A HISTÓRIA DO VAMPIRO DE KISILOVA - Narrativa Clássica de Terror - Augustin Calmet e Jean-Baptiste Boyer d'Argens


A HISTÓRIA DO VAMPIRO DE KISILOVA

Augustin Calmet (1672 – 1757) e Jean-Baptiste Boyer d'Argens (1703 - 1771)

Lê-se nas “Cartas Judaicas”, nova edição, 1738, carta 137:

“Acabamos de ter, nesta região da Hungria, uma cena de vampirismo —devidamente atestada por dois oficiais do tribunal de Belgrado, que acorreram ao local do incidente. E, ademais, por um oficial das tropas imperiais em Gradz, que foi testemunha ocular no processo.

No início de setembro, morreu na aldeia de Kisilova, a três léguas de Graditz, um ancião de setenta e dois anos de idade. Três dias depois sepultado, ele apareceu, à noite, a seu filho e pediu-lhe de comer. O filho lhe deu algo, que ele comeu. Depois, desapareceu. No dia seguinte, o filho contou aos vizinhos o que havia acontecido. Naquela noite, o pai não apareceu.  Mas, na noite seguinte, ressurgiu, novamente pedindo comida. Não se sabe se o filho lhe deu algo ou não. No dia seguinte, todavia, encontraram-no morto em sua cama. Nessa mesma data, cinco ou seis pessoas adoeceram repentinamente na aldeia e morreram, uma após a outra, em poucos dias.

O oficial ou oficial de justiça local, quando informado do acontecido, enviou um relatório ao tribunal de Belgrado, que encaminhou à aldeia dois oficiais e um carrasco para averiguar o caso. O oficial imperial, de quem procede este relato, seguiu a Graditz, para testemunhar uma circunstância da qual ele, com tanta frequência, ouvira falar.

Abriram as sepulturas das pessoas que haviam morrido há seis semanas. Quando descobriram o ancião, conservava este os olhos abertos, a pele corada, a respiração natural. Jazia, contudo, imóvel como os mortos. Concluíram, portanto, que ele era, evidentemente, um vampiro. O carrasco enfiou-lhe uma estaca no coração. Então, ergueram uma pira e reduziram o cadáver a cinzas. Nenhum sinal de vampirismo foi encontrado no cadáver do filho ou nos outros.”


Versão em português: Paulo Soriano.
Narrativa constante do Traité sur les apparitions des esprits et sur les vampires ou les revenants de Hongrie, de Moravie, etc. (Tratado sobre as aparições dos espíritos e sobre os vampiros ou redivivos da Hungria, da Morávia etc.), de 1751.


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