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A CASA DOS QUATRO ENFORCADOS - Conto Clássico de Mistério - Jacques Cézembre

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A CASA DOS QUATRO ENFORCADOS Jacques Cézembre (1855 – 1949) Tradução de autor anônimo do séc. XX Nunca acreditei no sobrenatural e isto me desespera. Desejaria ser suficientemente dominado pelo atavismo de minha raça para ter fé, como todos os bretões em geral, nos contos de fadas, naqueles contos que se dizem em torno da lareira, no inverno, quando o vento ronda lá fora. Porém, se me privo de muitas emoções procurando explicar logicamente os fatos os mais estranhos na aparência, pelo menos tenho uma paixão por tudo que, à primeira vista, reveste um caráter maravilhoso. Insisto neste ponto com o fim de fazer compreender melhor as razões que me fizeram partir para Oram há alguns anos. A Argélia não me atraía particularmente. Eu não conhecia Oran, não tinha ali amigos. A única causa da minha partida foi a fascinação que exercia sobre mim a “Casa dos Quatro Enforcados”. Três anos antes, fora surpreendido que um bravo homem de minha família, meu tio à moda da Bretanha, vinha de mor...

JUSTIÇA - Conto Clássico Cruel - Henri Barbusse

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JUSTIÇA Henri Barbusse (1873 – 1931) Tradução de autor anônimo do séc. XX — Em verdade — disse J. K. Alec Colombres —, não valho grande coisa. Sem ser, propriamente falando, um canalha, tenho frequentado tanta gente desonesta, no Klandike e em seus arrabaldes, que não posso jurar ser de todo um santo. Porém, em nossos ofícios de aventureiros e garimpeiros, espalhados pelo vento, sequestrados em intermináveis solidões e cortados pelo frio, os pequenos crimes não chamam a atenção. E não parece gracioso, depois de tudo, aplicar as leis da nossa velha Inglaterra a um país enganchado em alguma parte de lá de cima, no círculo polar, onde as viaturas são tiradas por cães, onde os homens morrem como moscas e as cidades nascem como cogumelos? Nosso interlocutor esvaziou um copo de uísque. Encheu outro, que bebeu igualmente, porque ele não podia admitir nem os copos vazios nem os copos cheios. Depois, examinou através da janela de sua casa campestre de Epsom, onde nos encontrávamos, a cam...

A MULHER FALECIDA - Conto Clássico Sobrenatural - Gan Bao

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A MULHER FALECIDA Gan Bao (? – 336) Em Yingling, Beihai, nos tempos da Dinastia Han, havia um sacerdote taoista que tinha o poder de reunir os vivos com os seus entes queridos falecidos. Um homem daquela prefeitura, cuja esposa havia morrido há vários anos, ouvindo falar daquele prodígio, procurou o sacerdote, dizendo-lhe: — Se eu pudesse ver a minha falecida mulher uma última vez, morreria sem arrependimentos. — Poderás vê-la novamente — disse-lhe o sacerdote. — Contudo, se ouvires o soar dos tambores, sai imediatamente. Não demores. Em seguida, o sacerdote explicou-lhe o ritual necessário a que voltasse a se reunir à falecida. Concluído o cerimonial, ele reencontrou a mulher morta. Então conversaram, com dor e alegria, envoltos em afeto e ternura vívidos. Era como se ambos estivessem vivos. Depois de um longo tempo, o som dos tambores soou. Com amargo pesar, já que não poderia permanecer ali por mais tempo, o homem preparou-se para sair. Assim q...

TORTURAS - Narrativa Clássica Verídica de Horror - Luc Domain

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TORTURAS Luc Domain (Séc. XX) Tradução de autor anônimo do séc. XX Antes da Revolução de 1789, as confissões dos criminosos, ou tidos como tais, eram obtidas por meio de torturas. A descrição destas cenas atrozes, verdadeiras visões de pesadelo, aparecem-nos hoje mais terrificantes ainda, à luz dos próprios autos ainda hoje existentes nos arquivos das extintas masmorras católicas. Eis aqui, pois, como exemplo, a ressurreição exata de um passado que não é relativamente longínquo! Estamos no ano da graça de 1788. Num catre lúgubre, numa peça obscura e fria do calabouço, os altos muros recobertos de salitre, os magistrados do Parlamento de Ruão reúnem-se para julgar Marguerite Tison, acusada de ter degolado seu próprio marido. Em torno de uma tosca mesa de carvalho negro, estão sentados os juízes vestidos de beca, um médico e o escrivão. Em frente deles, com todo o seu aparato de máquinas de formas estranhas e diversas, está o verdugo e seus ajudantes imediatos. De joelhos, pálid...