O FANTASMA DE PEG ALLEY'S POINT - Narrativa Verídica Sobrenatural - Autor desconhecido do séc. XIX
O FANTASMA DE PEG ALLEY'S POINT
Autor desconhecido do séc. XIX
Tradução de Paulo Soriano
Peg Alley's Point é uma longa e estreita faixa de terra arborizada, situada entre o curso principal do rio Miles e um dos riachos navegáveis que nele deságuam.
Esta pequena península, que tem cerca de duas milhas de comprimento e cinquenta a trezentas jardas de largura, é cercada por águas profundas e coberta por pinheiros e densa vegetação rasteira.
Conta-se, tradicionalmente, que, há muitos anos, um grupo de pescadores de ostras de Baltimore acampou na ponta. Dentre eles, estava um homem chamado Alley, que havia abandonado a esposa.
A mulher abandonada seguiu o marido e o encontrou naquele acampamento. Após conversarem alguns instantes, o marido a convenceu, sob algum desconhecido pretexto, a acompanhá-lo até um matagal. A pobre mulher nunca retornou. Seu marido a assassinou cruelmente com um porrete.
Desde então, a ponta de terra é conhecida pelo nome de Peg Alley, e acredita-se que seu espírito perturbado assombra o local onde se deu a sua morte prematura.
Há cerca de doze anos, um grupo de lenhadores trabalhava naquele cabo. Certa feita, o capataz se recusou terminantemente a voltar àquele lugar, declarando que coisas estranhas aconteciam ali e que lá ele tinha visto um fantasma. O Sr. Kennedy, seu patrão, riu dele e ignorou o assunto.
Passado algum tempo, o Sr. Kennedy teve que cavalgar pela mata para cuidar de algumas ovelhas, Naquele trecho, havia apenas a estrada, cercada de água por ambos os lados. Quando se aproximava do cabo, o seu cavalo deu um violento salto e se recusou a seguir em frente, indiferente à ação do chicote e da espora.
Olhando ao redor, perquirindo a causa daquele susto sobrenatural, ele viu uma mulher levantar-se dum tronco, alguns metros à frente, e permanecer parada, à beira da estrada, olhando para ele. A mulher, bem mal vestida, envolvia-se num vestido de chita desbotado e usava um chapéu de sol mole, de onde os seus finos cabelos negros caíam sobre os ombros. O seu rosto era magro e pálido, e seus olhos negros e penetrantes.
Sabendo que a mulher nada tinha a fazer ali, e ocupado a controlar o seu cavalo, ele gritou-lhe, com alguma irritação, para que saísse do caminho, pois o seu animal apavorava-se com a sua presença. Lentamente, ela se virou e entrou no matagal, sem dizer uma palavra, e olhando para ele com reprovação enquanto se afastava.
Com muita dificuldade, ele forçou o cavalo a parar naquele local, na esperança de descobrir quem poderia ser a estranha intrusa; todavia, a mais cuidadosa busca não revelou qualquer vestígio de quem quer que seja, embora não houvesse nenhum esconderijo ou qualquer possível rota de fuga, para a qual, na verdade, não haveria tempo suficiente.
Fonte: “The Best Ghost Stories”, Boni & Biveright, Inc., Nova York, 1919.

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