ATAQUE VAMPÍRICO - Conto Tradicional Chinês de Terror

ATAQUE VAMPÍRICO

Conto tradicional chinês


Certa feita, um vendedor de tecidos chamado Lì-kiou, de Sû-tcheou (Nân-hoei), passando por Hoùo-chan, encontrou todas as hospedarias lotadas. Em busca de refúgio para passar a noite, recolheu-se num pagode1.

Já dormia profundamente quando Wêi-t'ouo, o Protetor, lhe apareceu num sonho. Acordou-o com umas palmadas nas costas e lhe disse:

Rápido, rápido, uma grande desgraça te ameaça! Refugia-te atrás de mim.

Nosso homem, deveras atordoado, ainda perguntava-se sobre o que estaria acontecendo, quando um caixão, ali depositado, se abriu rangendo. De dentro dele escapuliu um vampiro, coberto de pelos brancos, com olhos encovados e brilhantes, que saltou sobre Lì. Este mal teve tempo de se refugiar atrás da estátua do Protetor. Os braços do vampiro abraçaram a estátua, enquanto os seus dentes cravavam-se no cajado da imagem.

Tendo ouvido os gritos de terror de Lì, os monges correram com lanternas. O vampiro recuou para dentro de seu caixão, que se fechou.

Lì relatou o que havia ocorrido. No dia seguinte, os monges informaram o incidente ao mandarim, que mandou queimar o caixão. Os dentes do vampiro tinham quebrado o bastão do Protetor em três pedaços. O Lì, em sinal de gratidão, mandou fazer uma nova estátua dourada para o Protetor.


Versão em português de Paulo Soriano a partir da tradução ao francês de Léon Wieger (1858 – 1922).


Nota:

1Pavilhão de adoração aos deuses.

 

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