O DEMÔNIO NA GARRAFA Robert Louis Stevenson (1850 – 1894) Tradução de autor anônimo do séc. XX. Era uma vez um homem, natural da ilha do Havaí, a quem chamarei de Keawe. Vive ainda e, por isso, devo calar seu verdadeiro nome. Mas o lugar de seu nascimento fica próximo a Honaunau, onde jaz enterrado, no fundo de uma gruta, o esqueleto de Keawe, o grande. Esse indivíduo era pobre, honrado e diligente. Sabia ler e escrever tão desembaraçado quanto um mestre-escola. Reputava-se, também, marinheiro de primeira ordem, pois servira durante vários anos como timoneiro, a bordo de uma embarcação das ilhas, além de piloto de um baleeiro, nas costas de Hamakua. Finalmente, viera-lhe a ideia de correr o vasto mundo e suas incontáveis ilhas desconhecidas. Para esse fim, tomou um navio, rumo a São Francisco da Califórnia que, por essa ocasião, era já uma grande e formosa cidade, dentro de admirável baía, e habitada por muita gente rica, cujos palacetes suntuosos cobriam toda uma colina. Pas...
O GATO PRETO Edgar Allan Pöe (1809 - 1849) Tradução: S. de M. (Séc. XIX) Não espero nem peço que acreditem na extraordinária e, contudo, vulgar história que lhe vou narrar. Na realidade, seria um louco se tal esperasse, num caso em que os meus sentidos repelem o seu próprio testemunho. E, todavia, eu não sou um doido —e não estou sonhando, com certeza. Mas, como devo morrer amanhã, quero hoje aliviar a minha alma. O meu fim imediato é apresentar ao mundo —claramente, sucintamente e sem comentários —uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas consequências, esses acontecimentos terrificaram-me, torturaram-me, aniquilaram-me. Entretanto, não tentarei aclará-los. Considero-os horríveis, ainda que a muitas pessoas possam parecer menos terríveis do que estranhos. É possível que mais tarde haja uma inteligência mais serena que reduza o meu fantasma à situação comezinha de simples lugar comum —uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitáv...
O HORLA Guy de Maupassant (1850 – 1893) Tradução de autor anônimo do séc. XX 8 de maio. — Que dia admirável! Passei toda a manhã estendido na erva em frente da minha casa, debaixo do enorme plátano que a cobre e a abriga com a sua sombra. Gosto desta terra e gosto de aqui viver, porque é aqui que tenho as minhas raízes, que ligam um homem à terra onde nasceram e morreram os seus antepassados, que o ligam ao que aí se pensa e ao que aí se come, aos usos como aos alimentos, às locuções locais, às entoações dos camponeses, aos perfumes do solo, das aldeias e do próprio ar. Gosto da casa onde nasci. Das janelas, vejo o Sena que corre, ao longo do meu jardim, por trás da estrada, quase até minha casa — o grande e largo Sena, que vai de Ruão ao Havre, coberto de barcos que passam à esquerda; ao fundo, Ruão, a grande cidade de tetos azuis, sob o conjunto dos campanários góticos. São inumeráveis, pequenos ou grandes, dominados pela flecha de ferro coado da catedral e cheios de sinos que ...
O BARBA AZUL Charles Perrault (1628 – 1703) Era uma vez um homem que tinha belas casas na cidade e no campo, baixelas de ouro e prata, móveis muito bem trabalhados e carruagens douradas; mas, infelizmente, sua barba era azul, o que o deixava tão feio e terrível que não havia dama ou donzela que não fugisse dele. Uma de suas vizinhas, uma senhora de elevada estirpe, tinha duas filhas muito belas. Ele pediu a mão de uma delas, deixando à mãe a missão de escolher qual seria noiva. Nenhuma das moças queria casar-se com tal pretendente e cada uma empurrava-o para a outra, incapaz de decidir em casar-se com um homem de barba azul. Além disso, o que ainda mais as desprazia era o fato de que ele já se havia casado com várias mulheres e ninguém sabia o que havia acontecido a elas. Barba Azul, para estabelecer relações com as jovens, levou-as com a mãe, três ou quatro amigas íntimas e algumas moças da vizinhança, para uma de suas casas de campo, onde permaneceram oito di...
Curtinho e muito bom.👏👏
ResponderExcluirMuito obrigado!
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