AS SEREIAS - Narrativa Clássica Sobrenatural - Homero

AS SEREIAS

Homero

(Sec. VIII a.C.)



As sereias encantam todos os homens que delas se aproximam. Quem, inadvertidamente, navegar próximo a elas e ouvir o seu canto, nunca mais se verá rodeado pela mulher e filhos transbordando de alegria pelo regresso a casa. Em vez disso, elas encantam-no com o seu sonoro canto, sentadas num prado e cercadas por um grande pilha de ossos humanos apodrecidos, cobertos de pele ressecada.

Faz, Ulisses, com que o teu navio navegue ao largo delas e, derretendo cera suave como o mel, unta os ouvidos dos teus companheiros para que nenhum deles as escute. Mas, se quiseres ouvi-las, faz com que te amarrem, firmemente, com cordas, de pés e mãos atadas, ao mastro, para que ouças prazerosamente a voz das sereias; e, se suplicares aos teus companheiros ou lhes ordenares que te desamarrem, que eles te prendam ao mastro com mais cordas ainda.


Versão em português de Paulo Soriano.

 

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