  O BREJO DAS ALMAS Paulo Soriano   O alfange rútilo da lua, Por degolar a nuca nua Que me alucina e que eu não domo!… Evoé Momo! Manuel Bandeira.   Era o anoitecer da Segunda-Feira de Carnaval. Eu estava, de passeio, no Brejo das Almas. — Não há mesmo ninguém na vila? — perguntei. O cego Gumercindo respondeu-me, extraindo um fiapo de fumaça de seu cachimbo de barro: — Não, não há. Faz mais de setenta anos que não há vivalma no velho Brejo das Almas.   — Mas a vila me parece bem conservada. — É verdade. Todos os anos, em janeiro e junho, as Senhoras dos Lilases cuidam de lavar todas as casas e de varrer, cuidadosamente, os paralelepípedos das ruas. A cada cinco anos, em dezembro, tratam de pintar as fachadas, consertar os telhados e reforçar as vigas e caibros das casas. E levam belas flores e água perfumada à igrejinha e ao cemitério. São mesmo devotas, essas pobres senhoras negras. Eu já ouvira rumores acerca de eventos sobrenaturais n...

O DIABO EM PARIS - Conto Humorístico de Horror - Escritor anônimo do século XIX

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O DIABO EM PARIS Anônimo do séc. XIX Chegando pelo Carnaval a Paris, um jovem provinciano acomodou-se em uma das hospedarias principais. Querendo tomar parte no divertimento dos mascarados, logo que anoiteceu saiu da hospedaria e foi comprar máscara e vestuário correspondente à figura do diabo. Vestindo-se na loja em que tais objeto se vendiam, saiu para o baile do mais próximo teatro, onde se divertiu até as três horas da madrugada, e então regressou à hospedaria sem se lembrar da figura que fazia. Chegou à porta e bateu. Veio uma criada sabor quem era. Porém, assim que viu o hóspede, deitou a fugir assustadíssima, de maneira que não foi possível conseguir que se abrisse a porta. O provinciano, apertado pelo frio, foi rua abaixo, e, vendo uma porta aberta e luz na sala, entrou. Estava no meio da sala um defunto circundado de tochas acesas, e um clérigo assentado em uma cadeira com um rapazinho a seu lado, dormindo ambos ao calor de um braseiro que tinham diante d...

O BARRIL DE AMONTILLADO - Conto Clássico de Horror - Edgar Allan Poe

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  O BARRIL DE AMONTILLADO Edgar Allan Pöe (1809 – 1849) Tradução de Paulo Soriano   Suportei o melhor que pude as mil injúrias de Fortunato; mas, quando estas se convolaram em insulto, eu jurei vingança. Vós, que tão bem conheceis a natureza de minha alma, não havereis de supor, todavia, que eu lhe tenha proferido uma única ameaça. Finalmente, eu me vingaria. E esta era uma resolução definitivamente tomada. Mas tal deliberação, porque definitiva, excluía a ideia de riscos. Eu não deveria apenas puni-lo, mas puni-lo impunemente. Um mal não está definitivamente reparado se a retribuição recai sobre aquele que se vinga. De igual modo, o mal não estará reparado se aquele que se desforra se revela àquele contra quem pratica a vingança. É preciso que se entenda que, nem por palavras nem por atos, dei a Fortunato qualquer motivo para duvidar da minha aparente boa vontade. Continuei, como era meu costume, a sorrir-lhe, sem que ele, todavia, percebesse que, agora, o meu sor...

UMA VIAGEM NO TEMPO - Conto Clássico de Ficção Científica - Octave Béliard

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UMA VIAGEM NO TEMPO Octave Béliard (1876 – 1951) Tradução de autor anônimo do início do séc. XX Eu estava em Roma, mergulhado no estudo daquelas ruínas preciosas, dividindo minha admiração entre a cidade dos papas e a cidade dos Césares; a áspera beleza da Roma imperial, arte imensa de Miguel Ângelo e de Rafael mantinham-me em um deslumbramento sem fim. Chegava a imaginar que não se pudesse viver sem aquela atmosfera do passado grandioso. O único laço que me prendia a meu tempo era a remessa regular de publicações novas, que meu livro de Paris fazia regularmente, porém, mesmo para ler esses frutos da mentalidade atual, eu procurava as sombras do Pincio , ou do Pa l atrio e, sobretudo, a Roma Quadrata dos primeiros reis, ainda coroada pelas ruínas dos palácios imperiais. Foi quando encontrei outro visitante assíduo como eu. Era um velho bem-vestido, com ares de sábio, e que, caminhando penosamente, apoiado a uma bengala, vinha ficar, por muitas horas, sentado sobre os restos d...