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Mostrando postagens de agosto, 2024

O NAVIO FANTASMA - Conto Clássico de Terror - Ricciotto Canudo

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O NAVIO FANTASMA Ricciotto Canudo (1877 – 1923) Tradução de ator anônimo do início do séc. XX. O grande navio britânico deixou São Francisco com uma carga de cadáveres. E tomou o rumo da China, onde as leis religiosas do povo celeste querem que os seus filhos sejam sepultados. Entre estes dois mil chineses, o navio tinha o fúnebre orgulho de transportar um príncipe de sangue e a jovem princesa, com a sua escolta, todos mortos num acidente de estrada de ferro. Mas, na segunda noite de viagem, o navio teve a sua máquina completamente destruída por uma desgraça bastante difícil de explicar. E esta desgraça foi ainda maior por terem os maquinistas e os foguistas sucumbido asfixiados. O navio não possuía velas, e, sucedendo-se as tempestades sem cessar, o capitão, marinheiro tão perfeito, pela experiência da navegação, que parecia moldado na mesma matéria do seu navio, foi obrigado a entregar-se ao dispor das grandes correntes oceânicas. Os sinais de perigo ficaram sem resposta O n...

A DEVORADORA DE CADÁVERES - Conto Clássico de Terror - Sabine Baring-Gold

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A DEVORADORA DE CADÁVERES Sabine Baring-Gold Tradução de Paulo Soriano No início do século XV, vivia em Bagdá um velho comerciante, cujos negócios o levaram à riqueza, e que tinha um filho único, a quem era ternamente apegado. Resolveu casar o rapaz com a filha de outro comerciante, uma garota de considerável fortuna, mas sem nenhuma atração pessoal. Abul-Hassan, o filho do comerciante, ao ver o retrato da moça, pediu ao pai que adiasse o casamento, pois precisava pensar a respeito. No entanto, de fazer isso, ele se apaixonou por outra garota, a filha de um sábio, e não deu paz ao pai até que ele consentisse no casamento com a dama de suas afeições. O velho se manteve firme o máximo que pôde, mas, ao descobrir que seu filho estava decidido a desposar a bela Nadilla — e estava, igualmente, decidido na rejeição à moça rica e despossuída de encantos —, ele fez o que a maioria dos pais, nessas circunstâncias, são obrigados a fazer: concordou. O casamento ocorreu com grande pompa e c...

A LENDA DA MÃE FANTASMA - Narrativa Clássica Lendária Sobrenatural - Li Qing

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A LENDA DA MÃE FANTASMA Li Qing (1602-1683) Uma mulher grávida veio a falecer longe da cidade onde morava e o seu marido teve de sepultá-la às pressas. No dia seguinte ao seu sepultamento, um vendedor ambulante recebeu, ao amanhecer, uma senhora. Viera ela, tão cedinho, comprar bolos e este fato se repetiu nos dias seguintes. — Senhora — perguntou o vendedor —, por que vens, todos os dias, assim tão cedo, todas as manhãs? A mulher, de triste semblante, respondeu: — O meu marido deixou-me, assim como a meu filho. Como não tenho leite materno para alimentá-lo, dói-me o coração ao ouvi-lo chorar. Por isto venho todas as manhãs, bem cedinho, comprar o bolo. Como todas as noites o comerciante apurava o seu ganho, verificou, perplexo, que, desde conhecera a mulher, passara a encontrar cédulas espirituais entre o dinheiro recebido. Logo intuiu que aquelas cédulas lhe eram entregues pela desconhecida. Um dia, para saber de quem se tratava a estranha, ele a seguiu. Notou que ela cam...

O ESPÍRITO DA ÁGUA - Narrativa Tradicional Sobrenatural - Liev Tolstói

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O ESPÍRITO DA ÁGUA (Narrativa tradicional) Texto reelaborado a partir de narrativa breve de Liev Tolstói Um pobre camponês, ao atravessar um rio caudaloso, havia perdido o seu único machado. Sentara-se à margem e, muito triste, pusera-se a chorar. O seu pranto foi ouvido pelo justo Espírito da Água, que se apiedou do pobre trabalhador. Tendo mergulhado na água, a rigorosa entidade voltou com um machado de ouro na mão. — É este o teu machado? — perguntou ao camponês, que, de pronto, respondeu: — Não. Este não é o meu machado. Em seguida, o Espírito da Água trouxe outro machado, de prata, indagando: — Este é o teu machado? Novamente, o camponês respondeu que não. O Espírito da Água, então, trouxe o machado verdadeiro, indagando: — Diz-me, agora, se este é o teu machado. — Sim, este é o meu machado — respondeu, feliz, o pobre camponês. Satisfeito com a honestidade do pobre homem — que dissera apenas a verdade —, o Espírito da Água recompensou-o com os três macha...

O SACERDOTE MORTO - Conto Clássico de Terror - Pu Songling

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O SACERDOTE MORTO Pu Songling (1640 – 1715) Surpreendido em suas andanças pelas sombras da noite, um sacerdote taoista procurou refúgio num pequeno mosteiro budista, que estava fechado. Deitou, então, a sua esteira no vestíbulo e nela se sentou. Em plena noite, quando tudo se fazia silencioso, ouviu que, atrás de si, a porta se abria. Olhando em volta, vislumbrou um sacerdote budista, coberto de sangue da cabeça aos pés, que parecia não notar a presença de quem quer que fosse. Por conseguinte, o viajante fingiu não estar ciente do que acontecia. Viu, então, o sacerdote budista entrar no santuário, subir no altar e permanecer ali por algum tempo. Alternadamente, abraçava a cabeça da imagem de Buda e ria. Quando amanheceu, o viajante encontrou o quarto do monge ainda trancado; e, suspeitando que algo ali estava errado, caminhou até uma aldeia vizinha. Lá, contou às pessoas o que tinha visto. Os aldeões voltaram com ele e invadiram o convento. Diante deles, estava o monge, enc...

O DIABO NO AÇUDE - Conto de Terror - João de Arlekinom

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O DIABO NO AÇUDE João de Arlekinom “ O que o diabo faz? É bom que seja segredo e que isto diga respeito somente a ele. Pois o mais corajoso dos homens iria ficar perturbado conhecendo tais assuntos.” Duque de Eldrent A vila de Buriti ficava numa planície de mata verdejante, havia rios e lagos em volta de suas terras, florestas densas e selvagens circundam todo o vilarejo, que é acessível somente por uma estrada de terra que levava para as terras ao norte e para as terras do sul. Os pescadores atiravam suas redes e anzóis à água. As mulheres lavavam as roupas de seus maridos e davam banho nas crianças em cima das tábuas. Aquele era um típico vilarejo no interior da província maranhense. Havia casinhas de barro amontoadas próximas do rio, outras eram espalhadas pelo matagal adentro. No monte alto que se eleva próximo ao rio, estava a bela Igreja do Buriti, com seu campanário alegre, que ressoava todas as manhãs. A construção da igreja começou em 1888, porém, demorou-se par...