O RECORDISTA - Conto Cruel - Marco Eugenio Sánchez Arrate
O RECORDISTA
Marco Eugenio Sánchez Arrate
Tradução de Paulo Soriano
Minha casa, a casa de família, herdada dos meus pais, a mansão Bartozzi, incendiou-se.
A dor por tão triste perda oprime-me. Quantas recordações e velhas relíquias do sobrenome — armaduras suíças, o casaco bufante do condottiero Bartozzi, os bestiários medievais do mosteiro de Menz — extinguem-se com aquela casa, agora envolta nas chamas vorazes.
Mas o quer? É preciso fazer certos sacrifícios quando se quer se livrar de parentes problemáticos.
Ouço os seus gritos desesperados, batendo nos portões trancados, enquanto atiro a lata da gasolina para o relvado do jardim.
Demasiadamente jovem para herdar tudo, diziam os meus primos mais velhos, os ambiciosos, os meus tutores e quase donos pela graça de um testamento esfarrapado. Agora os meus tenros onze aninhos não serão um obstáculo.
Nós, os Bartozzi, somos precoces.
Dizem que o condottiero matou o pai aos catorze anos, nos tempos do papa Bórgia.
E acho que acabei de bater o recorde da família.
Ilustração: PS/Perchance.
Texto integrante da revista bilíngue (português e espanhol) “Relatos Fantásticos”, vol. V. Para acessá-la na íntegra, clique aqui.

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