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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

A ESTÁTUA DE BUDA - Conto Clássico de Terror - Fernando Zanon

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A ESTÁTUA DE BUDA Fernando Zanon (Séc. XX) Conhecera-o vinte anos atrás, na Universidade de Leipzig, quando eu estudava Direito e, ele, Filosofia e Letras. Era um bom rapaz, mas muito sentimental e pessimista. Não via senão o lado mau da vida, as perfídias humanas. Quando, nas longas e frias noites de inverno, eu ia passar algumas horas a seu lado, ele me lia versos que só refletiam dor, desesperação e morte. Terminados os estudos universitários, eu quis passar alguns meses em férias e resolvi — já que minha fortuna mo permitia — resolvi ir à Índia, a terra do sonho e do mistério, o país encantado que desde minha infância sempre me havia atraído. Oscar resolveu acompanhar-me, e alugamos dois bangalôs quase vizinhos, nos arredores de Rangapur. — Aqui — disse meu companheiro, entusiasmado — poderei estudar a meu gosto as relíquias hindus e estou certo de achar alguma coisa nova nestas ruínas e inscrições. Atirou-se com entusiasmo à procura de antigos livros manuscritos. Traduzia...

INESPERADO REENCONTRO - Conto Clássico Fúnebre - Johann Peter Hebel

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INESPERADO REENCONTRO Johann Peter Hebel (1760 – 1826) Há uns cinquenta anos ou mais, em Falun, Suécia, um jovem mineiro beijou sua linda noiva e disse-lhe: — No dia de Santa Lúcia, o clérigo abençoará nosso amor. Então seremos marido e mulher e construiremos um pequeno ninho para nós. — E a paz e o amor lá habitarão — disse a noiva com um terno sorriso —, porque você é meu único amor. Sem você, eu preferiria estar na sepultura a qualquer outro lugar. Mas, antes do dia de Santa Lúcia, quando, pela segunda vez, o clérigo os anunciou à igreja e disse: “Se algum de vocês souber de algum impedimento ou causa justa para que estas duas pessoas não se unam em santo matrimônio”, a Morte pediu a palavra. E foi assim porque, quando o jovem mineiro passou em frente à casa da noiva no dia seguinte, vestido com seu negro uniforme mineiro — um mineiro sempre se veste com trajes de luto —, bateu-lhe duas vezes à janela e lhe disse bom-dia, mas não boa-noite. Ele nunca retornou da mina, e, e...

COLIDINDO-SE COM UM FANTASMA - Narrativa Clássica Verídica Sobrenatural - Joseph Glanvil

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COLIDINDO-SE COM UM FANTASMA Joseph Glanvil (1636 – 1680) Tradução de Paulo Soriano O Sr. Broom, ministro de Woodbridge, em Suffolk, encontrou-se um dia, numa barbearia daquela cidade, com um tenente holandês (que tinha sido atingido por uma explosão em Opdam, resgatado vivo da água e levado para a cidade, onde se tornou prisioneiro) e, durante uma conversa, ouviu deste a assertiva de que podia ver fantasmas e que já tinha visto muitos deles. O Sr. Broom repreendeu-o por falar tão levianamente, mas este persistiu no assunto com bastante firmeza. Alguns dias depois, ao reencontrá-lo, perguntou-lhe se tinha visto algum fantasma desde que chegara àquela cidade. Ao que ele respondeu que não. Mas, não muito tempo depois, enquanto caminhavam juntos pela cidade, o tenente disse ao Sr. Broom: — Ali vem um fantasma! Como o Sr. Broom não viu nada, perguntou-lhe onde estaria a aparição. O holandês respondeu: — Está em frente àquela casa e segue em nossa direção, olhando para cima e ag...

A MORTA MALÉFICA - Conto Clássico de Terror - Yuan Mei

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A MORTA MALÉFICA Yuan Mei (1716 – 1797) Quando Tang Ada, do condado de Yin, chegou em Pequim, o seu irmão não o tratou com amabilidade. Perguntado sob o motivo daquela recepção, Ada contou o seguinte incidente: Há vinte anos, velava ele o cadáver da filha de um vizinho. O seu irmão, companheiro na fúnebre tarefa, havia descido para tomar chá. Ada contemplou o cadáver por longo tempo. Ao vê-lo, tão belo, teve pensamentos lascivos. De súbito, o belo corpo da jovem se ergueu, deambulou pelo quarto e correu em sua direção. Quando o irmão, que retornava à sala, subiu as escadas, e se deparou com o cadáver no encalço de Ada, ficou pasmo de pavor e bateu a porta. Tentando escapar ao cadáver, Ada correu à porta, mas esta estava trancada. Então, pulou pela janela. O cadáver tentou acompanhá-lo, mas não conseguiu. Caído sobre as telhas, Ada desmaiou. Enquanto Ada, desfalecido, jazia no telhado, a defunta permanecia parada à janela do andar superior. Na manhã seguinte, a famíl...

O FANTASMA DE PEG ALLEY'S POINT - Narrativa Verídica Sobrenatural - Autor desconhecido do séc. XIX

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O FANTASMA DE PEG ALLEY'S POINT Autor desconhecido do séc. XIX Tradução de Paulo Soriano Peg Alley's Point é uma longa e estreita faixa de terra arborizada, situada entre o curso principal do rio Miles e um dos riachos navegáveis ​​que nele deságuam. Esta pequena península, que tem cerca de duas milhas de comprimento e cinquenta a trezentas jardas de largura, é cercada por águas profundas e coberta por pinheiros e densa vegetação rasteira. Conta-se, tradicionalmente, que, há muitos anos, um grupo de pescadores de ostras de Baltimore acampou na ponta. Dentre eles, estava um homem chamado Alley, que havia abandonado a esposa. A mulher abandonada seguiu o marido e o encontrou naquele acampamento. Após conversarem alguns instantes, o marido a convenceu, sob algum desconhecido pretexto, a acompanhá-lo até um matagal. A pobre mulher nunca retornou. Seu marido a assassinou cruelmente com um porrete. Desde então, a ponta de terra é conhecida pelo nome de Peg Alley, e acredita-...